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Entrevista
Hotelaria demitiu 70% dos trabalhadores, aponta ABIH
Hotelaria potiguar foi um dos setores que mais sofreram com os efeitos perversos da pandemia para as atividades diárias; segmento pede ajuda ao poder público em busca de sobrevivência
Redação
06/07/2020 | 00:04

Hoteleiro de Tibau do Sul, município que abriga o distrito de Pipa, um dos mais celebrados do País, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) no RN, José Odécio Rodrigues Júnior, viu o setor que ele representa derreter nos últimos meses por causa da pandemia do novo coronavírus.

Nessa entrevista, ele fala o que será preciso ser feito para o segmento de hotéis, que representa 15% do faturamento do turismo, para tirar os empresários do pesadelo que estão vivendo, junto com os 70% de funcionários já demitidos.

Agora RN – Se houve um setor atingido pela pandemia ele foi o turismo. Como o senhor vê a situação do turismo potiguar no pós-coronavírus?

José Odécio – Vejo a situação do turismo nos próximos seis meses com bastante preocupação. Penso que o setor vai amargar uma ocupação muito baixa e, é claro, com um grande prejuízo consolidado. Isso vai trazer demissões no setor e o fechamento de empresas. Nesse momento, o governo federal está pagando parte da folha de pagamento dos funcionários e amenizando a situação dos hotéis que estão fechados. Mas no momento que começarem a reabrir, o fluxo de turistas será pequeno, o que é um problema, pois os custos do setor, especialmente da hotelaria, são muito altos. Portanto, não prevejo qualquer crescimento à vista nos próximos seis meses.

Agora – O Governo Federal tem sido eficiente na atenção aos empresários do setor hoteleiro?

JO – Até agora quem mais ajudou efetivamente a hotelaria até agora foi o Governo Federal. Ele editou a Medida Provisória que garantiu a suspensão dos contratos de trabalho, a redução proporcional de jornada e de salário, lançou vários fundos para o financiamento de empresas, alguns deles com dificuldades de operacionalização em face da burocracia dos bancos públicos e privados. As entidades do setor estão batendo muito nessa questão em Brasília. Então diria, sim, o Governo Federal tem dado a maior ajuda nesse momento.

Agora – Como hoteleiro, quais as medidas implantadas pelo setor para minimizar a crise e até quando os empresários poderão se sustentar com a baixa demanda causada pela pandemia?

JO – Em primeiro lugar, sem ter muito o que fazer, o setor fechou as portas para passar essa tempestade. E agora, quando se avizinha a reabertura, trabalhamos intensamente na elaboração do protocolo nacional do setor, leia-se, a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira e demais entidades do segmento e que embasou a concessão de um selo de qualidade por parte do Ministério do Turismo com o aval da Anvisa. E a ABIH participou ativamente do protocolo estadual que também garante um selo internacional para o Rio Grande do Norte. Ao mesmo tempo, estamos implantando nos hotéis medidas de segurança sanitária em parceria com o Senac. A intenção é justamente deixar os hóspedes mais tranquilos quando visitarem nossos hotéis.

Agora – Mesmo assim, houve muitas demissões no setor?

JO – Infelizmente, sim. Calculo na ordem de 70%.

Agora – Existe um plano B para o setor hoteleiro, que responde por 15% do faturamento do turismo e por milhares de empregos.

JO – Nosso plano B depende de ajuda oficial na concessão de créditos e na ajuda no pagamento do salário dos funcionários. Mas são precisas outras medidas para sair da crise que dependem também dos governos estadual e municipal. Logo de início, o governo do estado reduziu o ICMS sobre a energia elétrica de 25% para 12%, o que vai ajudar bastante, mas só até dezembro. Nossa esperança é que o governo estadual possa prorrogar isso até o final do ano que vem como forma de diminuir esse custo, que é muito grande, no setor. Tem também a água cobrada por demanda, que trabalhamos junto com o Estado.

Agora – E com a prefeitura de Natal?

JO – Bem, junto a prefeitura, esperamos que seja possível zerar o ISS e também uma redução de IPTU, que é um custo alto para os hotéis, que num momento de crise o empresário não tem como, bancar esse custo, tendo em vista a queda brutal da demanda. Se todas essas medidas a que me referi durarem até o final do ano que vem, creio que vamos vencer essa luta.

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