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Coronavírus
Máscaras caseiras de tecido não são a melhor opção para evitar contágio
Países da Europa estão reforçando exigências de máscaras de melhor qualidade para cidadãos em lugares públicos em razão de nova variante do vírus
Dandarah Filgueira
25/01/2021 | 07:53

Alguns países da Europa estão recomendando à população a não utilização de máscaras de tecido feitas em casa, devido à ineficiência da proteção contra a transmissão do coronavírus, sobretudo em face à nova mutação do vírus, B117, que é mais fácil de ser transmitida.

A Alemanha tornou obrigatório o uso de máscaras FFP2/N95 para todos os cidadãos em lugares como lojas, supermercados e transporte público, a partir desta terça-feira 19. A Áustria também tornou o modelo obrigatório à população, e o governo do país prometeu que as máscaras vão ser vendidas a preço de custo, e fornecidas gratuitamente para pessoas de baixa renda. A França alertou a população a abandonar as máscaras que não fossem industriais, devido à proteção insuficiente que oferecem, e utilizassem máscaras de melhor qualidade.

Segundo o perfil do Instagram “Qual Máscara?”, que divulga informações sobre proteção contra a Covid-19 com base em evidências, o modelo N95/FFP2 é o “tipo de máscara é a ideal, porque além de possuir camadas protetoras, veda bem, ou seja, não deixa ‘buracos’ abertos para o vírus entrar entre seu rosto e a máscara”.

A segunda melhor alternativa são as chamadas máscaras cirúrgicas, classificadas pelo ‘Qual Máscara?’ como “melhores opções do que as máscaras de pano, principalmente se tiverem uma haste de metal para moldar o nariz”. Elas não oferecem o mesmo nível de proteção de uma N95/FFP2, mas são boas opções mais em conta, precisam estar sempre bem ajustadas ao rosto, com o mínimo de “vazamento’’ de ar possível.

O físico e membro do Observatório Covid-19 BR, Vitor Mori, explicou nas redes sociais que, na verdade, os mecanismos de transmissão do vírus não mudaram, mas que as máscaras de tecido mais simples, geralmente feitas em casa, nunca foram um item de proteção individual eficaz.

“As máscaras de pano ou cirúrgicas funcionam como controle da fonte. Elas reduzem a quantidade de partículas potencialmente contaminadas por parte de quem está usando. Ela protege os outros de você, mas oferece proteção limitada a quem está usando. […] Se todos estiverem de máscara mas um infectado estiver sem, ou com máscara de má qualidade, ou desajustada, ele vai estar colocando todo mundo no ambiente em perigo”, pontuou o pesquisador.

Ele aponta, também, que a nova cepa do vírus é transmitida da mesma forma que a primeira variante: por meio de pequenas partículas suspensas no ar. Mas com um vírus mais transmissível, é necessário que se use máscaras melhores.

“Não é que a nova variante tem algo especial que passa pelas máscaras de pano. É que as máscaras de pano nunca foram para proteção individual. Com variantes mais transmissíveis é fundamental que se use máscaras melhores”, explicou Vitor.

Sobre as possibilidades envolvendo a nova cepa do vírus, de acordo com o cientista responsável por projeções físico-matemáticas sobre o vírus e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Dias do Nascimento, ainda se sabe pouco.

“Essa variante, na verdade, ainda não tem robustez estatística, a gente não tem ainda qual o percentual de casos que vem dessa variante, então como não existe esse dado, não tem como fazer projeção”, afirmou o cientista.
Com relação às máscaras, o pesquisador confirma a importância do item, independentemente da variante do vírus.

“É uma das grandes responsáveis pela contenção do vírus, porque diminui muito o poder de transmissão, dificulta a transmissão comunitária. Então a máscara é indispensável, super essencial, para qualquer variante, vai ter que ser usada até passar, inclusive a vacinação, porque as novas variantes não estão incluídas nessa vacina”, citou.

A reportagem questionou a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte (Sesap) sobre a possibilidade de investimento em máscaras de melhor qualidade para a população em geral, principalmente em caso de a nova mutação chegar ao Brasil.

A Sesap respondeu que “no momento, os protocolos seguidos são os recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério da Saúde, que indicam o distanciamento social e o uso de máscaras, que podem ser, inclusive, de tecido, para a população em geral. O Governo do Estado, até o mês de dezembro, realizou a distribuição de mais de 6,5 milhões de máscaras”.

No entanto, a recomendação da OMS é para que se use as chamadas máscaras industriais, que, mesmo sendo de tecido, são fabricadas de forma a filtrar 90% das partículas do ar, diferentemente das máscaras caseiras, utilizadas por boa parte da população.

De acordo com o “Qual Máscara?”, no caso de precisar utilizar uma máscara de pano, é importante escolher uma que tenha mais camadas, menos costura na frente e que se encaixe melhor no rosto, e descartá-las após 30 lavagens. As máscaras de tricô não são recomendadas de forma alguma, pois não protegem contra a Covid-19.

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