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Coluna
Marcelo Hollanda: Ideia de que democracia brasileira está sendo minada pela ferrugem lembra a Venezuela
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira 8
Marcelo Hollanda
08/06/2021 | 09:21

Onipotentes
Durante o período da ditadura, quando o bipartidarismo dava ao mundo uma satisfação de que o Brasil não era uma China comunista, Brasília se metia em tudo. Não havia um cargo federal no caixa prego para o qual não houvesse uma recomendação dos militares ou pelo menos a aquiescência deles.

Oniscientes
Isso, bem entendido, em se tratando do mundo civil. Tanto, que os censores encarregados, como o próprio nome sugere, de censurar publicações ou produções artísticas, eram pequenos imperadores na terra. Eles mandavam e desmandavam em tudo com sua visão extremamente sofisticada da produção artística e cultural.

Mário Henrique
Os militares se metiam também na economia com o mesmo desprezo que nutriam pelas formas outras de inteligência nessa matéria. E às vezes até acertavam como aconteceu na escolha do civil Mário Henrique Simonsen para Ministro da Fazenda no governo Ernesto Geisel e do Planejamento em parte do governo João Figueiredo.

“Otoridades”
Abaixo desses cargos no primeiro escalão e de funções outras como as desempenhadas pelos censores, fossem eles militares ou civis, havia também as “otoridades”, que eram muitas e estavam espalhadas pelos extratos mais variados do regime, fossem civis ou militares.

Meganha
Desde o “meganha”, soldado de polícia, a qualquer outro que portasse uma arma, distintivo e autorização do regime para descer o cacete, os militares demoraram décadas para fincar uma reputação no seio da sociedade civil. Isso acabou em pouco mais de dois anos de governo Bolsonaro.

Ferrugem
A ideia de que a democracia brasileira está sendo minada como a lataria de um carro pela ferrugem, de dentro para fora, corrobora exatamente o que ocorreu na Venezuela de Chávez, que atraiu apoios à custa de dinheiro, poder e influência. Esse é ponto de convergência entre a extrema esquerda de Chávez e a extrema direita de Bolsonaro.

Só faltava
Só faltava o governo se meter na escolha do técnico da seleção brasileira de futebol para que as suspeitas se materializassem, evocando o bolor do tempo que já parecia sepultado.

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