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Trabalho informal
Informais de Natal têm ainda mais dificuldade na pandemia
Reportagem conta a história de dois trabalhadores informais que, durante a pandemia do novo coronavírus, se viram nos cruzamentos movimentados da cidade em busca de algum trocado para sustentar a família
Mauro Terayama
03/10/2020 | 05:30

Em qualquer cruzamento movimentado de Natal, é possível ver muitas pessoas tentando ganhar alguns trocados para ter o que comer ao longo do dia. Essa rotina se repete todos os dias na vida de vendedores ambulantes: eles limpam para-brisas, vendem balinhas, pedem um valor simbólico em moedas e até mesmo fazem malabares nas principais avenidas da capital.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de brasileiros que estão em busca de uma oportunidade de trabalho aumentou em 500 mil na última semana. Até junho de 2020, o Brasil tinha 30,7 milhões trabalhadores informais (trabalhadores sem carteira, empregador sem CNPJ, trabalhadores domésticos sem carteira, trabalhador familiar auxiliar). No mesmo período, o Rio Grande do Norte registrou 40,19% de informais no total de pessoas ocupadas.

A história de Cristiano Pereira, de 34 anos, entra para a estatística de trabalhadores informais. Antes da pandemia, Cristiano trabalhava como embalador. Hoje ele vende suspiros, “raivinha” e alguns biscoitos típicos para poder pagar o aluguel, comprar comida para os filhos – com idades entre 6 e 12 anos –, além de pagar as contas.

Faturando aproximadamente 45 reais por dia, a rotina no desemprego é dura devido à grande dificuldade em vender seus produtos no sinal durante a pandemia. “Está sendo difícil, porque tem dias que simplesmente não vende. O pessoal diz que não tem nem dinheiro para dar e isso pesa no bolso”, lamentou.

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Cristiano Pereira vende suspiros e biscoitos em cruzamento da capital

Jefferson Lopes está há dois anos desempregado e começou a trabalhar limpando os para-brisas de carros em frente à Maternidade Escola Januário Cicco, localizada no bairro de Petrópolis. Aos 27 anos, ele relata que passou momentos difíceis no período de isolamento porque não estava saindo de casa. “Eu estava em casa, parado, e as coisas complicaram bastante porque a gente não podia vir pra rua e eu não tinha como ganhar uns trocados pra minha família”, contou.

“Além de vir trabalhar com o rodo, eu também vendia revistinhas para crianças, mas com essa crise o fornecedor parou a produção e eu só tenho isso para ganhar meu dinheiro”, disse.

O morador do bairro das Rocas consegue voltar para casa com cerca de 25 a 40 reais – o que não é suficiente para alimentar duas filhas pequenas, uma de dois anos e outra de dois meses. Na tentativa de aumentar sua renda, ele ainda se desloca para semáforos em Lagoa Seca e da Rota do Sol, em Ponta Negra. “A esperança é de que as coisas melhorem, já que agora a gente está podendo sair mais e eu possa voltar pra casa com um pouco mais”.

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Jefferson limpa pará-brisas diariamente para conseguir um dinheiro para sua família


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