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Moradia

Dois meses após desabamento, moradores de Neópolis seguem sem saber se voltam para casa

Prefeitura do Natal paga aluguel social para famílias, que aguardam desfecho
Nathallya Macedo
21/10/2023 | 02:00

Este sábado, 21 de outubro, marca dois meses do desabamento parcial de casas em Neópolis, na Zona Sul de Natal. Entre as ruas Marcassita e Ouro Preto, as residências localizadas em um declive desabaram por volta das 6h30 do dia 21 de agosto, assim como o muro de contenção de uma lagoa de captação.

Após o desabamento, dez casas foram interditadas pela Defesa Civil e, até o momento, não há definição sobre o que será feito. A Secretaria Municipal de Habitação (Seharpe) informou ao AGORA RN que vai aguardar o fim da reconstrução do muro de contenção da lagoa de captação do local para decidir se as casas serão reconstruídas ou se os moradores terão que deixar as residências de vez.

Em Neópolis, casas desabaram no dia 21 de agosto, assim como o muro de contenção de uma lagoa de captação. Foto: José Aldenir / Agora RN
Em Neópolis, casas desabaram no dia 21 de agosto, assim como o muro de contenção de uma lagoa de captação. Foto: José Aldenir / Agora RN

A ordem de serviço para a reconstrução do muro de contenção foi assinada na terça-feira 17 pelo secretário de Infraestrutura, Carlson Gomes. A partir disso, a empresa tem 10 dias para iniciar a obra – algo que ainda não aconteceu. A obra vai custar de R$ 2,4 milhões. A empresa TCPAV – Tecnologia em Construção e Pavimentação Eireli foi contratada em caráter emergencial, com dispensa de licitação. A estimativa é que o serviço fique pronto em quatro meses.

Enquanto aguardam uma solução para o problema, as famílias estão em casas alugadas. Segundo a Seharpe, a Prefeitura do Natal está pagando R$ 600 por mês para cada família para cobrir os custos da locação dos imóveis.

À reportagem, o morador Anderson Martins afirmou que foi informado sobre a obra do muro da lagoa. “Mas, referente às casas, não houve nenhuma definição ainda. A Seharpe falou que não tinha como dar certeza de nada, que precisamos esperar a reconstrução do muro da lagoa. Em seguida, será feita uma avaliação por parte da Defesa Civil para saber se de fato os moradores poderão voltar para suas casas”.

“Alguns moradores estão preocupados achando que não irão voltar, já outros ainda têm esperança. A conclusão da obra da lagoa é fevereiro, só então saberemos de algo”, pontuou ele.

Luzimar Medeiros, moradora do local há 27 anos, disse que aguarda ansiosamente o dia de retornar. “Ainda não temos uma posição oficial, a Seharpe nos informou que temos que aguardar a reconstrução da lagoa, e a vistoria depois, para saber se ainda corremos riscos. Em uma reunião conosco no dia 19, nos informaram que, se tudo der certo, a pasta nos ajudará na reconstrução das residências afetadas”.

Local inapropriado

Uma inspeção preliminar feita logo após o deslizamento, solicitada pelo CREA-RN, sugere que um aumento de carga na encosta pode ter causado o colapso das casas. O engenheiro Eunélio Silva, assessor técnico do conselho, afirma que o local não era apropriado para construção residencial, sendo destinado à contenção da encosta.

Isso teria contribuído para a desestabilização da área. “O local foi projetado para conter a encosta e não para fazer construções em cima da encosta, que foi o que ocorreu. Então isso aí contribuiu com certeza para a desestabilização”, afirmou o engenheiro.

De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), foi feito pela equipe da pasta um laudo que “apontou a necessidade da recomposição do muro e outras melhorias na estrutura da lagoa”. Já a equipe da Seharpe deverá produzir uma análise sobre a situação das moradias.