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Pandemia
Fiocruz alerta para o agravamento do risco de transmissão de Covid-19 com circulação da variante Delta
Em boletim, pesquisadores destacam taxas de mortalidade e incidência de casos ainda preocupantes e apontam que a proporção de idosos em índices de internações em UTI e óbitos pela doença volta a crescer
O Globo
06/08/2021 | 17:43

A nova edição do Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz, publicada nesta sexta-feira, aponta que, apesar das taxas de mortalidade e incidência de casos terem diminuído no Brasil, os números ainda preocupam. O estudo também alerta para o agravamento do risco de transmissão da doença com a nova variante Delta e destaca uma possível reversão no processo de rejuvenescimento da pandemia no Brasil, com taxas de internações em leitos de UTI e óbitos voltando a concentrar um maior número de idosos.

A taxa de mortalidade por Covid-19 no país diminuiu 1,3% ao dia e a incidência de casos da doença foi reduzida em 0,3% por dia. Os pesquisadores da análise acreditam que a boa notícia pode ser resultado das campanhas de vacinação, mas ressaltam que, embora pareçam animadores, os números seguem preocupantes.

— Os dados nos dão um certo respiro, mas não nos dizem que a situação está sob controle. Ao contrário, precisamos insistir mais do que nunca nos métodos disponíveis para mitigar a pandemia — diz Raphael Guimarães, um dos pesquisadores responsáveis pelo boletim.

A positividade dos testes ainda segue alta, o que significa dizer que há intensa circulação do vírus. Já a taxa de letalidade — que mede a porcentagem de pessoas infectadas que evoluem para óbito — está em torno de 2,8%, patamar elevado em relação a países que adotam medidas de proteção coletiva, testagem em massa e cuidados intensivos para doentes graves.

“O elevado patamar de risco de transmissão do vírus Sars-CoV-2 pode ser agravado pela maior transmissibilidade da variante Delta, em paralelo ao lento avanço da imunização entre os grupos mais jovens e mais expostos, combinado com maior circulação de pessoas pelo retorno das atividades de trabalho e educação”, explica o estudo.

O Observatório ressalta que a vacinação não protege integralmente as pessoas de serem infectadas e transmitir o vírus, fator que pode se tornar um risco adicional com a nova variante. Com isso, destaca a necessidade de ampliar e acelerar a imunização, além de combiná-la com o uso de máscaras, distanciamento social e reforço da atenção primária à saúde.

O percentual de internações de idosos por Covid-19 voltou a ser mais alto. O índice, que já esteve em 27,1% em junho, hoje é de 37,5%. No caso da proporção do número de óbitos, que marcava 44,6% há dois meses, hoje está em 62,1%. A análise ainda indica redução importante da proporção de internações nas faixas etárias de 50 a 59 anos e uma diminuição discreta na faixa de 40 a 49 anos.

— Quando a vacinação estava mais avançada em idosos, tivemos um processo de rejuvenescimento da pandemia, com o deslocamento de casos mais graves e óbitos para pessoas mais jovens. Agora, com uma cobertura mais uniforme de imunização, vemos uma redução das internações de forma geral. Como a idade é um fator de risco independente para a gravidade por Covid, proporcionalmente, há mais idosos internando — explica Guimarães.

Os pesquisadores do estudo, no entanto, destacam que a conclusão sobre a mudança apontada no perfil da pandemia no Brasil ainda é precoce, mas deve ser acompanhada de perto nas próximas semanas.

Ocupação de leitos

As taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS continuam melhorando, segundo o boletim da Fiocruz. Dezenove estados se encontram fora da zona de alerta, ou seja, registram taxas de ocupação inferiores a 60%. Dentre eles está todo a Região Nordeste do país, o Norte, com exceçao de Tocantins, o Sudeste, exceto pelo Rio de Janeiro, e o estado do Paraná, localizado na Região Sul.

Outros seis estados e o Distrito Federal estão na zona de alerta intermediário (taxas de ocupação iguais ou superiores a 60% e inferiores a 80%) e somente um estado, Goiás, na zona de alerta crítico, com taxa superior a 80%.

Entre 26 de julho e 2 de agosto, destacaram-se negativamente a expressiva elevação do indicador de taxas de ocupação de leitos por Covid-19 em Cuiabá (55% para 74%), Fortaleza (55% para 65%), Belo Horizonte (58% para 60%), Rio de Janeiro (90% para 94%) e Campo Grande (67% para 74%).

As quedas no indicador atingiram pelo menos cinco pontos percentuais em Roraima (68% para 58%), Pará (61% para 54%), Tocantins (71% para 64%), Maranhão (65% para 57%), Paraíba (34% para 26%), Alagoas (46% para 26%), Sergipe (45% para 37%), Minas Gerais (56% para 51%), São Paulo (55% para 49%), Paraná (64% para 59%), Rio Grande do Sul (65% para 60%) e Distrito Federal (83% para 61%).

Guimarães aponta a vacinação como uma das principais razões dessa melhora e salienta:

— Ainda temos uma quantidade razoável de faltosos da segunda dose. Precisamos reforçar a ideia de que a primeira, sozinha, não confere imunidade. Se não mantivermos o ciclo de imunização completo e medidas de prevenção de forma consistente, podemos ter um retrocesso.

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