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Marcelo Hollanda
Ministro da Economia, Paulo Guedes é um cínico, com todo o respeito: cheio de conversa fiada
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quinta-feira (25)
Marcelo Hollanda
25/11/2021 | 08:30

Fake Bull da B3
Já se falou muito mal do touro dourado da Bolsa de Valores desde que instalaram a estrovenga na frente do prédio da B3 no centro de São Paulo.

Não tem importância, vamos nos ocupar um pouco mais desse tema tão fundamental para a vida dos brasileiros.

Esta semana embalaram o bicho e tiraram de lá depois que a prefeitura considerou a escultura publicidade irregular e ameaçou aplicar multas.

Sendo mesmo propaganda irregular – enganosa seria mais apropriado -, o fato é que a imitação da estátua do Touro de Wall Street, em Nova York, feita de bronze e não de imitação de ouro, está mais para ‘fake bull’.

Um retrato canhestro da mania de grandeza, já que riqueza mesmo só a dos espertalhões que, sendo donos offshore em paraísos fiscais, podem comandar a economia de um país onde, não por acaso, o dólar está nas alturas.

Antes da ameaça da prefeitura paulistana, o touro dourado já havia caído no descrédito da população a ponto de sofrer bullying e precisar de vigilância privada.

Afinal, riqueza é o que os brasileiros na esmagadora maioria não têm. Muito pelo contrário.

Há uma escalada de inflação para a qual o ministro Paulo Guedes tem um bode expiatório: a conjuntura internacional.

Mas há uma razão adicional que explica parte do sucesso desse governo que não gosta de pobre.

Ao romper o teto de gastos fiscais com a pandemia, justiça seja feita a Bolsonaro, estados e municípios foram tirados do sufoco que estavam no fim do governo Temer e puderam se reorganizar.

Nunca mais se ouviu falar em atraso de salários de servidores que, no caso de um estado como o Rio Grande do Norte, respondem por 1/3 do poder de fogo da economia. O ajuste fiscal virou poeira com a pandemia.

Isto é um fato. Mas não engrandece em nada o governo federal, que usou a crise para abrir a burra e cooptar apoio no Congresso e assim manter o presidente longe dos mais de 100 pedidos de impeachment hoje espremidos na gaveta de Arthur Lira.

A um ano da eleição, reeditamos um espetáculo de adesões de última hora de forças políticas por estratégia ou pura conveniência.

É o que acontece quando se tem licença para gastar sem limite, o que aumenta o endividamento público e produz uma profunda insegurança jurídica, mas encurta caminhos entre a fome e a vontade de comer.

São tempos de touros dourados, crescimentos em V, patriotismo de ocasião, offshores de ministro e mito dos costumes. Só faltava um boi de ouro para falar de uma riqueza que não existe.

Agora não falta mais.

Olha só
Não por acaso, parlamentares apresentaram um valor recorde do Orçamento da União de emendas para 2022. Deputados e senadores querem nada menos do que R$ 112,4 bilhões em recursos públicos para financiar obras e serviços em seus redutos eleitorais, uma quantia sete vezes maior do que já está reservado para 2022. Um crescimento de 139% em relação ao proposto em 2020.

Ah a inflação!
Não há dúvida que a pandemia deixou como legado o crescimento da inflação pelo mundo. Mas de todos os países, com pouco mais de 10%, o Brasil ocupa a terceira colocação, perdendo para a Argentina em primeiríssimo lugar, com mais de 50% e a Turquia, com 16%. Não é consolo. Aqui, a desvalorização do Real frente ao Dólar é que o faz a alegria dos exportadores, mas o drama da população de parte da indústria voltada para o mercado interno.

Conversa fiada
O ministro Paulo Guedes é um cínico, com todo o respeito. Alegou que abriu uma offshore em paraíso fiscal por questões sucessórias de família em torno de herança. Explicou que se porventura o dono da grana viesse a falecer, o governo norte-americano expropriaria 46% da herança (no Brasil são 8%). “Se eu morrer, em vez de metade ser apropriada pelo governo norte-americano, na verdade, vai para a sua sucessão. Isso explica colocar um parente, um filho, uma filha, uma mulher, um cônjuge. Está na declaração confidencial de informações. Está escrito lá. Você pode botar alguém”, afirmou. E continua ministro da Economia. Não dá pra entender.

Bidu
Palavras do general Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras, sobre a privatização da companhia. “A Petrobras poderá ser privatizada no futuro desde que seja de interesse da União, mas tal movimento faria pouca diferença em sua operação considerando suas atuais regras de governança”. Entendeu, presidente Bolsonaro? Luna acrescentou: “Ela (Petrobras) tem um sistema de governança e conformidade que dificilmente seria alterado. Poderia ser privatizada? Sim, essa é a tendência do mundo, diminuir as estatais”.

Façam as apostas
Finalmente se aproxima a sabatina do terrivelmente evangélico André Mendonça no Senado. E ainda ninguém sabe no que vai dar a votação, aprovando ou rejeitando a segunda indicação de Bolsonaro ao STF. Para a turma de Mendonça, segundo o colunista Lauro Jardim de O Globo, o ex-chefe da AGU terá entre 45 e 50 votos de um mínimo de 41 necessários para ser escolhido na sabatina que possivelmente acontecerá na próxima semana. Mas tem gente dizendo que não será bem assim. O jeito é apostar para faturar uns trocados.

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