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Coronavírus
Médico contesta projeção de casos no RN: “Quem está imunizado protege os demais”
Geraldo Ferreira também disse que o sistema de saúde “sempre viveu colapsado”
Redação
13/04/2020 | 04:00

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN), Geraldo Ferreira, contestou as projeções divulgadas pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), segundo as quais o Rio Grande do Norte poderá ter mais de 11 mil mortes por causa do novo coronavírus e 2 milhões de infectados até meados de maio, em um cenário “otimista”.

A projeção considera que o percentual de isolamento continue na estimativa atual – cerca de 42% da população. “Não se levou em conta que, ao se ter metade da população contaminada, há uma imunidade natural da população. Esses estudos precisam ser rebatidos diante de uma realidade. À medida que infectados crescem, a transmissão fica menor, porque as pessoas vão ficando imune.

Esse crescimento não é geométrico permanentemente. Ela cai após 50% da população ser atingida, porque há imunidade coletiva, de rebanho. Quem está imunizado protege os demais”, explicou, durante reunião da comissão especial da Assembleia Legislativa que acompanha as ações de enfrentamento à pandemia no RN.

Geraldo Ferreira também disse que o sistema de saúde “sempre viveu colapsado”. “(A situação) está até melhor que antes da pandemia, em razão da suspensão de cirurgias eletivas e diminuição de acidentes provocada pela quarentena”, afirmou o médico, ressaltando que hospitais privados estariam vazios esperando pacientes.

Segundo a Sesap, o colapso no sistema de saúde pode ocorrer em 2 de maio, quando não haveria mais leitos disponíveis para atender pacientes com Covid-19 no RN.

O presidente do Sinmed-RN criticou, ainda, o investimento de R$ 37 milhões que o Governo do Estado pretende fazer em um hospital de campanha. O médico defende que os recursos sejam direcionados para a própria rede pública, como forma de garantir a implantação de leitos de UTIs que já existem, mas não estão funcionando, seja por falta de equipamentos ou de profissionais. A Sesap diz que já está fazendo isso.

“Estive em Macaíba, no Hospital. Macaíba vivia lotado. Hoje existem leitos disponíveis. A UTI de Macaíba tem 10 leitos com equipamentos e não foram colocados para funcionar. Precisamos aproveitar este momento para colocar o sistema público para funcionar”, afirmou Geraldo.

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