As fardas estão no lugar errado: voltem
“Você já falou com o coronel, ele pode ajudar”.

“Conheço o general há muitos anos, ele pode facilitar”.
“O major não manda nada, mas é muito amigo do coronel e este manda muito”.
“Quer liberar logo, fala com essa patente aqui”.
Uma conversa tão antiga e ao mesmo tempo atual. Não deveria estar acontecendo, mas acontece.
Quando o general Figueiredo fechou a porta e apagou a luz do governo militar, deveria ter jogado a chave fora.
E, se jogou, um capitão insubordinado do Exército e prosélito de causas sindicais da tropa no baixo clero do Congresso a resgatou, para a infelicidade do país.
Agora, Inês está morta.
Ninguém se entende mais no governo. São tantos militares ineptos entre outros um pouco mais aptos, que não se sabe mais onde começa a competência de um e termina o do outro, quem está trabalhando e quem simplesmente só esquenta a cadeira.
Os civis no governo são apenas parte da tropa e beneficiários das vantagens. Os militares, que atravessaram a rua para o Executivo, também agem com esse intuito, se dar bem.
Militares e civis se transformaram num híbrido e jogaram a governança na lata do lixo. Um sinal de que a compostura e os bons modos também se foram.
Militares, em 2018, se beneficiaram de um momento especial da história, que pode não se repetir adiante. Mas deixarão o legado de sua enorme incompetência na administração pública federal.
A governança da máquina do Estado brasileiro, que sempre teve muitas lacunas e problemas, é hoje uma desvairada e desavergonhada falta de princípios e métodos. Sem prioridades e movido ao sabor de conveniências, entre elas as eleições de 2022.
Um exercício continuado de improvisações e absoluta falta de direção que compromete o país para os próximos dez anos ou mais.