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Editorial
Mobilidade cara e ruim

02/03/2020 | 08:28

Sem licitação para o transporte coletivo à vista, o reajuste da passagem de ônibus em Natal, que o prefeito autorizou e horas depois voltou atrás, é daquelas situações para as quais não cabe demagogia.

O fato de Natal exibir o valor de tarifa mais caro para os percursos mais curtos do Nordeste, por si só, demonstra o tamanho de um problema gigantesco: a falta de infraestrutura que limita investimentos e encarece custos operacionais.

Todos os centavos extras que os pobres desembolsam para comprar sua mobilidade, de verdade, espremem um torniquete perverso contra quem tira comida da mesa para arcar com os custos de sair para o trabalho.

A passagem de ônibus de Natal é a mais cara do Nordeste porque, diferentemente de outras capitais da região, as políticas de crescimento urbano aqui foram mal concebidas e executadas. Foram elitistas e baseadas em pressupostos falsos, feitos a partir de improvisações, que apenas atenuaram problemas numa proporção muito aquém das necessidades.

Foi isso que, no fim das contas, produziu a situação perceptível pela população de pagar caro por um produto ruim, que ainda demora para passar no ponto. E o problema não deve recair apenas nas costas das empresas, que têm custos crescentes.

É reflexo, como já se disse, da péssima infraestrutura da cidade e da ausência de planos diretores que, ao longo dos anos, agrupassem mais as comunidades ao invés de pulverizá-las, obrigando o poder público a correr atrás do prejuízo.

Hoje, muito por conta disso, Natal teve uma brutal expansão de sua frota de carros e motos, enquanto os ônibus passaram a ser um mero coadjuvante desse processo, quando deveria ser exatamente o contrário. Pessoas deveriam buscar mais o transporte público e meios alternativos, como acontece na parte civilizada do mundo. Só que é o inverso.

Por maiores que tenham sido os esforços para tornar os ônibus mais rápidos em Natal, criando para eles vias exclusivas improvisadas, que espremeram o fluxo restante, está claro que o custo Natal hoje não é atrativo nem para os empresários que exploram o sistema nem para a população que depende dele. Um grande problema.

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