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Editorial
Morreu, mas passa bem
Redação
09/03/2020 | 03:10

Vítima da inexperiência na modelagem da licitação do primeiro aeroporto privado do País, a Inframérica deixará um dia a operação em São Gonçalo do Amarante sem olhar para trás.

Ajudou nessa decisão o buraco sem fundo de administrar um terminal com a metade do que era esperado para o movimento de passageiros, mas, principalmente, um contrato ruim, onde o valor fixo de outorga independe do desempenho econômico.

Os custos da torre de controle, que em outros aeroportos é da Aeronáutica, mas estouravam nas costas da companhia argentina, também pesaram na decisão, que começou a ser cogitada já um ano depois do terminal abrir ao público, em 2014.

Não vai criar problemas para o turismo, nem voos deixarão de descer e decolar daqui. É apenas mais uma lição que levamos para casa acerca das nossas próprias possibilidades e como as coisas são construídas até se chegar a elas.

Por enquanto, o caso envolvendo a Inframérica aponta para os erros na modelagem inicial das concessões, que não convive nada bem com a recessão econômica do País e a dificuldade com que muitas empresas têm com as autoridades brasileiras, especialmente quando isso envolve suspeitas de corrupção.

Quanto ao pedido para jogar o boné da Inframérica, ele já era esperado para qualquer momento pela Secretaria de Aviação Civil, sabedora dos problemas sem volta dos termos da licitação celebrados em 2011, antes da companhia começar a investir os R$ 700 milhões que agora ela quer de volta.

Além disso, pesou o valor defasado das tarifas de embarque que, ao não permitir reajustes, apertou o torniquete ao redor da Inframérica.

Tudo isso não é de todo o mal, já que o aeroporto é bem avaliado. Só o desfecho pesa contra a nossa autoestima. De fato, não era o que queríamos.

As pretensões originais eram de um hub de cargas e, quem sabe, daqui alguns anos, um movimento que beirasse os 40 milhões de passageiros, sem contar uma Zona de Processamento de Exportações que nos elevasse a outro patamar em nossas rudimentares relações econômicas com o mundo.

E não é nem preciso dizer o que deu errado, já que no ano passado registramos um movimento de 2,3 milhões de passageiros, quando a meta era o dobro disso.

Mas, entre mortos e feridos, salvar-se-ão todos, já que a indenização a ser paga a Inframérica virá do novo operador, que já encontrará a estrutura toda construída, inclusive sob os auspícios de uma modelagem de licitação mais amigável e racional.

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