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Eleições 2020
Lucena propõe “hospital de retaguarda” no pós-pandemia
Vereador Fernando Lucena (PT) busca a renovação do mandato prestando contas do trabalho realizado e apresentando projetos para o futuro da saúde pública. Ele defende que o Hospital Municipal de Campanha, aberto em um hotel da Via Costeira, durante a pandemia de Covid-19, sirva como retaguarda para quem vai fazer cirurgia
Redação
04/11/2020 | 05:29

No quarto mandato como vereador de Natal, Fernando Lucena (PT) tem uma atuação marcada pela militância no campo da esquerda e por ser “terrivelmente anti-Bolsonaro”, como ele mesmo define.

Natural de Campina Grande, na Paraíba, o parlamentar começou a carreira política no movimento estudantil. Foi presidente de grêmio e diretor da Casa do Estudante de Caicó, além de ter participado da reconstrução da UNE, em 1979.

A carreira na administração pública foi iniciada em 1986 com o ingresso na Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana). No órgão, Lucena foi comprometido com a luta dos trabalhadores assalariados. Ele ajudou a fundar a Associação dos Serviços Urbanos, que depois se tornou o Sindicato dos Trabalhadores de Conservação e Limpeza do Estado.

Atualmente, o vereador é presidente da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Câmara Municipal de Natal – estando no cargo há 8 anos. “Nossa principal obrigação é fiscalizar os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), oriundos tanto do poder municipal quanto dos poderes estadual e federal”, relatou, em entrevista ao Agora RN.

“Ainda temos problemas que precisam de solução. Por exemplo, Natal tem uma empresa só para recolher medicamentos vencidos e outra para incinerá-los. Isso é uma afronta à saúde pública. Temos um cemitério de ambulâncias do Samu Metropolitano: são 14 veículos seminovos parados. A Maternidade Felipe Camarão, referência no parto humanizado, está fechada desde 2018. São lutas que precisam de enfrentamento e seguiremos buscando respostas no próximo mandato”, afirmou.

Saúde

O grande projeto de Lucena para o próximo mandato é a criação de um “hospital de retaguarda”, que teria como função principal acelerar o andamento das cirurgias oferecidas pelo SUS. “Por causa da pandemia da Covid-19, as pessoas ficaram com medo de procurar unidades hospitalares e, agora, há uma demanda reprimida em relação a outras doenças”, relatou o vereador. É por isso que ele vai sugerir que o Hospital Municipal de Campanha seja o centro que dará suporte aos procedimentos cirúrgicos.

“Para que o hospital não seja subutilizado ou fechado no pós-pandemia, quero propor que ele vire o hospital de retaguarda e que proporcione todos os exames do pré-operatório, além de abrigar o paciente no pós-operatório.
Funcionando assim: a pessoa fica internada no centro, faz os exames necessários. A ambulância leva o paciente para o hospital de referência, como o Walfredo Gurgel. Ele passa pela cirurgia e retorna ao hospital de retaguarda, e fica no leito até o momento de alta”.

De acordo com Lucena, a operação vai diminuir a fila de espera por cirurgias. “O hospital da Via Costeira tem capacidade para mais de 500 leitos. Vamos salvar vidas porque teremos suporte para o Estado inteiro. Vejo pessoas morrendo nas UPAs e em outras unidades, aguardando atendimento. A logística do hospital de retaguarda é viável e vai auxiliar a população”.

Previdência

O vereador votou contra a reforma da Previdência Municipal, que eleva a contribuição previdenciária dos servidores. Hoje, o contracheque do funcionalismo tem um desconto de 11% sobre a remuneração bruta. Com a reforma, vai subir para 14%, independentemente da faixa salarial, a partir de janeiro de 2021.

“É um absurdo. Se eu fosse deputado federal, teria votado contra a reforma de Bolsonaro. Se eu fosse deputado estadual, teria votado contra a reforma de Fátima, mesmo sendo do meu partido. Acho que a Previdência precisa ser reestudada. Temos bilhões nos fundos previdenciários, temos que pegar esse dinheiro e investir no servidor. Ninguém procura outra solução, a solução é sempre tirar do contracheque do trabalhador. Precisamos de outra forma de financiamento. Essa reforma não vai resolver nada, é só um paliativo”, indicou.

