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Covid-19
Ivermectina não é indicada pela Sociedade Brasileira de Infectologia para tratar Covid
Medicamento é bastante utilizado em Natal até mesmo para a prevenção da doença causada pelo coronavírus
Redação
10/12/2020 | 09:22

Em atualização sobre recomendações relacionadas à Covid-19, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) publicou nota nesta quarta-feira 9 afirmando que nenhum medicamento é indicado para o tratamento precoce do coronavírus, incluindo a Ivermectina — bastante utilizado em Natal até para o uso preventivo da doença, defendido pelo comitê científico municipal.

Além disso, o documento da SBI traz especificações sobre os sintomas mais frequentes da doença, que são febre, tosse, dor de garganta, dor “tipo sinusite”, náuseas, perda de apetite, perda ou alteração do olfato e/ou do paladar, cansaço, dores musculares, dor torácica e falta de ar. No atual momento da pandemia, os especialistas indicam que todo paciente com sintomas de “resfriado ou gripe” devem ficar imediatamente em isolamento, procurando atendimento médico por consulta presencial ou por teleconsulta.

Para os exames, a SBI sugere que os pacientes sintomáticos devem ser submetidos preferencialmente ao exame swab, sendo a coleta ideal na 1ª semana de sintomas. O exame, segundo a SBI, tem de 60% a 80% de sensibilidade. Sendo positivo, confirma o diagnóstico, já que resultados falso-positivos são raros (especificidade de 99% ou mais). Se o resultado for negativo, mas a suspeita clínica for forte, o paciente também deve completar 10 dias de isolamento respiratório, já que o RT-PCR pode ser falso-negativo. Ainda de acordo com a SBI, os testes sorológicos para (exames de sangue), tanto os rápidos de farmácia quanto os de laboratório, não são recomendados para o diagnóstico precoce da doença.

Sobre os grupos de risco, a SBI explica que principais fatores que fazem a Covid-19 evoluir para casos graves são idade acima de 60 anos, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença cardiovascular (insuficiência cardíaca, insuficiência coronariana, cardiomiopatia), diabetes tipo 2, obesidade (IMC de 30 ou mais), doença renal crônica, imunocomprometidos (receptores de transplante de órgãos, pessoas que vivem com HIV e tem contagem de linfócitos T CD4+ baixa, indivíduos com câncer), anemia falciforme. Os especialistas indicam que estes pacientes sejam acompanhados com avaliação dos sintomas, bem como verificação diária de temperatura para detectar febre e da oximetria digital para detectar hipóxia (diminuição de oxigênio no sangue e nos tecidos e órgãos).

Sobre o tratamento precoce nos primeiros dias de sintomas, a SBI não recomenda tratamento com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos, de acordo com a SBI, podem causar efeitos colaterais.

“Não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19. Essa orientação da SBI está alinhada com as recomendações de sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como a Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e da Europa (ESCMID), Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA)”, diz a nota da SBI, explicando ainda que, na fase inicial da doença, medicamentos sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos, como paracetamol e/ou dipirona, podem ser usados para pacientes que apresentam dor e/ou febre.

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