BUSCAR
BUSCAR
Entrevista
Melhora no quadro da pandemia é resultado de “gestão”, afirma Fátima
Governadora do Rio Grande do Norte lista medidas adotadas pelo Estado durante a pandemia do novo coronavírus e celebra redução no ritmo de novos casos confirmados e óbitos provocados pela Covid-19. Segundo ela, Estado começa a colher os frutos do isolamento social
Redação
17/08/2020 | 06:59

A governadora Fátima Bezerra avalia que o Rio Grande do Norte está começando a “colher os frutos” das medidas restritivas adotadas pela gestão estadual para conter o avanço do novo coronavírus. Segundo Fátima, o Estado hoje vê a desaceleração no número de casos confirmados e óbitos pela Covid-19 por causa do distanciamento social e do esforço feito pelo governo para ampliar a rede assistencial.

Nesta entrevista ao Agora RN, Fátima detalha as ações do governo durante a pandemia de Covid-19 e afirma que o fato de ela ter ficado isolada em casa nos primeiros meses da crise sanitária não a impediu de conduzir o enfrentamento à doença.

A governadora diz ainda que, apesar das divergências com o prefeito de Natal, Álvaro Dias, quanto às medidas para enfrentar a Covid, seu governo sempre esteve à disposição do diálogo para traçar estratégias conjuntas com os municípios para lidar com a pandemia.

Sobre o momento político, Fátima voltou a criticar o Governo Federal pela falta de coordenação na pandemia e defendeu a formação de uma “frente ampla e plural” em defesa da democracia. Confira:

AGORA RN – A senhora tem mantido, na medida do possível, uma fidelidade em relação ao distanciamento social, inclusive agora, com a decisão de prorrogar a suspensão das aulas presenciais. O que a senhora diria aos críticos da medida?

FÁTIMA BEZERRA – O Brasil atingiu, semana passada, a infeliz marca dos 100 mil óbitos pela Covid. São mais de 3 milhões de casos confirmados e mais de 2 milhões suspeitos. Esses dados, por si só, revelam a tragédia que se abateu sobre nosso país e hoje, com um cenário menos desalentador, não temos dúvidas do quanto as medidas de isolamento foram imprescindíveis para o combate e controle da doença. Como governadora, fui a primeira a dar o exemplo. O fato de não sair às ruas não me impediu de trabalhar um segundo sequer. Ao lado do vice-governador, da Sesap e da nossa força-tarefa, viabilizamos os 567 leitos da rede de hospitais “Pacto pela Vida”, do Governo do Estado – proporcionalmente uma das maiores ampliações de rede do País; asseguramos a contratação de mais de 3.200 profissionais de
saúde para trabalharem nas unidades hospitalares do RN; tornamos possível com o RN+Protegido a distribuição de mais de cinco mil máscaras, junto com nossos parceiros, para a população do RN; e investimos em ações concretas na Saúde, somente no primeiro semestre deste ano, R$ 670 milhões – mais que o dobro do ano assado. Não foi fácil, em meio a uma conjuntura tão adversa – com a falta de uma estratégia nacional – enfrentarmos tantos desafios. Mas nós conseguimos, de um lado garantir a assistência à saúde e de outro sensibilizar as pessoas para as determinações de cuidados sanitários. Os frutos que nós estamos colhendo agora, com o Estado há semanas apresentando o quadro de melhoria, é resultado de gestão, trabalho e muita seriedade. Não só do Governo, mas de todos aqueles que estiveram e estão juntos nessa grande batalha: os Poderes, e aí
ressalto o importante papel os Ministérios Públicos no acompanhamento e fiscalização de todas as demandas; prefeituras; e sociedade em geral.

AGORA RN – E as escolas?

FB – Começamos a retomar as atividades da economia, mas setores, como o das escolas, ainda requerem muita cautela. Por isso mesmo, acatamos a recomendação do nosso comitê científico e prorrogamos por mais 30 dias a retomada das aulas. Até lá, a Sesap dará continuidade aos protocolos e continuará as análises com representantes das escolas públicas e particulares para avaliar o comportamento da pandemia do Estado. Ainda essa semana, os comitês gestor e científico se reunirão novamente para avaliar o quadro. Imagine que somente a rede pública conta atualmente com 216 mil alunos matriculados e o comitê entende que liberar as aulas agora seria colocar mais 1 milhão de pessoas à exposição do vírus.

AGORA RN – Não bastasse o fato de o Ministério da Saúde não ter dado diretrizes claras aos estados durante a atual crise sanitária, ao longo desta pandemia, a senhora tomou decisões em direção oposta às do prefeito de Natal, Álvaro Dias, e de outros prefeitos e prefeitas do Estado. Isso não prejudicou o combate ao vírus?