Transporte

Já o transporte público da capital potiguar também é alvo de reivindicações. Recentemente, em meio à pandemia, a Câmara aprovou um projeto que reduz em 50% o Imposto sobre Serviços (ISS) cobrado das empresas de ônibus. A redução no ISS – de 5% para 2,5% – foi anunciada como forma de aliviar o caixa das companhias durante o período de crise causada pelo coronavírus. No entanto, a lei ainda não foi sancionada pelo prefeito Álvaro Dias.

“Adicionei uma emenda que proíbe o aumento de passagem este ano e ainda obriga o retorno das 19 linhas de ônibus que foram retiradas das ruas. Mas ainda não sei qual é o motivo da demora para a aprovação da lei. O transporte segue sendo de péssima qualidade e vejo que existe uma certa subserviência da Prefeitura ao Seturn, sindicato que representa os empresários do transporte”, comentou. “Minha luta com o Seturn e a Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) é constante”.

Para ele, a mobilidade urbana só vai dar os primeiros passos para evolução quando houver maior investimento no VLT, o veículo leve sobre trilhos. “Vamos propor esse debate para pedir a aquisição de novos veículos, aumento de linhas, e incentivo ao uso por parte da população. Além de barato, o VLT é rápido, confortável e pode comportar muita gente”, assegurou.

Infraestrutura

Observando a infraestrutura da cidade, o vereador foi autor de uma lei que garante um seguro para prédios públicos, como escolas e unidades de saúde, ruas e outros dispositivos, como praças. Segundo ele, as empresas que prestam serviços à Prefeitura devem realizar reparos necessários durante o prazo de 5 anos, sob pena de multa em caso de descumprimento. “Agora, essas construções não podem ficar desassistidas. E os consertos são a custo zero para o município. Essa foi uma conquista importante”, disse o parlamentar.

Cultura

Um dos principais espaços frequentados pela boemia natalense e tradicional ponto de manifestações culturais e artísticas, o Espaço Cultural Ruy Pereira, no coração da Cidade Alta, foi completamente repaginado e reestruturado durante a atual gestão. O novo ambiente foi entregue simbolicamente em agosto deste ano. A criação do espaço foi proposta por Lucena, que acredita que a cultura precisa de apoio.

A revitalização do Ruy Pereira também partiu de uma emenda do vereador. O local passou por diversas intervenções, como troca do pavimento, tratamento de drenagem e esgoto, rede elétrica, iluminação, mudança da entrada para a avenida Princesa Isabel e a instalação de um palco permanente, incluindo cobertura termoacústica, além da grafitagem dos muros feitas por 30 artistas potiguares.

Os investimentos aplicados na intervenção giraram em torno de R$ 418 mil e não devem parar por aí. Lucena informou que pedirá uma emenda, no valor de R$ 250 mil, que será destinada exclusivamente para a contratação de músicos locais. “O Beco da Lama e o Ruy Pereira receberão apresentações no fim de semana. Será uma forma de manter o centro vivo, assim como no Recife Antigo. Continuaremos criando uma identidade cultural para a nossa cidade”, sublinhou o vereador.

Luta antirracista

Para marcar a luta antirracista, Lucena propôs que o Dia da Consciência Negra – comemorado anualmente em 20 de novembro – seja feriado em Natal. “Precisamos falar sobre o racismo, que é uma doença grave que precisa ser discutida e combatida. Sabemos que ninguém pode ser julgado pela cor da pele, mas ainda é algo enraizado e tido como ‘normal’ aqui”, contou.

A proposta foi aprovada pelo Legislativo municipal, mas enfrentou resistência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio), que apontou uma suposta inviabilidade de dois feriados seguidos, já que no dia 21 é comemorado o Dia de Nossa Senhora da Apresentação. A proposta agora será julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda na mesma pauta, o vereador conseguiu recursos para a nova estátua de Iemanjá, que fica na praia do Meio. Iemanjá é reverenciada por cultos afrodescendentes, especialmente o candomblé e a umbanda, e é cultuada por pessoas de diferentes crenças. No entanto, vândalos danificavam o antigo patrimônio e seguem depredando a atual imagem. “E tudo é por intolerância religiosa baseada na cor. É um retrocesso. A estátua da Bíblia, que fica praticamente ao lado, nunca foi vandalizada. Não podemos agredir outros que pensam diferente”, disse Lucena.

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