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Pandemia
Com hospitais lotados e escalada da Covid-19, dobra o número de mortes em casa em Manaus
Cresce a demanda por serviços como UTI domiciliar, cilindros de oxigênio e acompanhamento de profissionais de saúde
Folha de S.Paulo
06/01/2021 | 19:02

A escalada de novos casos da Covid-19 em Manaus fez crescer o número de pessoas que morreram em casa, muitas delas sem assistência médica.

Em dezembro foram pelo menos 213 óbitos em domicílio, o que inclui casos de Covid-19 e de outras doenças. Os dados são da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana e Serviços Públicos, que administra os cemitérios da cidade.

As mortes são direta e indiretamente ligadas à pandemia, segundo a FVS-AM (Fundação de Vigilância Sanitária do Amazonas). Inclui tanto as pessoas que morreram por Covid-19 quanto as pessoas que morreram por outras doenças por não terem conseguido atendimento hospitalar.

A capital do Amazonas está com a rede privada de saúde saturada, com ocupação de 94% dos leitos para Covid-19, e filas de pacientes aguardando vagas em leitos de UTI nos hospitais da rede pública, que registrou ocupação de 92% nesta segunda-feira 4. Sete dos 11 hospitais particulares da capital anunciaram que chegaram à lotação máxima.

Os registros diários de mortes em casa começaram a aumentar depois do Natal. Nos três primeiros dias contabilizados de 2021 (2 a 4 de janeiro) foram 33 mortes em domicílio, média de 11 por dia, quase o dobro da média diária do mês de dezembro, que já tinha registrado aumento em relação a novembro.

No pico da pandemia no Amazonas, em maio de 2020, foram registradas 401 mortes em domicílio, média de 13 por dia, segundo a Prefeitura de Manaus.

Para a presidente da FVS-AM, Rosemary Pinto, o aumento do número de mortes em domicílio se atribui também ao fato de muitas pessoas deixarem de procurar os hospitais por conta da superlotação e do medo de contrair o novo coronavírus.

“Houve um aumento de sepultamentos de pessoas que faleceram em casa e de portadores de doenças crônicas que estão com receio de buscar a rede de saúde por causa do atendimento de Covid-19. É importante que quem tem doença crônica, como hipertensão, diabetes, cardiopatia ou algum tipo de câncer, não pare seu tratamento nem o acompanhamento médico”, alertou Rosemary.

A falta de leitos nos hospitais também provocou um aumento de demanda por outro serviço: o de atendimento médico domiciliar para pacientes com Covid-19, que inclui consultas e sessões de fisioterapia, montagem de uma UTI domiciliar, disponibilização de cilindros de oxigênio e acompanhamento diário de profissionais de saúde. Os serviços chegam a custar mais de R$ 50 mil.

O serviço particular é voltado a pacientes com sintomas de leves a graves que não encontram vaga nos hospitais e também àqueles que já tiveram a doença e ficaram com sequelas mas não querem continuar o tratamento nas unidades de saúde por receio de uma nova contaminação. A demanda por esse tipo de serviço dobrou nos últimos 15 dias.

É o que conta a fisioterapeuta Leigiane Cardoso, 30, que atua no combate à Covid-19 em um hospital particular seis dias por semana e, nas horas livres, atende pacientes em domicílio. “A demanda aumentou em 100% por causa da falta de vagas nas duas redes [pública e privada]. A maioria dos pacientes são idosos que precisam evitar que o quadro se agrave”, relatou a fisioterapeuta.

Essa também foi a alternativa encontrada por uma médica para garantir assistência à mãe dela, de 79 anos, diagnosticada com Covid-19 no último dia 30. Com medo da superlotação dos hospitais, ela contratou uma empresa de cuidados médicos domiciliares.

“Enquanto puder, vou evitar levar minha mãe para o hospital porque sei do caos que estamos vivendo lá. É arrasador pensar que é uma sorte a nossa, que temos recursos para custear esse tratamento em casa, e que a maioria pode morrer sem assistência adequada”, diz a profissional de saúde.

Ainda há os pacientes que morrem ou têm o quadro agravado em casa à espera de uma ambulância do Samu. Motoristas relatam que a demora nos resgates acontece porque as ambulâncias ficam presas nas unidades de saúde, que retêm equipamentos como macas e cilindros de oxigênio, impedindo novas remoções de pacientes.

Segundo a Prefeitura de Manaus, o número de pedidos de socorro relacionados à Covid-19 já corresponde a mais de 40% das chamadas feitas ao serviço, e o crescimento da demanda deve aumentar ainda mais essa espera, alertou o diretor do Samu, Ruy Abrahim. “Tendo condição, leve o paciente a uma unidade de saúde. Não fique esperando a ambulância, porque ela vai demorar”, afirma.

Nos hospitais, a demanda segue crescendo por atendimentos nas tendas de triagem montadas em frente aos hospitais de referência, que passaram a contar com profissionais de saúde do Corpo de Bombeiros. É uma forma de liberar os profissionais de saúde da rede pública para voltarem a atuar dentro dos hospitais. Do lado de fora, os contêineres instalados para armazenar corpos de vítimas da Covid-19 também têm movimento intenso das funerárias.

Segundo a SES-AM (Secretaria de Saúde do Amazonas), os hospitais da rede estadual estão sendo adaptados para atender a essa maior procura por leitos. Nos últimos dez dias foram abertos 400 novos leitos para Covid-19 e novos leitos devem ser abertos nos próximos dias, com a contratação de mais profissionais de saúde.

O governo do estado anunciou que as empresas médicas doaram 500 plantões para os hospitais de referência no mês de janeiro, que serão cumpridos por médicos que já fazem parte da rede, mas de forma voluntária, nos horários de folga.

Sobre a denúncia dos motoristas do Samu, a SES-AM informou que está reforçando a oferta de equipamentos nas unidades de saúde para evitar as retenções.

Nesta terça 5 o governo do Amazonas anunciou um pacote de medidas com incentivos e benefícios fiscais que serão concedidos aos setores produtivos micro e pequenas empresas e profissionais liberais, como isenções de impostos, empréstimos e renegociações de dívidas.

Com alerta roxo e nível “muito alto” de contaminação, a mais grave classificação desde o início da pandemia, Manaus está sob efeito de um decreto que restringiu as atividades não essenciais até o dia 17 de janeiro.

Flutuantes, bares, casas noturnas e o acesso a praias e balneários estão proibidos, assim como qualquer tipo de evento. O comércio em geral não pode abrir, com exceção dos shoppings, que podem operar em sistema de drive-thru, e dos restaurantes, que podem funcionar para delivery.

Podem funcionar serviços essenciais como farmácias, supermercados, padarias, oficinas mecânicas, lojas de materiais de construção, açougues e distribuidoras de água e gás.

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