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Editorial
Memórias de Adriano
Redação
20/02/2020 | 00:10

A tentativa do presidente Bolsonaro de implicar o governador na Bahia, Rui Costa, na muito provável queima de arquivo do ex-capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro Adriano Nóbrega, por mais absurda que pareça sob vários ângulos em que se olhe, sugere uma conspiração.

Conta a seguinte história: Adriano localizado pelo núcleo de inteligência da polícia do Rio de Janeiro e morto pela polícia da Bahia, eliminou-se uma testemunha que as autoridades de segurança deveriam ter todo o interesse de manter íntegra, viva e respirando. Só que ela foi morta com tiros de fuzil à queima roupa, como revelou uma reportagem da revista Veja.

Como explicar que 70 homens não conseguiram capturar um alvo isolado, sem chance de fugir e, ao que consta, com muito medo de morrer, como lembraria mais tarde o próprio advogado de Adriano?

Por mais absurda que seja a presunção ligando o governador da Bahia ao caso, como sugere o presidente, Rui Costa deve ao menos ter a humildade de reconhecer que passaram por cima da autoridade de seu secretário de Segurança Pública para obter o resultado desastroso para alguns e desejado por outros.

Quem seriam os “outros” é o problema.

Portanto, se não há responsabilidade que ligue o governador Rui Costa ao caso – e não há mesmo -, existe por parte dele uma dose de omissão ou ignorância em relação a graus de influência dessa milícia em seu quintal.

E esta é a resposta que o governo da Bahia deve dar, sem se importar com as ilações do presidente, colocando as mortes de Adriano e do ex-prefeito Celso Daniel, ocorrida em janeiro de 2002, numa mesma e absurda conta: a do PT.

Há quem diga que as milícias organizadas dentro do aparelho de Estado brasileiro são hoje um problema até maior do que o narcotráfico justamente por usar uniforme e manter relações mais diretas com o poder institucional.

Nesse caso, a pergunta que não quer calar é: a quem interessaria a morte do capitão Adriano?

Não é todo o dia que um homem condecorado por um dos filhos do presidente da República é morto do reduto de um governador de oposição.

Mas aconteceu, e agora precisa de explicação.

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