FB – O Governo criou a iniciativa que chamamos de “Pacto pela Vida” justamente para somarmos todos os esforços possíveis no combate à pandemia, sejam eles no âmbito das ações estruturais, sejam eles na conscientização e cuidados da população. Nós tivemos a parceria dos poderes, municípios e da sociedade em geral. Absolutamente todos foram convidados para as reuniões e discussões estratégicas. O tempo todo deixamos claro que a retórica negacionista do Governo Federal, no sentido de que não havia motivos para maiores preocupações e que a vida deveria seguir o percurso normal, não somente estava equivocada como era extremamente perigosa. A nossa narrativa sempre foi essa: ampliar a estrutura de leitos, sobretudo os críticos; conscientizar a população para o uso de máscaras e para somente sair de casa se necessário; ser transparente, muito transparente, com todas as medidas que estavam
sendo tomadas, tornando públicos todos os gastos realizados; e, posteriormente, no momento da abertura, dialogar com todos os
setores envolvidos.

Espero que Bolsonaro traga benefícios importantes ao Estado, diz governadora

AGORA RN – Como a senhora analisa o atual momento da pandemia no RN, que vê diminuição no ritmo de contágio e desaceleração no número de óbitos pela Covid-19? É possível falar em desmobilização de esforços quanto a leitos críticos, por exemplo?

FB – O RN apresenta no momento cenário de desaceleração de óbitos, mas precisamos de muita cautela porque ainda estamos apresentando taxas de incidência que variam nas regiões de saúde. O Plano Estadual de Contingência para o enfrentamento da Covid-19 segue em curso, conforme orientação de especialistas e pactuação com os poderes. Nos próximos
dias, vamos expandir a testagem da população para avaliar a prevalência da doença na população em idade produtiva que tem retomado as atividades laborais, o que poderá auxiliar no processo de tomada de decisão no tocante ao enfrentando da pandemia.

Agora RN– A senhora espera reaver os R$ 5 milhões que o Governo do RN antecipou para a compra dos respiradores junto ao Consórcio Nordeste?

FB – Se tem uma coisa que nosso governo se orgulha é de ser transparente em tudo o que faz. Esse foi mais um entre os processos, cuja documentação foi entregue em sua completude para análise dos órgãos de controle. Antes mesmo que nos pedissem. Foi revoltante o que aconteceu. Quando decidimos adquirir esses respiradores, estávamos numa situação de muita dificuldade porque havia uma completa escassez desses equipamentos no mercado mundial e as pessoas estavam morrendo porque um instrumento imprescindível para mantê-las vivas estava em falta. Não titubeamos em adquiri-los quando vimos aquela porta se abrir. Apelávamos por respiradores ao Governo Federal havia mais de um mês mas, até aquela data, nenhum sinal. Diante do calote constatado, ingressamos com todas as medidas judiciais cabíveis para que os recursos investidos retornem aos cofres do Estado. Infelizmente essa não é uma realidade somente do Rio Grande do Norte ou do Nordeste, é uma realidade para além do Brasil.

AGORA RN – Quando foi deputada e senadora, a senhora teve uma participação relevante no processo de expansão do IFRN. Como vê o atual momento da instituição, que está sob o comando de um reitor interino?

FB – O que há no IFRN é uma intervenção. É inaceitável isso e o que nós exigimos, ao invés de práticas ditatoriais como a que foi instaurada lá, é a continuidade do plano de expansão e fortalecimento da educação profissional no Brasil, no Nordeste e aqui no RN. É disso que a juventude precisa. Eu nunca pensei de, em pleno século XXI, testemunharmos um cenário tão deprimente, de completo desrespeito à democracia, à livre escolha e à independência da comunidade escolar. O IFRN escolheu o seu reitor, numa eleição soberana, como deve ser, mas essa escolha não foi
respeitada. Eu tenho um imenso carinho por aquela instituição, que
tem sido um verdadeiro espaço de inclusão e de oportunidades,
sobretudo para os jovens mais humildes, aqueles que em condições normais não teriam grandes chances nos ENEMs da vida. A
minha solidariedade com aquelas pessoas – estudantes, professores e
funcionários – é absoluta.

AGORA RN – O que a senhora espera da visita do presidente Jair Bolsonaro ao Nordeste (e especificamente ao RN nesta próxima semana) em plena pandemia?

FB – Eu espero que ele possa trazer benefícios importantes para o Estado, como garantir a chegada das águas do rio São Francisco, a construção do canal Apodi-Mossoró, a viabilização do projeto Seridó. Os governos Lula e Dilma deixaram o projeto de transposição 94% concluído e nós ainda estamos aguardando a finalização da obra. Especialmente no Rio Grande do
Norte, precisamos assegurar a construção do canal porque, sem ele, a população de toda a região Oeste ficará desassistida – e isso nós não podemos aceitar. Outra questão é o Aeroporto de São Gonçalo do
Amarante. Semana passada nós tivemos uma reunião com o ministro
Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, e eles nos garantiu que será dada a
solução da operacionalização da estrutura, já que a empresa concessionária comunicou que não pretende continuar no local. Também precisamos cobrar a conclusão das obras do PAC, como a da reta Tabajara, viadutos e a duplicação da BR-304.

