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Coluna
Marcelo Hollanda: Que venha o deputado Fortunato
Leia a coluna de Marcelo Hollanda da edição deste sábado 19 do Agora RN
Marcelo Hollanda
19/02/2022 | 10:36

No começo da televisão no Brasil e durante os anos seguintes o conteúdo, a estampa e a voz eram valores distintos, mas primordiais ao se associar à pessoa certa. Preferencialmente, uma voz marcante era o que importava para o rádio. Com a televisão, buscou-se uma estampa, o que nem sempre se conseguia. O conteúdo não interessava, mesmo depois do advento do teleponto, aquela geringonça acoplada às câmeras de vídeo onde corre o texto lido pelo apresentador.

Os redatores cuidavam do que dizer e até produziam brincadeiras no ar, até que o comunicar ganhou vida própria, personalidade, chamando para si influência pública e anunciantes. De bonecos estáticos em telejornais, sem o carisma do rádio com suas vinhetas empolgantes, o comunicador passou a interagir diretamente com o público, produzindo notáveis e péssimas experiências.

Nascia um monstrengo para o bem e para o mal. Uma espécie de ator que gesticula, grita, dá bronca, desafia seus desafetos, mas realmente caiu no gosto popular, razão pela qual se multiplicou como capim na chuva. Não raro, esses atores de noticiosos viraram políticos bem sucedidos, transformando seus horários em palanques reversos, beneficiando-se de uma caixa de ressonância que os mantêm em evidência.

Em comum, eles falam muito e sem a menor base sobre qualquer assunto, exercitando o punitivismo, defendendo mocinhos contra os bandidos, numa leitura da vida que os permite acessar bem mais do que os BOs das delegacias. Este lixo informativo, que se distanciou dos fundamentos mais primários do jornalismo profissional, é fonte de lucro e de prestígio raramente associados aos mais respeitados da profissão, embora mais ricos.

Pelo contrário: se o sujeito já foi um bom profissional no passado ele se torna irreconhecível quando cai no populismo do entretenimento informativo. E tem também, é claro, gente da melhor qualidade fazendo esses quadros. Que fique claro: como nenhuma profissão à rigor, o jornalismo está longe de ser um paraíso de santos e bem intencionados.

A história da imprensa do Brasil dos últimos dois séculos, especialmente no XX, é coisa para estômagos fortes. Com a porteira escancarada para a desinformação na era da internet, limitar a mentira é quase um dever cívico da democracia. Contudo, este freio precisa ser exercido pela iniciativa privada com o devido acompanhamento das instituições. Enquanto ainda dá para confiar nelas. A propósito, nossos agradecimentos ao deputado Fortunato tão bem personificado pelo ator e roteirista André Mattos, de Tropa de Elite.

ARAS, O ‘MOCO’. Já houve outros PGRs no passado que arquivaram investigações contra o governo de plantão, mas nenhum outro como Augusto Aras, um homem sabidamente descartado pelo presidente para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Então, o que acontece para tão notável desempenho (ou falta dele) pelo senhor Augusto Aras? É algo realmente intrigante e desafiador de entender.

BOAS RELAÇÕES. Muitas redações do passado tiveram notáveis repórteres de polícia. A certa altura dos acontecimentos e na intenção de evitar que fossem cooptados, transformando-se em policiais jornalistas, a chefias de redação passaram a tornar temporários esses setoristas. Só que ao jogar novatos nas delegacias, as informações minguavam subitamente, patrocinando a volta do mais experiente e rodado. Até hoje é assim.

PENA BRANCA. Octávio Ribeiro, o Pena Branca, apelido em homenagem à mecha de cabelo branco que apareceu no alto da testa quando ainda era jovem, foi um jornalista pernambucano que virou nome de Rua em São Paulo e em torno do qual pairam histórias fantásticas. Morto em 1984 de câncer, fato é que seu trânsito entre policiais e bandidos renderam-lhe grandes furos de reportagem. Num tempo de jornalismo romântico, Octávio virou um personagem em vida, o que não impediu sua militância comunista num país devastado pela ditadura.

NOVA PERSONA. Definitivamente, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, está em campanha ao governo de São Paulo e, para melhorar seu desempenho, adotou o estilo Jair Bolsonaro de ser. Durante encontro com investidores esta semana, falou mal de gestões petistas, até a da qual ele fez parte; xingou os adversários e afirmou que corrupto tem é de ir para o inferno.

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