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Coluna

Militares e civis se transformaram num híbrido e jogaram a governança na lata do lixo

Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quinta-feira 8
Marcelo Hollanda
08/07/2021 | 08:41

As fardas estão no lugar errado: voltem

“Você já falou com o coronel, ele pode ajudar”.

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Militares e civis se transformaram num híbrido e jogaram a governança na lata do lixo. Foto: Reprodução

“Conheço o general há muitos anos, ele pode facilitar”.

“O major não manda nada, mas é muito amigo do coronel e este manda muito”.

“Quer liberar logo, fala com essa patente aqui”.

Uma conversa tão antiga e ao mesmo tempo atual. Não deveria estar acontecendo, mas acontece.

Quando o general Figueiredo fechou a porta e apagou a luz do governo militar, deveria ter jogado a chave fora.

E, se jogou, um capitão insubordinado do Exército e prosélito de causas sindicais da tropa no baixo clero do Congresso a resgatou, para a infelicidade do país.

Agora, Inês está morta.

Ninguém se entende mais no governo. São tantos militares ineptos entre outros um pouco mais aptos, que não se sabe mais onde começa a competência de um e termina o do outro, quem está trabalhando e quem simplesmente só esquenta a cadeira.

Os civis no governo são apenas parte da tropa e beneficiários das vantagens. Os militares, que atravessaram a rua para o Executivo, também agem com esse intuito, se dar bem.

Militares e civis se transformaram num híbrido e jogaram a governança na lata do lixo. Um sinal de que a compostura e os bons modos também se foram.

Militares, em 2018, se beneficiaram de um momento especial da história, que pode não se repetir adiante. Mas deixarão o legado de sua enorme incompetência na administração pública federal.

A governança da máquina do Estado brasileiro, que sempre teve muitas lacunas e problemas, é hoje uma desvairada e desavergonhada falta de princípios e métodos. Sem prioridades e movido ao sabor de conveniências, entre elas as eleições de 2022.

Um exercício continuado de improvisações e absoluta falta de direção que compromete o país para os próximos dez anos ou mais.