A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) manteve uma conversa com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes poucas horas antes da decisão que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a chamada “Papudinha”, em Brasília. A mudança foi interpretada por aliados como um alívio diante do receio de agravamento do estado de saúde do ex-mandatário, que estava preso na sede da Polícia Federal.
Além de Michelle, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também buscou ministros do STF nos últimos dias para defender a concessão de prisão domiciliar a Bolsonaro. Segundo relatos, ele conversou com Moraes, com o decano Gilmar Mendes e com outros integrantes da Corte.

A interlocução entre Michelle e Moraes foi revelada pelo portal Metrópoles e, de acordo com fontes do PL ouvidas pela Folha sob reserva, teria sido intermediada pelo vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ). O encontro ocorreu durante a manhã, enquanto a decisão judicial foi publicada no fim da tarde, por volta das 17h. Procurados, nem o ministro nem o parlamentar confirmaram ou negaram a reunião.
Pessoas próximas às tratativas afirmam que Michelle solicitou a Altineu a aproximação com Moraes no início da semana, demonstrando preocupação com a saúde do ex-presidente. Bolsonaro passou por uma cirurgia no fim do ano passado e, após o procedimento, sofreu uma queda dentro da cela na Polícia Federal.
Segundo interlocutores, Altineu esteve com Moraes na quarta-feira (14), ocasião em que comunicou o interesse da ex-primeira-dama em uma conversa direta. O ministro teria sinalizado que estava disposto a ouvi-la.
Como já havia mostrado a Folha, Michelle também se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, a quem pediu apoio para que Bolsonaro pudesse cumprir a pena em prisão domiciliar. Paralelamente, ela divulgou um vídeo nas redes sociais agradecendo a deputados federais que fizeram o mesmo pleito ao Supremo. “Sigamos firmes. Sejamos fortes e corajosos! Muito obrigada. Que Deus os abençoe”, escreveu.
Michelle também agradeceu publicamente à Polícia Federal pelo período em que Bolsonaro permaneceu detido na superintendência da corporação, destacando o cuidado recebido. “Sou grata a todos da PF que, durante o período em que o meu amor esteve lá, cuidaram dele com atenção, auxiliando nas medicações e nas refeições”, afirmou em publicação nas redes sociais.
*Com informações da Folha de São Paulo