BUSCAR
BUSCAR
Diplomacia
Iraque e Arábia Saudita reabrem fronteira após 30 anos
Apenas em 2017, cerca de 15 anos após a queda do ditador, as relações foram retomadas. Até agora, Arar estava aberto apenas para permitir a passagem de peregrinos iraquianos a caminho de Meca
Estadão
18/11/2020 | 13:32

Iraque e Arábia Saudita reabriram nesta quarta-feira, 18, seu principal posto de fronteira, Arar, que permaneceu fechado por 30 anos. A reabertura é um novo marco nas relações diplomáticas entre Riad e Bagdá, retomadas oficialmente em 2017, e deve favorecer às relações comerciais entre os dois países.

A fronteira estava fechada desde 1990, quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait e a Arábia Saudita rompeu os laços diplomáticos com o Iraque. Apenas em 2017, cerca de 15 anos após a queda do ditador, as relações foram retomadas. Até agora, Arar estava aberto apenas para permitir a passagem de peregrinos iraquianos a caminho de Meca.

O objetivo da reabertura do posto de Arar, na província de Anbar, cercada a oeste pela Jordânia e a sul pela Arábia Saudita, é permitir a passagem de mercadorias e pessoas e criar uma nova porta de entrada para as importações, numa tentativa saudita de se recolocar no mercado iraquiano.

Atualmente, o Iraque atravessa uma crise industrial e agrícola, tendo o mercado inundado por produtos turcos e iranianos – este último, segundo fornecedor comercial do país.

Durante a reabertura do posto, nesta quarta-feira, modestas filas de caminhões aguardavam a cerimônia diplomática entre as autoridades dos dois países em ambos os lados da fronteira.

As condições políticas para a reabertura são favoráveis. Apesar da Arábia Saudita ser uma monarquia sunita, ao passo que o Iraque é governado apenas por xiitas desde a queda de Saddam, premiê iraquiano, Mustafa al-Kazimi, é amigo pessoal do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed Bin Salman.

Os dois países também estão tentando reabrir um segundo posto de fronteira, o Al-Jemayma, menos importante e localizado no sul do Iraque.

Grupos pró-Irã protestam


A decisão de reabertura da fronteira provocou reação de grupos pró-Irã que mantém influência na política iraquiana.

Um dos novos grupos, chamado de “Ashab al-Kahf”, condenou duramente esta reaproximação com a Arábia Saudita, apontando o país vizinho como um “inimigo”.

Os pró-Irã acusam Riad de querer “colonizar” o Iraque, sob o pretexto de investimento e comércio.

“Deixe-os investir! Bem-vindos ao Iraque!”, respondeu em uma conferência de imprensa na noite de terça-feira, 17, o primeiro-ministro Kazimi.

“Os acordos com a Arábia Saudita vão criar milhares de empregos”, acrescentou, o que seria um alívio em um país que paga seus funcionários com várias semanas de atraso todos os meses, já que a falta de recursos é dramática.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.