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Tempo Extra
Idolatria, amor e adoração
Ao ABC Futebol Clube, o grande Rei do Foot-ball, o Clube do Povo, Campeão das Multidões, o Mais Querido, parabéns pelos seus 102 anos
Rafael Morais, interino*
30/06/2017 | 09:31

Dentro do escudo, cinco estrelas históricas e centenárias formando quase uma constelação de glórias. Fora, exatamente acima, onde se bordam as maiores conquistas, uma estrela brilhante que orgulha um povo aclamado por Câmara Cascudo.

Na arquibancada, na camisa e no manto. No corpo, na cabeça e na veia. No sangue, no peito ou no coração. Seja onde for, é sempre motivo de veneração. Representa idolatria, amor e adoração.

Paixão que sai do estádio e entra pela porta da frente de casa. De segunda à sexta-feira, sem pausa. Muito mais dos finais de semana, feriados e imprensados. A cada drible, uma exaltação. A cada gol, um motivo pra amar. Sob sol ou sob chuva nas arquibancadas. A cada ano, mais um pretexto. E já são 102 razões absolutas e incontestáveis.

Dos idos tempos passados, do distintivo circular, com três letras iniciais do alfabeto, à criação da faixa diagonal e à inclusão das estrelas no céu negro, porém nobre. Do grito ensurdecedor da torcida, que faz arrepiar. Dos cantos e cânticos de adoração. “Mesmo que a bola não entre, que a torcida se cale e que o manto desbote. Mesmo que a vitória esteja longe e a caminhada seja dura e longa. Serei sempre você”.

Das várias paixões, glórias e conquistas. Do recorde de títulos. Das multidões. Das excursões mundo à fora, ostentando nosso escudo e nossas estrelas no peito. Do povão cantando nosso hino em vozes altas e trêmulas de emoção e alegria. Do eco dos gols. Da bola de prata. Do louro de cabelos esvoaçantes e do menino magrelo agradecendo aos céus.

Desde o campo da Vila Cincinato, em frente a residência do governador Ferreira Chaves, passando pelo Morro Branco, Juvenal e Castelão, outrora Machadão. Do Machadinho, DED, Palácio, para a Ponta Negra, nas belas dunas, que maravilha. É o nosso estádio!

Quem imaginara, antes da cidade pequena, pacata e provinciana. Eram apenas 27 mil natalenses por aqui. Hoje da Grande Natal, do elefante geográfico, além-fronteiras. Dos milhares e milhares de agora espalhados por todo o Brasil.

Do povo, das multidões, o mais querido do orgulho potiguar transcrito na letra de Dozinho. O grande Rei do Foot-ball, como escreveu o poeta Deolindo Lima há mais de um século. É a vida de muitos corações espalhados nessa terra de Felipe Camarão. Com sua arte, faz até branco, amarelo, moreno, nêgo, cafuzo ou mameluco dançar xaxado. Igual Lampião, mas longe das brenhas de Mossoró.

O fenômeno de Lili, João Emilio, Batalha, Borges, Cabral, Paraguay, Freire, Bigois, Moacyr, Mandú, Nóbrega e Mousinho. De Jorginho, Danilo, Alberi e Morais. Dos Marinhos, Marquinhos, Sérgios, Leonardos e Reinaldos. Dos velhos e jovens, muitos jovens. Dos muitos Josés, Severinos, Antonios, Franciscos e Joões nos quatro cantos da cidade. Da Redinha à Ponta Negra. Cruzando à BR de norte a sul.

O bailarino de barba mal feita definiria seu amor com poesia. É um símbolo de brasilidade. Não é só um time, é um estado de espírito. Parece que Deus deu uma paradinha lá na Ponta Negra. Certamente, se estivesse aqui conosco, ele diria que é impossível virar a casaca.

Porque esse amor é daqueles que se renova. De pai pra filho, não é a toa não. Na arquibancada, na camisa e no manto. No corpo, na cabeça e na veia. No sangue, no peito ou no coração. É sempre motivo de veneração. Representa idolatria, amor e adoração. Paixão que sai do estádio e entra pela porta da frente de casa. De segunda à sexta-feira, sem pausa. Muito mais dos finais de semana, feriados e imprensados. A cada drible, uma exaltação. A cada gol, um motivo pra amar. A cada ano, mais um pretexto. E já são 102 razões absolutas e incontestáveis.

Ao ABC Futebol Clube, o grande Rei do Foot-ball, o Clube do Povo, Campeão das Multidões, o Mais Querido, nesse dia 29 de junho de 2017, parabéns pelos seus 102 anos de história, conquistas e glórias.

Rafael Morais é jornalista. Atualmente produz e apresenta o boletim esportivo Super Esporte 95, na 95 FM, e é comentarista do programa Universidade do Esporte, da FM Universitária. Em maio/2017, lançou o livro de crônicas “Futebol com Sotaque Potiguar”.

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