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Coluna
Marcelo Hollanda: O preço da liberdade é a eterna vigilância
Confira a coluna de Marcelo Hollanda deste sábado 17
Marcelo Hollanda
17/07/2021 | 07:24

Os longínquos anos de 1960/70, a ditadura militar orientava as escolas públicas a perfilar seus alunos no pátio para cantar o hino nacional antes de entrarem nas salas de aula, fizesse chuva ou sol.

Disciplinas como de Organização Social e Política Brasileira (OSPB), pelo Decreto Lei 869/68, tornaram-se obrigatórias no currículo escolar brasileiro a partir de 1969. Antes, era “Educação Moral e Cívica”.

Para um país de orientação autoritária, essas disciplinas substituíram matérias como Filosofia e Sociologia por entenderem os militares que elas estimulavam a subversão dos valores.

Nesse país de tanta religiosidade e apego aos valores morais, a violência de Estado extrapolava todos os limites e a tortura comia solta nas delegacias e nos quartéis contra os civis a quem os militares, em última análise, devem sua existência institucional.

Quem diria que esses valores voltariam a brotar hoje no Brasil e até no berço da democracia ocidental, os Estados Unidos da América.

Pelo menos é o que dá conta um livro que acaba de ser lançados pelos repórteres do “The Washington Post” Carol Leonnig e Philip Rucker, ganhadores do Prêmio Pulitzer,
Nele, a principal autoridade militar, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Mark Milley, aparece entre os homens preocupados do país com a possibilidade de um golpe por parte do então presidente Donald Trump e seus aliados.

O diligente trabalho dos jornalistas, que entrevistou centenas de fontes, afirma que Milley e outros membros do Estado-Maior discutiram a possibilidade de renunciar, um por um, toda vez que Trump desse alguma ordem ilegal, perigosa ou imprudente.

É assim que deve se comportar as Forças Armadas em uma democracia.
Não tem outra maneira, a menos que se queira voltar ao fundo de latrina que é a ditadura, a exemplo das que existem em Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, para ficar só nesses três exemplos.

Se um fanfarrão e delinquente que burlava o Imposto de Renda e construiu sua fortuna sobre negócios duvidosos desafiou a maior democracia do planeta, é sinal que nós aqui temos que parar de dormir e acordar.

Enquanto há tempo.

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