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Opinião
Lula sobe o tom contra Jair Bolsonaro e pede para presidente ouvir a ciência
Ex-presidente afirmou ainda que o governo federal deveria se esforçar em comprar as vacinas e imunizar toda a população antes de falar em retomada da economia

02/04/2021 | 09:38

Em entrevista exclusiva ao âncora do programa O É da Coisa, Reinaldo Azevedo, nesta quinta-feira 1, Luiz Inácio Lula da Silva foi indagado sobre a disputa presidencial do ano que vem. Lula afirmou que não precisa, necessariamente, ser candidato, mas que não queria tratar desse assunto agora. Segundo ele, 2021 é ano de falar na pandemia e em como superá-la; o tema eleições fica para o ano que vem. Apesar dessa resposta, ele fez acenos ao centro e à esquerda durante a conversa com o âncora da BandNews FM.

Após o manifesto de seis presidenciáveis, entre eles, Ciro Gomes e João Doria, o ex-presidente disse que, ‘se preciso’, vai ‘chegar no centro’. O petista criticou ainda os signatários desse documento que, segundo ele, não apoiaram Fernando Haddad em 2018 e ajudaram a fazer com que o país chegasse aonde chegou.

Em vários momentos, Lula subiu o tom contra Jair Bolsonaro, revelou que nunca conversou com o presidente e pediu que ele siga a ciência e ouça as pessoas que estudam o assunto: “Espero que o Bolsonaro esteja assistindo essa entrevista porque queria mandar um recado para ele: ‘Deixe de ser ignorante, presidente. […] Feche a boca, Bolsonaro. Se for para continuar falando bobagem, melhor não falar. Ouça a ciência’”.

O ex-presidente afirmou ainda que o governo federal deveria se esforçar em comprar as vacinas e imunizar toda a população antes de falar em retomada da economia. Ele acrescentou que o auxílio emergencial deveria ser de R$ 600 e defendeu um programa de ajuda aos empresários. “Temos que garantir o auxílio emergencial para o povo conseguir ficar em casa e se proteger, e para os micro e pequenos empresários que precisam sobreviver”.

Para Lula, “um governo só consegue governar se tiver duas características: credibilidade e previsibilidade”. Ele lembrou ainda que pediu, em entrevistas a veículos internacionais, ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao presidente da França, Emmanuel Macron, e à chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que se reunissem para discutir a crise da Covid-19. Nesse momento, voltou a criticar o atual presidente da República, pois, segundo Lula, “temos um presidente que não consegue falar com nenhum outro”. Para o petista, o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, representa bem esse governo: “bruto e ignorante”.

Provocado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, Lula evitou falar em privatizações, mas admitiu que algumas estatais virem empresas de economia mista, como Furnas, a Eletrobras e a Caixa Econômica Federal. “Eu sou contra governo empresarial. Sou favorável a um governo que seja indutor do processo de desenvolvimento”, declarou.

Nessa parte da entrevista, o âncora lembrou que parte do mercado elogiou o governo Lula e que não seria necessária uma nova “carta ao povo brasileiro agora”. Lula, por sua vez, elevou o tom contra o mercado e indagou: “Quem é esse tal de mercado? Ele está preocupado com quem dorme na rua em São Paulo? […] A coisa mais importante que oferecemos aos empresários foi mercado. O povo podia comprar. […] O mercado, se tivesse juízo, ia para Aparecida do Norte fazer promessa para eu voltar”.

Ao falar sobre empresários, Lula também fez questão de agradecer ao presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, João Carlos Saad, que, segundo ele, foi um dos únicos a defender o combate à corrupção sem destruir as empresas. Para o petista, mais do que atrapalhar os empresários, a Lava Jato fez com que quatro milhões de empregos fossem perdidos.

Questionado, por fim, sobre os dias na prisão, Lula disse que tinha como foco provar sua inocência e acrescentou: “Hoje posso dizer que a Lava Jato desapareceu da minha vida. Eu durmo tranquilo e sei que eles não dormem”.

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