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Hábito de ler notícias negativas pode prejudicar a saúde; saiba como evitá-lo
Prática é comum e tem até nome em inglês: ‘doomscrolling’. Pesquisador defende uso menos imersivo das redes sociais
CNN
26/02/2021 | 20:35

Depois de um longo dia no trabalho, você começa a rolar a tela do telefone sem pensar e, de repente, está envolvido com milhares de postagens negativas. O que deveria levar apenas alguns minutos, acaba durando horas. 

Esse hábito de ler notícias desagradáveis tem se tornado tão comum que até ganhou um nome: “doomscrolling”, um neologismo do inglês ainda sem tradução para o português. 

“As pessoas perdem a percepção do tempo enquanto rolam a tela dos seus telefones”, diz Jeffrey Hall, professor de estudos de comunicação da Universidade do Kansas, em Lawrende. 

Hall estudou por mais de 10 anos como a tecnologia impacta os relacionamentos. Além disso, ele é diretor do Laboratório de Relações e Tecnologia da Universidade do Kansas, que pesquisa como as pessoas incorporam a tecnologia digital em suas comunicações diárias. 

Em entrevista à CNN, o professor explicou como o “doomscroolling” pode ser prejudicial à saúde e deu dicas para evitar que esse tipo de comportamento se torne uma obsessão. 


CNN: Como as pessoas são atraídas para o “doomscrooling”? 

Jeffrey Hall: Na verdade, há três pontos nisso que vale a pena prestar atenção. Um tem a ver com a maneira como as empresas de mídia social projetam seus produtos e a experiência do usuário. Outro tem relação com a interface do usuário, com o algoritmo e a maneira como ele foi projetado. E o terceiro diz sobre como estamos atentos às informações negativas. 

O objetivo expresso das empresas de mídia social é reunir mais informações sobre nossos hábitos de visualização para captar nossa atenção por longos períodos de tempo. Isso é feito para que eles possam monetizar esse comportamento e vendê-lo aos anunciantes. 

Os algoritmos são projetados para maximizar a quantidade de tempo que as pessoas estão prestando atenção ao aplicativo e evoluem com base no envolvimento do usuário. O que você clica, em que seus olhos gastam mais tempo, o que você reforça em sua rolagem, tudo isso diz ao algoritmo o que você deseja ver mais. Torna-se um funil, onde você vê cada vez menos informações com as quais não está interagindo. 

A terceira parte está relacionada com seus próprios processos de atenção. As pessoas tendem a ter o que é chamado de viés de negatividade quando se trata de informação. Do ponto de vista evolutivo, tem a ver com a ideia de que precisávamos estar mais alertas às ameaças. Se as coisas não foram particularmente surpreendentes, podemos ficar em um estado de energia muito baixo, mas assim que vemos algo que é potencialmente ameaçador ou preocupante, isso chama a nossa atenção. 

Os algoritmos estão captando aquilo que nos engaja, e nossos processos de atenção tendem a se concentrar nas informações mais negativas. 

CNN: Quais as principais maneiras para se prevenir do “doomscrooling”? 

Hall: Há muito tempo, uma pesquisadora me disse algo que achei muito inteligente. Ela disse: “estou constantemente treinando meu algoritmo”. Quando vejo coisas que quero ver, clico e gosto, e quando vejo coisas que não gosto, não clico. Você pode rejeitar o que não deseja ver, direcionando o algoritmo para cosias que você prefere ver. 

Você também pode tomar medidas ativas para reconhecer se há pessoas nas suas redes sociais que possam estar alimentando seus sentimentos de desgraça e tristeza. Você pode bloqueá-las ou silenciá-las. 

As pessoas são muito relutantes em realmente deixar de ser amigas ou parar de seguir alguém. No entanto, existem maneiras de não obter esse conteúdo. Muitas vezes, ficamos chateados com o que vemos, mas não fazemos nada para mudar o que vemos. 

A terceira coisa que pode ser feita é usar as redes sociais de uma forma mais extrativa do que imersiva. Uma forma extrativa de uso ocorre quando você entra, observa o conteúdo que está lá, depois se desconecta e sai. O uso imersivo da mídia social, por outro lado, significa que ela está sempre ativa e disponível.

Aplicativos de dispositivos móveis, normalmente, são um convite à imersão, porque eles estão sempre lá e enviam notificações constantemente. Uma maneira extrativa de usá-los é silenciar as notificações e desconectar-se de suas contas quando não estiver usando-as. 

CNN: E como ter uma relação mais positiva com as mídias sociais? 

Hall: Os pesquisadores estão muito atentos à realidade de que quanto mais alguém tem interações individuais, de construção de relações, mais intensa é a utilização das redes sociais. O que quero dizer com isso é que o comportamento de se envolver responsavelmente e pessoalmente com quem você gosta tende a ser repetido durante o uso das mídias sociais, o que leva à maior sensação de bem-estar no momento. 

Você pode direcionar o uso das redes para o conteúdo pessoal e para atividades de construção de relacionamento. 

As pesquisas sugerem que o que importa não é apenas o que você publica, mas como as outras pessoas respondem ao que é valioso para você. Digamos que eu poste algo sobre um momento pessoalmente difícil. Todas as pessoas que me sustentam em meus relacionamentos podem fazer afirmações positivas e de apoio, como forma de mostrar simpatia em resposta à minha publicação. Isso pode ser mais trabalhoso, mas é importante. É um trabalho que podemos fazer para mostrar às pessoas que nos importamos com elas. 

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