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Coluna
Ingresso aos montes de militares da reserva na política é um convite macabro para se reviver o passado
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira 29
Marcelo Hollanda
29/06/2021 | 10:38

Medo do retrocesso não é frescura

Quando alguém fala de suas viagens pelo mundo sem ser perguntado ou cita livros ou autores demais para aparentar erudição ou sofisticação, temos um problema.

Não estamos lidando com uma pessoa de verdade – estamos diante de um personagem. Nada ali é muito crível e reflete um jogo social sem muitos propósitos a não ser demonstrar superioridade que muita gente adora cultivar em sociedade.

Agora, quando alguém se esmera na ignorância e na disposição de maltratar pessoas e instituições, dia após dia, também temos um problema. E não se trata de um personagem, mas de um perigo concreto. O fenômeno Bolsonaro nas urnas, em 2018, expôs as fragilidades reais da democracia brasileira e é preciso entender melhor o que acontece. E reagir a isso. Do agronegócio à indústria leve e pesada passando pelo comércio e os serviços, é flagrante o comportamento de frações do empresariado que, se não apoia abertamente o governo, usa o velho expediente da abstenção.

O dejavu de ditadura militar, com civis respirando sob as botas de militares, não deveria ser o retrato do capitalismo brasileiro hoje depois de tudo que o Brasil já passou.

Contra a corrupção experimentada pelos governos civis – o que já era péssimo –, encarar uma autocracia corrupta é sem dúvida acelerar a velocidade para o abismo até para o ambiente de negócios no País.

A prova disso foi a forma rápida e incondicional com que algumas frações desses homens e mulheres de peso na sociedade, empregadores de pessoas, alinharam interesses ao campo político mais ligado aos costumes do que ao mercado. Hitler produziu esse mesmo estrago na Alemanha muito antes de assumir a liderança absoluta do país e matar milhões de compatriotas na guerra. E fez isso criando milícias armadas e pulverizando as instituições democráticas.

Militares existem para servir o poder civil. Não se trata de sujeição, mas de puro entendimento dos fatos. O ingresso aos montes de militares da reserva e da ativa na política é um convite macabro para se reviver o passado.

Esse passado deve continuar como está: no passado.

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