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Articulação
Lula e FH assinam nota conjunta em defesa da Argentina e contra proposta de Paulo Guedes para o Mercosul
Ex-presidentes afirmam que 'não é o momento para reduções tarifárias unilaterais' no bloco, o que contraria as ambições do governo Bolsonaro
Redação
05/06/2021 | 14:51

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso estão juntos outra vez. Agora, em defesa do presidente argentino, Alberto Fernández, que resiste às pressões do governo brasileiro para reduzir de maneira drástica a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, usada pelo bloco para importações de terceiros países.

Quase um mês após se reunirem na casa do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim para discutir o estado da democracia brasileira, os dois ex-presidentes soltaram uma nota conjunta em apoio ao país vizinho e contra proposta do ministro brasileiro Paulo Guedes. “Este não é o momento para reduções tarifárias unilaterais por parte do Mercosul, sem nenhum benefício em favor das exportações do bloco”, afirma a nota.

Como revelou O GLOBO na semana passada, o embaixador argentino no Brasil, Daniel Scioli, dedicou as últimas semanas a recolher apoio à posição argentina na disputa, incluindo em sua agenda encontros com os ex-presidentes Lula, Fernando Henrique e José Sarney.

O que está em jogo é uma decisão a ser tomada na próxima reunião de ministros da Economia e Relações Exteriores do bloco, prevista para ocorrer no dia 8 de junho, nesta semana próxima.

O ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, defende a diminuir em 10% a Tarifa Externa Comum (TEC) e maior flexibilidade para que os países membros negociem acordos bilaterais individualmente. Fernández, no entanto, insiste que a redução da tarifa seja inferior ao percentual sugerido pelo governo brasileiro e que incida somente sobre bens intermediários, e não sobre produtos finais.

Segundo o governo argentino, as propostas de Guedes colocariam em risco a indústria argentina, uma vez que, com a diminuição da TEC acirraria a competição entre as importações e a produção local. O governo brasileiro, por sua vez, acusou o país vizinho de pouca ambição e protecionismo.

Em paralelo, o governo argentino fez uma nova proposta, ainda informal, sobre a reforma da TEC: a Argentina aceitaria que o Brasil fizesse uma redução de 10% agora, e se comprometesse a baixar 10% da TEC de 75% de suas posições tarifárias em janeiro de 2022. Mas a proposta não fala num segundo corte de 10%, algo considerado essencial pela equipe econômica brasileira.

Dentro do Mercosul, o governo brasileiro tem o apoio do Uruguai, há anos defensor de uma abertura e da liberdade de negociar acordos individualmente. Na última cúpula de presidentes do bloco, o presidente da Argentina disse a seu colega uruguaio, Luis Lacalle Pou, que, se não estiver satisfeito, desça do barco.

Na carta deste sábado, o petista e o tucano reafirmam que “é necessário manter a integridade do bloco, para que todos os seus membros desenvolvam plenamente suas capacidades industriais e tecnológicas e participem de modo dinâmico e criativo da economia mundial contemporânea.”

Leia na íntegra a nota de Lula e FHC em apoio ao presidente argentino Alberto Fernández:

“Concordamos com a posição do presidente da Argentina, Alberto Fernández, de que este não é o momento para reduções tarifárias unilaterais por parte do Mercosul, sem nenhum benefício em favor das exportações do bloco. Concordamos também que é necessário manter a integridade do bloco, para que todos os seus membros desenvolvam plenamente suas capacidades industriais e tecnológicas e participem de modo dinâmico e criativo da economia mundial contemporânea.”

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