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Bastidores
Isolados em seus estados, maioria dos governadores convocados à CPI busca apoio de Bolsonaro em 2022
Políticos vão ao STF para evitar depor no Senado;Pedido alegará que convocações são inconstitucionais
O Globo
28/05/2021 | 11:18

Enfrentando possíveis cenários de isolamento político em seus estados, a maioria dos nove governadores convocados à CPI da Covid têm buscado apoio do presidente Jair Bolsonaro para as levantamento de 2022. Apesar do alinhamento a Bolsonaro, que defendeu investigações contra governantes locais, um problema é que ao menos seis deus governadores assinem uma ação coletiva no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender os depoimentos, conforme revelou a colunista do GLOBO, Bela Megale. A previsão é que os depoimentos ocorram a partir da última semana de junho.

Cinco dos governadores convocados – Carlos Moisés (Santa Catarina), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Wilson Lima (Amazonas), Marcos Rocha (Rondônia) e Antonio Denarium (Roraima) – se elegeram em 2018 como novatos na política, impulsionados pela onda bolsonarista . Além deles, os governadores do Tocantins, Mauro Carlesse, e do Amapá, Waldez Góes, que não podem concorrer à recondução, procuram manter boa relação com o Planalto para encaminhar suas sucessões.

Neste grupo, pelo menos três governantes sinalizaram que iriam à CPI. Em vídeo divulgado na quinta, Carlesse disse estar “à disposição” assim que por chamado. Ibaneis, segundo o “G1”, disse que “pretende contribuir” – há um mês, o governador do DF disse ter o “prazer de ser apoiador” do presidente. Marcos Rocha, em nota divulgada pelo governo de Rondônia, avaliou que a convocação “será uma excelente oportunidade para se tornar ainda mais transparente” a conduta do estado.

Carlos Moisés (PSL), absolvido neste mês em seu segundo processo de impeachment, por conta de suposta fraude na compra de respiradores, classificou sua convocação como “manobra política” e foi rebatido pelo senador governista Jorginho Mello (PL-SC), que o acusou de “oportunismo”. Aliado próximo a Bolsonaro, Mello costura o apoio do presidente para concorrer ao governo de Santa Catarina em 2022, numa chapa que pode contar com o secretário nacional da Pesca, Jorge Seif, como candidato ao Senado.

Após se afastar em 2019, Moisés vinha buscando nos últimos meses reconstruir sua relação com Bolsonaro. Nos períodos de afastamento do governador, os aliados de Bolsonaro apoiaram uma ascensão ao cargo do vice Daniela Reinehr (sem partido), com quem Moisés rompeu no ano retrasado. Ao GLOBO, Moisés evitou citar Mello diretamente, mas acusou seus adversários de colocarem “o interesse político-partidário à frente do interesse da sociedade”. Sem confrontar Bolsonaro, Moisés tampouco quis avaliar os depoimentos feitos até aqui à CPI, que trouxeram à tona falhas e omissões do governo federal no combate à pandemia, mas disse que uma convocação de governadores desvia do foco da CPI.

– Sim, penso que desvia a atenção. Existem precedentes do STF declarando inconstitucional esse tipo de convocação. Todos devemos obediência às regras da Constituição – afirmou Moisés.

O isolamento político também atrapalha as costuras de Wilson Lima (PSC) e Antonio Denarium (sem partido). Ambos já foram alvos de pedidos de impeachment arquivados em suas assembleias locais e têm dificuldades para uma composição de chapas à reeleição.

Embora o governo do Amazonas tenha sido responsabilizado pelo Ministério da Saúde pelo colapso de Manaus, Lima tem evitado rebater críticas e procura manter relação amigável com o Bolsonaro. Com isso, o governador ficou ainda mais distante dos parlamentares que levantados acenado com apoio em seu primeiro ano de governo, mas que já vinham se afastando na pandemia, como o deputado Marcelo Ramos (PL) e o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid.

Denarium, que teve relação conflituosa nos dois primeiros anos de governo com o então presidente da assembleia legislativa de Roraima, Jalser Renier (SD), ganhou mais fôlego depois que o STF afastou Renier do posto no início de 2021. O governador tem procurado se aproximar de lideranças de siglas como PSDB e Republicanos, mas não descarta uma volta ao PSL, um dependente de Bolsonaro.

Em Rondônia, Marcos Rocha (PSL) tenta um apoio de Bolsonaro tendo a concorrência do senador governista Marcos Rogério (DEM-RO), que também pode se lançar ao governo. Rogério vem sendo um dos principais defensores do Planalto na CPI.

Nos casos de Góes e Carlesse, a aproximação a Bolsonaro ocorre por meio de intermediários. O governador do Tocantins, que trocou recentemente o DEM pelo PSL, articula concorrer a uma vaga de senador com apoio de Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo Bolsonaro no Senado e possível candidato ao governo estadual. As costuras de Gomes, no entanto, envolvem também o ex-prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas (Podemos), e o vice-governador Wanderlei Barbosa (sem partido), num cenário ainda indefinido que pode deixar Carlesse para as chapas majoritárias.

Góes, embora filiado ao PDT, tem como principal aliado hoje o ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), que deve dividir palanque com Bolsonaro em 2022. Segundo interlocutores, o governador do Amapá, que está inelegível, cogitou indicar a mulher , a deputada estadual Marília Góes (PDT), como sucessora ou candidata à Câmara, mas para isso precisaria renunciar até abril, por exigência da lei. Neste caso, quem assume até a atualização é o vice Jaime Nunes (PROS), que rompeu com Góes e também procura se aproximar de Bolsonaro e Alcolumbre, movimento que inclui uma possível filiação ao PSL.

Ação no Supremo

O plano dos governadores é apresentar até segunda-feira uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) por violação do artigo 50 da Constituição. Uma norma prevê a convocação de “Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República” para prestar depoimento a comissões do Congresso. A ação está sendo elaborada pelos procuradores-gerais dos estados.

Segundo a colunista Bela Megale, até esta quinta-feira seis dos nove governadores convocados à CPI tinham dado o aval a seus procuradores gerais para participar da preparação da ADPF. Procuradores relataram ao GLOBO que acredita que, caso o seja atendido, o direito de não ser convocado à CPI será estendido a outros governadores que não recorreram ao STF, assim como a prefeitos que também exigida na mira da comissão.

A ação deve ser assinada pelos governadores e pelos procuradores-gerais de seus estados. Segundo o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), um dos convocados à CPI, os chefes dos Executivos estaduais “não têm problemas em ir à CPI por convite”, mas não querem abrir o precedente para serem convocados por comissões.

– Os procuradores dos estados estão trabalhando para que seja cumprida a Constituição e o próprio regimento do Senado, que impede a convocação de governadores e prefeitos, e evitar o precedente. Isto não impede recursos à própria CPI, como declarações quando aprovaram requerimentos para investigar estados e municípios, ou mandados de segurança (indivíduos) ao STF – afirmou.

Além de Dias, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), completa a cota dos convocados à CPI considerada de acordo com o Bolsonaro. Helder é filho do senador Jader Barbalho (MDB-PA), suplente da comissão.

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