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Coluna
Fontes falam em off para jornalistas: expressão pode ser traduzida livremente como “fora do registro”
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira 17
Marcelo Hollanda
17/08/2021 | 07:44

Segredos escancarados

Não é de hoje que as fontes falam em off para jornalistas. A expressão inglesa pode ser traduzida livremente como “fora do registro”, uma informação passada por fonte protegida pelo sigilo de imprensa e que às vezes ajuda a desnudar um “bastidor” ou contar uma história secreta, que se dá longe dos holofotes públicos.

Pode servir também este off a finalidades escusas, como manipular informações a serviço de interesses, sempre com objetivos favoráveis à fonte dessa informação ou não: apenas se tratar de alguém bem informado e disposto a falar sem aparecer.

De qualquer maneira, é algo que alguém conta para que o outro saiba e não divulgue o que é uma bobagem, pois do contrário não teria revelado. E o jornalismo está repleto disso: de bons e maus offs, de vazamentos extraordinários ou de fofocas sem a menor base na verdade.

Hoje, a maioria das notícias comentadas na TV é fruto de pequenas inconfidências que ajudam a compor os fatos que se desenrolam no dia a dia do poder e em outros setores da vida, como o corporativo, onde o vazamento de certas informações pode derrubar ou valorizar ações de uma empresa na Bolsa.

E, é claro, tem sempre quem ganhe com isso. Com as redes sociais pautando boa parte do noticiário e políticos e outras personalidades públicas mandando recados para provocar as reações desejadas, o jornalismo ficou mais fácil de fazer e as verdades mais difíceis de perceber.

Mas os offs continuam um instrumento valioso do jornalismo, desde que bem usados. Há um deles publicado por veículo de Brasília, envolvendo o Procurador-geral da República, Augusto Aras.

Diz o seguinte: “Numa das conversas, com um senador que pediu que seu nome fosse mantido em sigilo, Aras ouviu a crítica de que não estaria atuando de maneira eficaz para proteger a democracia de Bolsonaro. Foi nesse momento que Aras disse que as ações de Bolsonaro percebidas como antidemocráticas constituiriam crimes de responsabilidade e, portanto seria missão da Câmara decidir ou não atuar”.

Tudo isso porque, prestes a ser reconduzido à PGR pelo presidente, Aras vem conversando com os senadores que em breve irão aprovar seu nome, num ritual sempre previsível e sem muitos mistérios.

E Aras, em dois anos, já fez por merecer a fama de guardião dos interesses do governo e perseguidor de críticos. Entre eles, o professor da USP Conrado Hübner Mendes, que ele processou pelos crimes de calúnia, injúria e difamação por tê-lo chamado de Poste Geral da República.

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