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Preconceito
Glória Maria foi primeira no Brasil a usar lei contra racismo
Fato ocorreu nos anos 1970, quando a jornalista foi impedida por um gerente de entrar pela porta da frente de um hotel no Rio de Janeiro. O fato também foi relembrado pela jornalista em junho deste ano
O Povo
30/09/2020 | 11:49

Uma fala da jornalista Glória Maria, durante participação em uma transmissão ao vivo no canal do YouTube Glamurama, tem dado o que falar. É que, no vídeo que foi ao ar nesse fim de semana, ela se declarou contrária a “essa coisa do politicamente correto”. “Hoje tudo é racismo, tudo é preconceito”, avaliou.

Lei Afonso Arinos

Entretanto, o recorte que a apresentadora usou desta vez para destacar a forma como encara o racismo não é o único pelo qual ela enxerga a questão. É que, em outras entrevistas e depoimentos, Glória Maria falou sobre as diversas situações de racismo a que foi exposta. Há exatamente um ano, por exemplo, ela compartilhou uma publicação no Instagram em que dizia ter sido a primeira pessoa no Brasil a usar Lei Afonso Arinos — primeira norma do país que considerava a discriminação racial contravenção penal, criada na década de 1950.

O fato ocorreu nos anos 1970, quando a jornalista foi impedida por um gerente de entrar pela porta da frente de um hotel no Rio de Janeiro. O fato também foi relembrado pela jornalista em junho deste ano, quando a Globo exibiu um programa especial sobre o debate racial.

“Racismo é uma coisa que eu conheço, que eu vivi, desde sempre. E a gente vai aprendendo a se defender da maneira que pode. Eu tenho orgulho de ter sido a primeira pessoa no Brasil a usar a Lei Afonso Arinos, que punia o racismo, não como crime, mas como contravenção. Eu fui barrada em um hotel por um gerente que disse que negro não podia entrar, chamei a polícia, e levei esse gerente do hotel aos tribunais. Ele foi expulso do Brasil, mas ele se livrou da acusação pagando uma multa ridícula. Porque o racismo, para muita gente, não vale nada, né? Só para quem sofre”, relatou à época.

Politicamente correto

Na entrevista que levantou a polêmica, Glória Maria falava sobre o contexto da televisão e como ela, pessoalmente, achava os novos padrões morais “basicamente um saco”, criticando também as pessoas que denunciam assédios nos ambientes de trabalho.

“Tudo é assédio e está chato. Eu estou há mais de quarenta anos na televisão, já fui paquerada muitas vezes, mas nunca me senti assediada moralmente. Eu acho que o assédio moral é uma coisa clara, não tem dubiedade. Não tem como você interpretar. O assédio é uma coisa que te fere, é grosseiro, te machuca, te incomoda, te desmoraliza. Agora, a paquera… Pelo amor de Deus”, colocou.

A jornalista usou mais uma vez a experiência pessoal para validar o ponto. “Os homens estão com medo de paquerar. Caramba, eu quero ser paquerada ainda, gente. Estou viva. Mas, existe uma cultura hoje que nada pode”, considerou.

Para Glória Maria, é preciso que as pessoas saibam discernir as coisas. “Nós, mulheres, sabemos fazer bem a diferença de uma paquera para um assédio, para um abuso sexual. Se a gente não tiver a capacidade de ver isso, de observar isso, caramba, por que a gente chegou até aqui? Então, eu acho que tem que ter uma diferenciação mesmo. Não dá para você generalizar tudo”, ponderou.

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