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Editorial
Mais Brasil, menos Brasília
Redação
17/04/2020 | 00:05

Dar voltas e não sair do mesmo lugar é uma especialidade de muitos governos.

Antes que a pandemia se instalasse no mundo e levasse potências como os EUA do pleno emprego aos atuais 20 milhões de desempregados em questão de semanas, havia uma lógica inabalável em muitas coisas, mas que foi abalada.

No Brasil, foi diferente.

Estávamos muito longe do pleno emprego e a situação já andava muito difícil quando a pandemia nos atingiu de frente.

A duras penas, e não por interferência direta do governo, fez-se uma reforma da Previdência com o objetivo de economizar R$ 800 bilhões em 10 anos.

Pois tudo isso acabou de evaporar em semanas e caminhamos agora para um déficit já estimado em R$ 1 trilhão.

Não há mais tempo e nem condições de encontrar ou punir os culpados. Não há tampouco condições que nos levem por estradas mais seguras, a menos que alguma união reste desse ambiente de terra arrasada com o qual nos confrontamos.

Nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro fez o que achou certo e trocou o ministro da Saúde. Deu uma volta no meio da pandemia e vai parar no mesmo lugar. Porque não há mais nada a fazer que traga de volta o que já foi perdido.

O substituto daquele que saiu sabe – e até disse isso – que não existe diferença entre vidas humanas e economia. Porque no Brasil, ambos – vida e economia – já andavam bem mal. E não por obra e graça deste presidente, mas por obra e graça de um modelo capenga há muitos e muitos anos.

O movimento de troca de um ministro por outro de Bolsonaro, portanto, foi tão somente político e não significa necessariamente que vá mudar substancialmente a estratégia do Ministério da Saúde quando os hospitais estiverem colapsados e uma pedra na vesícula não puder mais ser tratada. Basta olhar para o que acontece com os EUA para ver que isso é verdade.

A ideia de fazer uma economia forte e manter a vida dos brasileiros nunca será alcançada porque nunca esteve na perspectiva de um país que sempre vilipendiou seu sistema público de saúde por interesses políticos menores.

Agora que a tragédia se instalou, quem sabe, os poderes todos da República não comecem a pensar em se unir, mesmo que o atual poder central não tenha com eles o diálogo tão necessário em tempos de crise.

Que o Congresso e o Judiciário, como os governadores e prefeitos de milhares de municípios, e empresários de todos os tamanhos e as entidades civis e públicas repensem seus papéis tão cônscios em relação a seus próprios interesses.

Mais Brasil e menos Brasília.

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