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Saúde
Medula óssea: falta de remédio coloca em risco a vida de potiguares
Descontinuidade na distribuição do medicamento Bussulfano foi notificada para junho de 2021 – remédio é fundamental para o transplante de medula óssea
Redação
07/01/2021 | 06:53

Os transplantes de medula óssea estão sob ameaça de não serem realizados no país em 2021. O bussulfano, um medicamento vital para a realização dos transplantes, vai parar de ser fornecido. O laboratório francês Pierre Fabre, único responsável por distribuir o remédio no Brasil, notificou à Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) sobre a suspensão da disponibilização do medicamento em junho de 2021.

Sem o medicamento, é impossível realizar o transplante de medula óssea, mesmo que o paciente já tenha um doador. O Rio Grande do Norte possui um pequeno estoque da medicação, mas não é suficiente nem mesmo para a demanda atual, segundo a enfermeira Anna Cecília Oliveira, do Hospital Rio Grande, única unidade habilitada para realizar o transplante.

“Ao longo do ano passado, realizamos 92 transplantes de medula óssea. Agora, temos uma fila de espera de aproximadamente 40 pacientes, e este número aumenta diariamente”, explicou a enfermeira. Para Rodolfo Soares, médico hematologista responsável pelo transplante, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisa agir rápido, pois a questão é de extrema urgência.

“É necessário um entendimento rápido entre a Anvisa e a empresa que produz o medicamento. Precisam compreender que a leucemia não respeita a morosidade dos trâmites burocráticos e vai começar a matar pessoas assim que faltar o medicamento”, afirmou o médico.

O transplante de medula óssea é o principal tratamento para pacientes acometidos por leucemia, um tipo de câncer que atinge os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo contra infecções, glóbulos vermelhos, que transportam o oxigênio dos pulmões para as células do corpo e plaquetas sanguíneas, que compõem o sistema de coagulação do sangue.

Para realizar o transplante, os pacientes necessitam, primeiramente, eliminar a medula óssea adoecida do corpo para receberem a medula óssea saudável do doador. Esse tratamento é feito com o medicamento Bussulfano.

O que diz a Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aponta que a descontinuação de fabricação do medicamento não tem a ver com pendências regulatórias, sendo uma “questão comercial”, relacionada ao Laboratório que distribui o produto nos estados brasileiros. O órgão acrescenta ainda que “não possui instrumento legal que impeça os laboratórios farmacêuticos de retirarem seus medicamentos do mercado”.

Porém, devido à relevância do medicamento, a Anvisa indica estar estudando medidas que possam facilitar o acesso e o abastecimento de produtos similares no Brasil. “Por exemplo, a possibilidade de via acelerada e prioritária para novos registros, importação facilitada, entre outras ações”, detalhou. O Ministério da Saúde diz que não foi notificado da decisão e declarou que o Instituto Nacional do Câncer, o Inca, tem estoques do medicamento para apenas mais três meses.

O presidente da SBTMO, Nelson Hamerschlak, aponta que a falta do bussulfano deve impactar grande parte dos transplantes do Brasil. “Provavelmente muitos pacientes poderão ter a sua evolução prejudicada em função da interrupção do fornecimento desse medicamento”, disse.

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