AGORA RN – A senhora falou em obras de infraestrutura hídrica. Como está a questão de Oiticica? O governo vai devolver os 19 milhões solicitados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional?

FB – Eu quero primeiro deixar claro, como o próprio ofício do ministro enfatiza, que não há absolutamente nenhum tipo de irregularidade por parte do governo com relação aos recursos de Oiticica. O que ocorreu foi que a própria Justiça determinou a retirada dos valores da conta convênio sob a justificativa de bloqueios judiciais. Nosso governo, tão logo constatou
a movimentação na conta, impetrou ação de reclamação junto ao STF e conseguiu sanar o problema. Os bloqueios foram cessados e esses recursos, conforme consta no convênio, devem ser repostos até o final da obra. A Barragem de Oiticica é uma grande prioridade para nós. Desde que assumimos o Governo tivemos que corrigir muitos problemas que encontramos e um deles foi a obra social, que estava travada. Tivemos que fazer o distrato com o acompanhamento do MP e a participação do movimento de atingidos pela barragem e está aí, a obra, de vento em popa.
Estamos atentos e empenhados para que a obra seja concluída no
tempo previsto.

AGORA RN – A senhora anunciou obras rodoviárias também recentemente. Quais os prazos?

FB – Nós demos início, e esperamos concluir até o mês de novembro, a um grande investimento destinado à conservação e manutenção das nossas estradas. São R$ 17 milhões, através do Programa de Conservação de Rodovias Estaduais 2020, para a reforma de 90% da malha viária do Rio Grande do Norte. Infelizmente, a malha rodoviária que herdamos apresenta muita precariedade e nós temos a preocupação e dever de melhorar a infraestrutura da malha viária, tornando segura para as pessoas e também para o transporte, que é sinônimo de desenvolvimento econômico para o nosso estado. Nós também lançamos o edital de licitação para a execução da 2ª etapa da obra do Pró-Transporte. Essa é uma estrutura aguardada pela Zona Norte de Natal desde 2006. Para destravá-lo, criamos um grupo de trabalho para acompanhar e dar solução aos inúmeros problemas que paralisam obras como esta. Agora esperamos entregá-la, completa, até 2022, garantindo a melhoria da mobilidade urbana para a nossa querida Zona Norte, dando aos usuários e moradores a qualidade de vida que eles merecem. Além disso, nós temos as obras do Governo Cidadão, com algumas estradas em fase de conclusão agora no primeiro semestre e outras em andamento. Não podemos deixar de falar também, já que entramos na seara do Governo Cidadão, nas 40 escolas e
nos equipamentos culturais, como o Teatro Alberto Maranhão, EDTAM, Pinacoteca, entre outras, todas eles destravados e que serão entregues à população pelo nosso governo.

AGORA RN – Na semana passada, ao participar de uma live, a senhora defendeu a formação de uma “frente ampla” em defesa da democracia. O que isso significa? A senhora defende que o PT avalie a possibilidade de dividir o protagonismo da oposição com partidos como PDT, PCdoB e PSB?

FB – Uma coisa é a frente ampla em defesa da democracia, que precisa ser ampla, plural, porque ali estarão os partidos, instituições, movimentos sociais, cidadãos e cidadãs que têm compromisso com a defesa da democracia, especialmente em um contexto tumultuado como o que nós vivemos. Isso aí vai além de questões político-partidárias. Esse contexto é para além das diferenças de natureza ideológica, porque alcança todos aqueles que têm clareza da necessidade de defesa do estado democrático
de direito, que é fundado na liberdade de expressão. Outra coisa é a eleição e a disputa político-eleitoral, que é legítima e por meio da qual que cada partido certamente apresentará suas candidaturas e propostas.

AGORA RN – Na mesma live, a senhora disse que não estava preocupada com eleição. Qual será sua participação na candidatura de Jean Paul Prates à Prefeitura do Natal?

FB – É evidente que, diante de um contexto como o que estamos vivendo, de uma pandemia batendo na porta das pessoas, todas as minhas energias estavam – e ainda estão – voltadas para a assistência à saúde do povo do Rio Grande do Norte, bem como para as ações já em curso de preparação do pós-pandemia e a retomada do projeto de desenvolvimento, geração de emprego e renda. A questão das eleições está a cargo do meu partido, que está conversando com o PCdoB e várias outras legendas para a formação de alianças, seja para a disputa majoritária, seja para a proporcional. Claro que o PT estará presente em várias cidades do interior, disputando as eleições, inclusive com alianças com outros partidos – e a eleição de Natal é
muito importante, assim como a de Mossoró, Currais Novos, Apodi,
entre outras. A eleição do senador Jean Paul Prates, em Natal; da deputada Isolda Dantas, em Mossoró; e a reeleição do prefeito Odon Júnior, em Currais Novos, estão entre os projetos prioritários do nosso partido para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.