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Segurança Pública
Militarização ganha força e salário é maior queixa de policiais, diz estudo
De acordo com o estudo, o apoio ao modelo de polícia unificada, de ciclo completo e militar, passou de 9% para 14,4% no período
Redação
11/11/2021 | 18:22

Um levantamento feito com policiais pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que o apoio à militarização cresceu entre os profissionais das forças de segurança entre 2014 e 2021. As informações são da pesquisa “Escuta dos Profissionais de Segurança Pública do País” divulgada hoje.

De acordo com o estudo, o apoio ao modelo de polícia unificada, de ciclo completo e militar, passou de 9% para 14,4% no período. Embora a organização das instituições nos moldes de uma polícia unificada, de ciclo completo, de caráter civil e com carreira única ainda seja a mais defendida, esse apoio caiu de 56,9% para 46,8% no período analisado.

“O levantamento indica que existe uma divisão quanto aos aspectos e valores da militarização da segurança pública que hoje perpassam o sistema de segurança”, observa Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança em nota de divulgação do estudo.

De modo geral, a pesquisa mostrou que os profissionais de segurança pública no Brasil estão insatisfeitos com o modelo de polícia que temos e com a modelagem de suas carreiras e a partir daí dão boas pistas sobre mudanças organizacionais que poderiam ser feitas.”
Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança.

Na mesma linha, o suporte à desmilitarização das polícias militares caiu. Cerca de 45,8% concorda com o julgamento pela justiça militar aos policiais militares, contra 32,6% que apoiavam em 2014.

Além disso, 35,1% deseja que as polícias militares e o corpo de bombeiros se mantenham como forças auxiliares do Exército, com o fim do controle e da Inspetoria das PMs. Esse percentual era de 20,8% em 2014.

O que atrapalha o trabalho

Questionados sobre o que atrapalha o trabalho, a tendência de 2021 repete a de 2014. As principais queixas são em torno dos baixos salários, contingente policial insuficiente, falta de verbas para equipamentos e armas, falta de integração entre as políticas de segurança e outras políticas sociais, falta de integração entre as diferentes polícias e interferências políticas.

Os salários aparecem como a maior queixa, com 84,6% considerando um problema muito importante, contra 84,7% em 2014. Em seguida vem o contingente policial insuficiente com 84,1% em 2021 contra 81,7% em 2014.

Houve queda em quem apontou a corrupção nas polícias como fator que atrapalha, com 66,2% em 2021 frente aos 70,3% de 2014.

Uma grande maioria aponta que um fator importante ou muito importante que atrapalha o trabalho é a “ênfase desproporcional das políticas de segurança na repressão ao tráfico de drogas” —82,5% dos respondentes— e a “priorização de prisões, em vez de adoção de policiamento comunitário e ações preventivas” —71,4% dos respondentes.

Cerca de 74,4% apontaram a interferência política como muito importante. Em 2014, esse percentual foi de 76,2%.

Carreira policial

O apoio à organização das polícias em carreira única com uma só porta de entrada segue alto e estável, aponta a escuta. Cerca de 81% dos respondentes expressaram apoio total ou parcial à carreira única, tanto em 2014 quanto em 2021.

“O que chamou a atenção nesse caso foi o apoio dos policiais federais, quando 11,8% apoiavam totalmente ou em parte essa separação em 2014 e agora esse número é de 47,6%”, pontua o estudo.

Relação com MP e Judiciário

Os oficiais também responderam sobre o sistema de Justiça. O Ministério Público e o Judiciário são vistos como instituições que “não
colaboram, desconhecem as dificuldades, dificultam e até mesmo se opõem ao trabalho policial”.

“De certa forma, o cenário captado nessa parte da pesquisa corrobora a uma frase bastante comum no jargão no meio policial, que diz que ‘a polícia prende, e o judiciário solta'”, pontua o documento.

A pesquisa ouviu 9.067 profissionais entre os meses de abril e maio deste ano. Foram enviadas 71 perguntas aos profissionais que receberam convites, a partir de bases de e-mails do Fórum.

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