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Marcelo Hollanda
Justiça seja feita: não se pode acusar o governo federal de falta de transparência
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira (26)
Marcelo Hollanda
26/10/2021 | 08:25

Este é um governo transparente
Justiça seja feita: não se pode acusar o governo federal de falta de transparência. Está tudo aí para quem quiser saber, menos o que foi colocado 100 anos sob sigilo, mas são coisas tão bobas que nem interessa mesmo.

É desimportante que o presidente Bolsonaro não tenha se vacinado ou se vacinado escondido. Tampouco interessa saber o que quase 80 funcionários do governo, inclusive o ministro da Pesca, estão fazendo em Dubai, entre um drinque e outro na beira da praia artificial. A gente sabe que é para promover o Brasil.

Sobre o rombo no teto de gastos, todo mundo sabe o que é: ajudar a reeleger o presidente. O que já deu cassação de político no passado por abuso de poder econômico virou política de estado e ponto final.

Se todos os caminhos levam a Roma, neste caso, levou à rua sem saída que nem no mapa está. O ministro João Roma, da Cidadania, deputado do Republicanos, foi escalado pelo governo para explicar o Auxílio Brasil de 70 dólares para quem está catando lixo nas ruas, perdeu-se no meio do caminho e não voltou.

Sabemos agora que não existe governo sob a batuta do capitão, apenas um exercício diário de improvisações desconectadas da realidade, mas apoiadas pelo Centrão no Congresso, que é quem realmente manda neste lupanar.

Auxiliares importantes do ministro Paulo Guedes resolveram abandonar o barco porque já perceberam no que vai dar este circo de horrores: num enorme sol nascendo quadrado.

Então eles resolveram pular de volta para a iniciativa privada, onde gordos salários os esperam, sem afundar mais ainda as biografias no esgoto.

O presidente decidiu que vai dar os 400 Reais por mês aos miseráveis que se multiplicaram em seu governo, mas corre o risco do Congresso dar 500, como já aconteceu até um dia desses quando o presidente da Câmara era Rodrigo Maia.

Então, Bolsonaro poderá trucar e dar 600 Reais, o que na ocasião fez muito bem à sua popularidade. Só que desta vez não vai funcionar.

A menos, é claro, que o governo seja um pouco menos transparente e minta para a população, afirmando que se trata de um auxílio mais duradouro, com longevidade além das eleições, seja o novo presidente quem for.

Mas, como se trata de um governo transparente, que fala a verdade sempre, agora todos nós sabemos como esse auxílio apareceu. Da vontade política do presidente, que realmente se compadece da dor do povo brasileiro.

Moral da história
Por isto o presidente resolveu: quer passar o camelo pelo buraco do alfinete, sem mexer nos bilhões das emendas do relator e sem economizar em mordomias para setores aliados ou na farra de Dubai. Vai fazer do limão uma limonada. O problema é que faz tempo que o governo não planta uma árvore e se alimenta dos frutos que outros plantaram.

A vida como é
Parta do seguinte princípio: os mesmos ricos que já apoiaram mais o governo nadam de braçada em benefícios fiscais e naquela famosa relação incestuosa entre o público e o privado. Isso, bem entendido, desde muito antes do regime militar instaurado em 64, mas também muito nele, quando os milicos também tinham seus industriais e latifundiários de estimação. Essa gente não perdeu tempo consolidando ou inaugurando sua própria estrutura do mando político ao qual o regime de então resolveu dar feições de democracia, instituindo o bipartidarismo. E, assim, transformando a obra imaginada por JK no planalto em paraíso de tudo o que é possível nesta vida.

Cheiro do povo
O grande problema entre o técnico e o político é que eles não se dão bem em épocas de eleição, quando os políticos saem com mais frequência do parlamento, ou seja, todo o dia, para apertar a mão de pobres e embalar seus filhos. Nada contra isso, já que eles precisam reforçar sua imagem perante o eleitorado. Além disso, com generosas cotas parlamentares, é até agradável sentir um pouquinho o cheiro do povo.

Nada de absorvente
Quando o deputado Bolsonaro, do baixo clero na Câmara, ainda nem sonhava em ser presidente, embora já pretendesse, era comum ele dizer que acabaria com o Bolsa Família, aquele programa do PT que sustentava vagabundos fazendo filhos, sem que estes dessem qualquer colaboração ao PIB do país. Exatamente como o presidente em sua produtiva vida pregressa, doando à nação três meninos, hoje homens, políticos desde a tenra idade, e um quarto jovem e promissor lobista, que usa e abusa do sobrenome do pai. Mas isto é outra coisa, entendam bem. Estamos falando daquele pobre que não tem dinheiro para comprar absorvente para a filha adolescente porque, segundo o presidente, o governo não quer furar o teto de gastos.

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