O cientista político e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, José Álvaro Moisés, morreu nesta sexta-feira 13 após afogamento na Praia de Itamambuca, em Ubatuba, litoral norte paulista. Ele tinha 81 anos.
De acordo com a família, Moisés passava alguns dias na casa de amigas na cidade. Segundo o Grupamento de Bombeiros Marítimo do Corpo de Bombeiros, ele foi encontrado inconsciente na faixa de areia.

Equipes iniciaram manobras de reanimação ainda na praia, mas, após a continuidade dos procedimentos, o óbito foi constatado no local. O corpo foi encaminhado aos serviços funerários.
A morte foi confirmada pela Associação Brasileira de Ciência Política. Em nota, a entidade afirmou: “Sua trajetória acadêmica, marcada pelo rigor intelectual e pelo compromisso com a vida pública deixa um legado incontornável para a área e para gerações de pesquisadoras e pesquisadores”.
Professor da Universidade de São Paulo, Moisés se formou em ciências sociais pela instituição em 1970, fez mestrado em política e governo pela Universidade de Essex em 1972 e doutorado em ciência política pela USP em 1978. Foi professor visitante do Centro Latino-americano da Universidade de Oxford entre 1991 e 1992.
Nos últimos anos, atuou como professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, coordenador do Grupo de Pesquisa da Qualidade da Democracia e pesquisador do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da universidade, que dirigiu de 1995 a 2017.
Também exerceu cargos no Ministério da Cultura: Secretário de Apoio à Cultura entre 1995 e 1998 e Secretário do Audiovisual de 1999 a 2002. Coordenou ainda a pesquisa Cultura e Democracia (1998/2002), realizada pelo ministério em parceria com a Universidade de Maryland, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Entre os livros publicados estão A Crise da Democracia Representativa e o Neopopulismo no Brasil (2020), Crises da Democracia o Papel do Congresso, dos Deputados e dos Partidos (2019), A Desconfiança Política e os seus Impactos na Qualidade da Democracia (2013) e Democracia e Desconfiança por que os Cidadãos Desconfiam das Instituições Públicas (2010).