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Opinião

Imprensa bolsonarista espalha notícia falsa e espanta comércio de Natal; leia opinião de Daniel Menezes

Confira os destaques da coluna do cientista político Daniel Menezes na edição deste fim de semana do AGORA RN
Daniel Menezes
25/11/2023 | 05:00

O comércio de Natal já funciona aos domingos e feriados mediante regras estabelecidas em convenção coletiva e, portanto, não será impactado pela portaria do Ministério do Trabalho que trata do tema. A declaração é do empresário José Lucena, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Natal. Segundo Lucena, há mais de 10 anos o comércio de Natal fechou acordo de convenção coletiva com o sindicato dos trabalhadores e, desde então, só abre aos domingos e feriados seguindo os termos do acordo. A declaração do empresário demonstra o nível da notícia falsa espalhada pela imprensa bolsonarista nos últimos dias, dando conta de um inexistente fechamento de lojas em Natal a partir da fiscalização feita por sindicatos e Ministério do Trabalho a partir da portaria federal que regulamenta a relação entre trabalhadores e comércio a partir de convenção coletiva.

Máquina de guerra

Comércio fechado em Natal durante feriado - Foto: Anna Alyne Cunha
Comércio fechado em Natal durante feriado - Foto: Anna Alyne Cunha

Apesar de a própria CDL já ter desmentido publicamente a existência de tais fatos narrados, a imprensa bolsonarista, além de não ter reformado a verdade, segue com as matérias falsas no ar. O sonho de chegar ao Governo do Estado tem deixado o pessoal bastante animado. E o jornalismo? Ah, este já morreu faz tempo.

Dilma e Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto de lei que pretendia estender até 2027 a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e reduzir a contribuição para a Previdência Social paga por pequenos municípios. O veto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na quinta-feira 23. Trata-se de uma medida importante que ajuda a corrigir, inclusive, o erro cometido pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e mantido por Jair Bolsonaro (PL). Essas desonerações são custosas para o Estado e não geram necessária competitividade econômica. Que ele tenha coragem de fazer o mesmo para as subvenções fiscais dadas a setores que vivem da máquina pública, não geram eficiência produtiva porque, sem proteção e sem recursos da viúva, não parariam em pé.

Liberal à brasileira

E a grita de quem é a favor do estado mínimo – só para os outros – já pode ser ouvida, em especial na Faria Lima e editorias de imprensa.

Metodologia

Eu não levaria em conta os resultados do levantamento feito pelo instituto Atlas sobre a diplomacia brasileira (boas pra o governo) e os dados da sondagem do Instituto Quaest, ambos publicados recentemente, a respeito de decisões monocráticas (ruins pra o STF). O cidadão médio não tem opinião sobre tais temas. Apresenta uma resposta a partir de atalhos de informação para se livrar das perguntas diante do pesquisador.

Metodologia 2

Exemplo: quando perguntado se é a favor de mandato fixo pra ministros do STF, o respondente liga mandato permanente a mamata, a ditadura e recusa. Mas é, digamos assim, uma opinião de base fraca. As perguntas do Atlas têm um agravante. Estão mal formuladas. Elas têm mais de um tema por questão. Há formulações em que o Atlas inquire se a pessoa concorda que a atuação de Israel na guerra está correta e é terrorista. E a formulação de um questionário deve conter um ponto para cada indagação. Do contrário, não se sabe ao certo o que o sujeito do outro lado respondeu.

Metodologia 3

Para elas terem maior validade explicativa deveriam contemplar mais filtros para entender quem de fato tem opinião formada. Por exemplo, questionar antes se conhece ou acompanha o assunto e apenas indagar aqueles que estão por dentro da situação. Só que tal procedimento tornaria a pesquisa mais cara e demorada. Os institutos mantêm essas perguntas como meio de gerar conteúdo e propagandear suas marcas na imprensa.

*Daniel Menezes é cientista político, professor da ufrn