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Coluna
Marcelo Hollanda: Mata pela honra e é absolvida
Confira a coluna de Marcelo Hollanda deste sábado 22 de janeiro
Marcelo Hollanda
22/01/2022 | 09:30

Em tempos de tantos feminicídios e lembranças de julgamentos nos quais homens saíram impunes dos tribunais depois de alegarem defesa da honra ao matarem suas mulheres, uma tragédia ocorrida há mais de 90 anos faz pensar. Era uma tarde quente de 26 de dezembro de 1929 no Rio de Janeiro, quando a escritora Sylvia Serafim Thibau, uma espécie de socialite da época, entrou furiosa na redação do jornal “Crítica” perguntado por Mário Rodrigues, dono do folhetim e redator-chefe.

Ninguém poderia imaginar que uma mulher magra, metida dentro de um vestido de cintura baixa verde-água, chapéu cloche e sapatos de saltinho marfim no mesmo tom, sairia de lá presa em flagrante depois de dar dois tiros com um insignificante 22 na barriga do filho do dono do jornal, Roberto, de apenas 23 anos.

Ele foi o autor de um desenho publicado na primeira página que maculou a honra da mulher. Roberto, irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues, era o responsável pelas ilustrações do “Crítica” e morreu três dias depois no hospital. Sylvia, na época com 27 anos, vivia uma ruidosa e incomum separação do marido e foi para o jornal decidida a matar alguém. Na falta do pai foi um dos filhos.

Rendida pelo repórter de polícia Garcia de Almeida, Sylvia teria dito com a maior frieza do mundo: “Vim para matar o Mário, matei o filho. Estou satisfeita”. Destroçado, Mário Rodrigues morreu de trombose cerebral três meses depois da tragédia. E, como era de se esperar, o julgamento de Sylvia foi marcado por uma dura campanha feita pelo jornal. Foi o primeiro julgamento da história do Brasil transmitido ao vivo pelo rádio. No fim, Sylvia foi absolvida pela tese da defesa da honra, que a fez perder o controle após ter sido caluniada e difamada pelo jornal.

Foi uma exceção histórica à regra e bastante discutível também, como a maioria das sentenças nesse tipo de caso. Até hoje não se sabe se o resultado foi fruto da conduta sensacionalista do jornal, que despertava forte antipatia de muitos; se foi pela posição social da ré ou se lavar a honra com sangue já era uma a tese unisex válida para quem podia pagar bons advogados.

Seja como for, o assunto volta e meia é lembrado por envolver a família de Nelson Rodrigues, um dos grandes nomes na crônica e da dramaturgia nacional. Foi tema de um famoso programa policial chamado “Linha Direta”, da Rede Globo, descontinuado pela emissora no início de 2008, sob protesto de várias entidades ligadas aos Direitos Humanos. A história de uma mulher que matou um homem na defesa da honra em 1929 e foi absolvida. Em tempo, Sylvia suicidou-se em 1936 depois de ser abandonada por um tenente-aviador pelo qual se apaixonou. Mata pela honra e é absolvida

O VELHO SÁBIO. O ator Lima Duarte é um homem velho e, como todo homem velho que soube envelhecer, é generoso. Parceiro de Regina Duarte em “Roque Santeiro”, em 1985, ele publicou esta semana um vídeo em seu Instagram, com um carinhoso recado para a colega de trabalho. Primeiro, lembrou os bons tempos de par romântico com Regina. Depois, foi para o que interessava: a curiosa relação dela com o presidente Jair Bolsonaro. “Deus, tira a mão daí, meu Pai. Tira a mão daí. Tanta sujeira na mão”, disse o ator de 91 anos, tendo a seguinte legenda no vídeo: “Minha querida viúva Porcina. Trabalhamos por tanto tempo juntos e vivemos momentos tão gloriosos. São dessas lembranças boas que eu quero me recordar de você!”.

SACO CHEIO. Eleito na onda do Bolsonarismo, como muitos outros, o ex-ator pornô Alexandre Frota não quer mais saber de Brasília e da Câmara Federal para a qual não deverá mais se candidatar. “Estou de saco cheio”, declarou esta semana. O problema é que agora ele pensa em voos mais modestos, mas preocupantes, pois voltou a atenção para a Assembléia ou a prefeitura do Rio no futuro próximo. Assembléia vá lá, mas prefeitura…

FÁBIO 22. Querendo muito dar um novo passo na vida política depois da era Bolsonaro, o ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD), não tem o menor pudor (a exemplo do seu principal adversário a uma vaga no Senado, Rogério Marinho), de privilegiar seu reduto eleitoral. Fábio escolheu as 23 estações de trem que ligam Natal à região metropolitana para instalar pontos de acesso à internet do projeto Wi-fi Brasil. Não existe nada parecido no Brasil para instalação do programa.

ROGÉRIO 22. Já o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, direcionou R$ 1,4 milhão do chamado orçamento secreto para a obra de um mirante turístico vizinho a um terreno onde construirá um condomínio privado no município de Monte das Gameleiras, no agreste do RN. Isso é apetite.

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