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Decisão
Juiz diz que blogueiro fez acusações ‘sabidamente inverídicas’ contra Boulos
Para a defesa de Boulos, a acusação de Oswaldo Eustáquio "não foi mera divulgação de mensagens caluniosas e difamatórias", mas a tentativa de imputação de "prática de crime pelo qual nunca foi investigado"
Estadão
12/11/2020 | 11:28

O juiz Emílio Migliano Neto, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, mandou tirar do ar vídeo publicado pelo blogueiro Oswaldo Eustáquio com acusações “sabidamente inverídicas” contra o candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL). O blogueiro afirmou que o psolista usa empresas de vídeo para “lavar dinheiro”, acusação que foi usada por Celso Russomanno (Republicanos) durante o debate realizado pela Folha/UOL nesta quarta, 11.

Segundo o magistrado, o caso revela “sem sombra de dúvidas” que houve um “estratagema altamente reprovável” na publicação do vídeo e seu uso pelo candidato durante o debate.

“O cenário delineado pela matéria produzida pelo representado não encontra lastro nem sequer em indícios, como demonstrado de forma contundente na sua inicial pelo ora representante, sendo refutado pontualmente, permitindo-se, sem temor, de ser adjetivado de sabidamente inverídico, extravasando o debate político-eleitoral”, afirmou.

A ação foi protocolada na tarde desta quarta-feira, 11, pela defesa de Boulos e da coligação “Pra Virar o Jogo (PSOL, PCB E UP)”. Nos autos, o psolista relembra que Oswaldo Eustáquio é investigado no inquérito que mira o financiamento e organização de atos antidemocráticos em Brasília, e que ele foi preso pela Polícia Federal.

Para a defesa de Boulos, a acusação de Oswaldo Eustáquio “não foi mera divulgação de mensagens caluniosas e difamatórias”, mas a tentativa de imputação de “prática de crime pelo qual nunca foi investigado”. O Ministério Público Eleitoral foi acionado a se manifestar sobre o caso.

Oswaldo Eustáquio é investigado junto do blogueiro Allan dos Santos e da extremista Sara Giromini no inquérito que investiga suposto esquema de organização e financiamento de atos em defesa da ditadura militar e pelo fechamento do Congresso Nacional.

Em julho, ele foi preso pela Polícia Federal após transitar pela fronteira com o Paraguai e foi proibido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de utilizar as redes sociais (sua conta é administrada hoje por aliados).

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