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Geraldo Ferreira
Geraldo Ferreira: A revolução sexual e suas ilusões
Leia o artigo de Geraldo Ferreira nesta quinta-feira 24
Geraldo Ferreira
24/02/2022 | 09:18

Wilhelm Reich, psiquiatra, sustentava: “a opressão sexual está a serviço da dominação de classe. Esta se reproduziu ideologicamente e estruturalmente nos dominados e constitui, nesta forma, a força mais poderosa e menos conhecida de toda espécie de opressão”. Para reverter tamanha injustiça, escrevem Agustin Laje e Nicolás Márquez, em O Livro Negro da Nova Esquerda, a revolução marxista deveria passar não somente pela luta de classes, mas também por uma revolução sexual, que consistiria em desencadear paixões eróticas e promover a infidelidade com a consequente destruição da família. O sexo livre constituiria elemento de grande eficácia revolucionária de transformação da sociedade. A obsessão dos tempos modernos na sexualidade vem como fruto da cooptação da revolução sexualizante pela ideologia da esquerda. O continuador e aperfeiçoador da obra de Reich e de suas amalucadas investigações orgásmico-científicas foi Herbert Marcuse que culpabilizava o capitalismo pelo contexto sócio cultural repressor, que censura e obstaculiza o prazer, para que o homem tenha que trabalhar todo dia para produzir e subsistir, desviando sua libido para o trabalho e lucro dos poderosos. Outro passo viria com Michael Foucault, que nos anos 60 transpôs a relação de exploração e domínio econômico que o marxismo sustentava para os laços das relações socioculturais interpessoais. Toda sua obra questiona as instituições onde os agentes do conhecimento ou da opressão atuam: igreja, medicina, hospitais, sistema judicial. Para ele, loucos, pervertidos e criminosos eram vítimas do sistema, dentro de um mecanismo de controle planejado. Seriam assim, por excelência, personagens para derrubar a ordem estabelecida e promover a revolução. Perguntado como imaginava o futuro da humanidade, se entusiasmava com a possibilidade de um mundo marcado por “drogas, sexo e comunas”. Em paralelo corria o mundo real. A descriminalização do aborto na Rússia veio em 1920, como um novo capítulo da ideologia da engenharia social eugenista. Alexandra Kollontai, revolucionária e teórica do marxismo, militante ativa da revolução Russa de 1917, aplaudiu a ideia como libertadora. Fingia desconhecer que as principais vítimas do aborto eram os menos favorecidos, num verdadeiro extermínio dos filhos da classe trabalhadora. Para Kollontai, o casamento era uma jaula que precisava ser destruída pela libertação feminina, o fim da família, com a libertação sexual triunfante, era sua obsessão. A dura escola da experiência mostrou o peso das ilusões da revolução sexual, em 1936 Stálin voltou a criminalizar o aborto, em 1937 Volfson propôs a volta do casamento monogâmico. Kollontai lamentava “nossa época romântica está completamente acabada”. Nos anos 1960 novos revolucionários empunhariam de volta a bandeira da libertação sexual, com os resultados que se abatem sobre a modernidade, pornografia, prostituição, que uma epidemia de mães adolescentes, mães chefes de família, homens que não assumem as responsabilidades financeiras com os filhos. A revolução que libertaria as mulheres dos homens e as crianças da opressão de suas famílias as transformou em vítimas. A paixão sexual se move como um vampiro, registra Michael Jones em Libido Dominandi, há a exaustão da morte num ciclo vicioso, compulsivo e viciante, “o desejo, a fome por aquilo que falta ao vampiro, que é temporariamente aliviada pelo sangue fresco, uma busca sem fim de novos parceiros e vítimas, em um escape momentâneo do sentimento de isolamento e inadequação”. A sociedade moderna se confronta entre conformar os desejos às verdades da ordem moral e reformar o mundo para que se encaixe em seus desejos. Com frequência, o mundo capitula aos desejos desordenados, a licenciosidade sexual vive em confronto com o autocontrole, a sexualização da cultura desmantela a sociedade baseada na lei moral. Se a moralidade é uma forma de repressão, a razão é repressiva. Ser livre seria se deixar dominar pelos apetites, impulsos e paixões. Michael Jones conclui: “a liberdade desse tipo, como os antigos perceberam muito bem, é uma forma de escravidão”.

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