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Levantamento
Metade dos brasileiros querem Jair Bolsonaro fora da Presidência
Pesquisa feita pelo instituto PoderData mostra que 48% dos brasileiros desejariam ver o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) fora do comando do maior país da América Latina, o Brasil. Percentual do levantamento PoderData divulgada no domingo se manteve estável em relação ao último levantamento feito de 20 a 22 de julho
Redação
09/08/2020 | 23:01

Pesquisa realizada pelo instituto PoderData, publicada nesse domingo (9), mostra que metade dos brasileiros – quase 50% dos entrevistados – desejariam ver o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) fora do comando do maior país da América Latina, o Brasil. Segundo o instituto, 48% dos brasileiros acham que o presidente deve deixar o comando do país.

O percentual da pesquisa PoderData divulgada nesse domingo se manteve estável em relação ao último levantamento, feito pelo mesmo instituto, de 20 a 22 de julho. Passou de 47% para 48% em duas semanas.

O apoio para que Bolsonaro fique no cargo, no entanto, cresceu no período. Foi de 43% para 47%. De acordo com o PoderData, 32% aprovam o presidente e 41% o rejeitam.

Entre os que acham o presidente deve continuar no Planalto, 97% o avaliam seu trabalho como “ótimo” ou “bom”. Os que avaliam como seu desempenho como “ruim ou péssimo” são só 6%.

Já entre os que acham que Bolsonaro deve deixar o governo, 92% rejeitam sua gestão. Só 2% aprovam o trabalho do presidente. A alta de 4 pontos percentuais da taxa de percepção de que Bolsonaro deve permanecer no governo vem no mesmo momento em que o presidente passou a evitar atritos com a mídia, adversários e integrantes dos outros Poderes da República.

A pesquisa foi realizada de 20 a 22 de julho de 2020 pelo DataPoder360, divisão de estudos estatísticos do Poder360, por meio de ligações para celulares e telefones fixos.

Foram 2.500 entrevistas em 560 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O PoderData também mostra a percepção dos entrevistados por sexo, idade, escolaridade, região e renda.

Metade dos brasileiros percebe que a condução do país é ruim, diz especialista

Cientista político pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e especialista em marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Bruno Oliveira avalia os dados da pesquisa Poder360 como a constatação de que o presidente não soube conduzir o país da melhor maneira, sobretudo na pandemia, aos olhos da população.

“A divisão do país é muito forte, com metade opinando que o presidente não vem conduzindo a coisa da melhor forma.A condução da crise sanitária por Bolsonaro acabou influenciando a visão que as pessoas têm dele”, diz ele.

Bruno Oliveira recorda que, comparada ao mesmo período de mandato, a aprovação de Bolsonaro é pior que a dos seus antecessores FHC, Lula e Dilma, o que se deve à forma como administra o governo. “O presidente que no meio de uma pandemia não consegue manter um ministro da saúde e até agora está com ministro interino não passa incólume a um julgamento severo, sobretudo diante dos números gritantes da pandemia no país o no festival de barbeiragens e declarações estapafúrdias que deu durante o percurso até aqui. Claro que isso acaba refletindo nas pessoas”.

Improviso

É como se as pessoas tivessem a impressão de que o presidente governa de improviso, e há exemplos disso, quando Bolsonaro cria uma distância entre o discurso e a prática de governo.

“O presidente é muito bom de bravatas e frases polêmicas, sobrevive politicamente disso, administra nesse viés. E quando vai para a prática governamental, se complica. Para gerir um país como o Brasil, ou o presidente se cerca de pessoas técnicas que tenham condições de ajudá-lo em áreas sensíveis como a saúde, ou acontece o que estamos vendo: 100 mil mortes por Covid e o maior telejornal do país fazendo editorial chocante mostrando a nossa dura realidade”.

Eleições 2020

Para Bruno Oliveira, engana-se quem acha que o presidente será um grande cabo eleitoral nas eleições deste ano. “Começo a achar que ele não será um grande eleitor, porque me parece que há nessa aproximação dele com partidos do chamado centrão, um acordo tácito, um sentimento de que ele não se envolva com as eleições municipais, onde os partidos do centro conseguem ter maior êxito eleitoral na maio parte dos municípios, e esses partidos não irão querer ter influência do presidente em suas campanhas”.

Apesar disso, segundo Bruno Oliveira, deverão surgir muitas candidaturas surfando na onda bolsonarista. “Mas como ele mesmo já andou declarando, sua participação vai ser pequena. Até porque nas eleições municipais a discussão é local e não cabe ao presidente se envolver em assuntos como melhor proposta para tapar buraco de rua, remédio em posto de saúde, merenda escolar, etc. E não será porque o candidato está com bandeira de Bolsonaro que vai conseguir convencer o eleitor que é a melhor opção para sua cidade”.

Para o cientista político, nem o ex-presidente Lula, em seus tempos áureos, teve tamanha influência eleitoral nas eleições municipais, “imagine Bolsonaro que não tem essa aprovação toda”, frisou.

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