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Audiovisual
Luz, câmera, emoção!
Sensibilidade do potiguar Davi Revoredo faz com que sentimentos e vivências sejam transformados em filme
Júnior Lins
02/07/2020 | 01:04

“Emoção”. Esta é a palavra que define o cinema para o potiguar Davi Revoredo, de 25 anos. A habilidade de transformar sentimentos, vidas e ideias em filme é parte do cotidiano do jovem, que optou pela carreira das produções cinematográficas.

Identificado como um “realizador”, Davi já foi premiado no Festival de Filmes Curtíssimos de Brasília, e no Festival Poca Zoi, da Bahia, e teve uma de suas obras contemplada com um prêmio de melhor atuação no festival local Cine Verão. Os prêmios foram para os filmes “Moveser” e “Distorção”.

O jovem conta que, sem perceber, sempre teve admiração pelas produções audiovisuais, mas só teve sua primeira interação com a arte no ensino médio e, nesta ocasião, descobriu seu real interesse enquanto realizador.

“Sempre admirei o audiovisual, mesmo antes de produzi-lo. Gostava muito dos desenhos animados e dos videoclipes. Me chamava atenção a criatividade contida neles e também a liberdade de se fazer o que quiser, sem muitas regras. Um dia, no ensino médio, um professor pediu para fazer um videoclipe. Não lembro qual era a proposta, mas eu ignorei e fiz um clipe para minha música favorita da época, do jeito que eu queria. Hoje, morro de vergonha desse clipe, mas na época todo mundo elogiou. Foi naquele momento que comecei a gostar de produzir”, contou.

A liberdade é o que inspira Davi. Seus filmes variam entre histórias de pessoas que já conheceu e “inquietações” da sua cabeça, com personagens fictícios. Seu jeito observador fez com que o cotidiano fosse transformado em obras cinematográficas.

O potiguar relaciona o cinema com a geografia. De acordo com Revoredo, associar um lugar e um personagem, aliado à história, é a “fórmula mágica” para fazer o bom filme acontecer.

“O cinema precisa muito entender o espaço. Quando você liga a câmera, ela captura um determinado tempo e um lugar. Os filmes que compreendem isso contam histórias muito poderosas, com personagens únicos. Eu escuto muito as histórias que as pessoas contam sobre si mesmas, que vivem no mundo real, onde as histórias estão realmente acontecendo”, explicou.

Obstáculos

Apesar do afeto e do interesse, o jovem sofre com a baixa valorização do cinema nacional e local. A falta de investimentos e capacitação de profissionais na área técnica são fatores que interferem nas produções de qualidade. Davi relata que o apoio governamental é essencial, caso o país queira se consolidar como uma potência cinematográfica.

“Precisamos capacitar técnicos e artistas, fomentar a produção com incentivos financeiros e distribuir os filmes para o público. Não tem erro, qualquer cinema desenvolvido no mundo se construiu em cima desses pilares. O apoio governamental é essencial, não só para o cinema como em qualquer área da economia. É um erro olhar para a poderosíssima Hollywood hoje, e achar que ela se solidificou assim do nada, o governo dos Estados Unidos investiu pesado na indústria cultural desde seu início, até a guerra fria. E hoje ainda existem incentivos de governos locais que dão facilidades (tax credit, por exemplo) para uso de locações e programas que estimulam o incentivo fiscal para que empresas doem dinheiro para produções artísticas”, relatou.

Sinais Vermelhos

Davi Revoredo tem trabalhado na sua nova obra, Sinais Vermelhos – um documentário que conta a história de Vânia Maria, uma atriz potiguar que convive há mais de 20 anos com o vírus HIV.

“É uma história poética de autoconfiança e superação de um estigma. Esse filme ainda está na fase de captação de recursos e estamos recebendo doações de quem quiser contribuir com o projeto. É só nos procurar por @sinaisvermelhos no Instagram ou Facebook. Nossas filmagens estão paradas atualmente por ser muito perigoso, devido ao contágio do coronavírus, mas assim que for seguro novamente, voltaremos ao trabalho”, narrou.

Com o sonho de um dia chegar ao cenário internacional, Davi segue exibindo suas ideias e pensamentos nas telas do Brasil. O jovem continua, mesmo nas dificuldades, usufruindo da luz das suas ideias, captando-as em câmeras e gerando a emoção do público que o assiste.

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