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Coluna
Finalmente, André Mendonça chegará lá?
Confira a coluna de Alex Viana desta quarta-feira 7
Alex Viana - Interino: Marcelo Hollanda
07/07/2021 | 09:05

Poucas horas depois do presidente Jair Bolsonaro dizer a correligionários que indicaria o nome de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal em substituição ao decano Marco Aurélio Mello, o terrivelmente evangélico Advogado Geral da União do governo já era visto almoçando nesta terça-feira com senadores que em breve irão sabatiná-lo para o cargo.

É a segunda vez que Mendonça é visto em peregrinação pelos gabinetes de Brasília angariando simpatias para o seu conhecido postulado ao emprego vitalício no STF, depois da surpreendente nomeação de Kassio Nunes Marques ao lugar do ministro Celso de Mello.

A razão é que Mendonça chegou a ocupar o comando do Ministério da Justiça no lugar de Sérgio Moro, que caiu atirando contra o governo, já de olho no cargo de Celso de Mello, o que não aconteceu pelo fato de Bolsonaro não ter conseguido emplacar Alexandre Ramagem Rodrigues, Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), para a vaga.

O anúncio de que indicaria André Mendonça para o STF, a despeito de resistências ao nome dele no Senado, adia o sonho de outro fiel escudeiro do presidente, o Procurador Geral da República, Antônio Augusto Brandão de Aras.

Na fila do gargarejo, ele ainda pode contar com a renovação de seu mandato à frente da PGR, função absolutamente estratégica para impedir investigações contra o presidente, seus filhos e amigos. Mesmo assim, Aras sofre forte oposição até no âmbito do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Ramagen, Aras, Kássio, André, à parte suas diferenças, são basicamente dentes de uma engrenagem importante de contenção aos opositores de Bolsonaro, que crescem como capim marmelada na chuva. E o presidente faz valer até a última gota uma canetada sua, como se sabe.

O exemplo mais eloquente disso é o ministro Kássio, do STF, o ministro Kassio Nunes Marques, que já se posicionou ao menos 20 vezes a favor do governo desde que chegou ao tribunal há poucos meses.

Além de decisões que beneficiaram o Palácio do Planalto, o magistrado votou de acordo com os interesses do chefe do Executivo na maioria dos julgamentos importantes dos quais participou.

Isso ocorreu, por exemplo, na análise das ações do ex-presidente Lula e no veto à reeleição do deputado Rodrigo Maia (sem partido-RJ) no comando da Câmara. Já em temas da economia, seu voto foi fundamental no caso da inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins.

Um conhecido jornalista de São Paulo chegou a perguntar se oito meses depois de nomeado qual a razão para tanta fidelidade de Nunes Marques para com Bolsonaro em se tratando de um cargo para o resto da vida dele.

Se permanecer a indicação de Bolsonaro ao STF – já que com o presidente nunca se sabe –, André Mendonça deverá cumprir um papel fundamental na manutenção de um projeto de poder do presidente ameaçado pelo declínio da popularidade e do fraco combate à pandemia.

Rede bolsotrumpista
Da mesma maneira que Bolsonaro busca um partido para chamar de seu, aliados buscam uma rede social para chamar de sua. E, ao que tudo indica, é o GETTR, uma plataforma de mídia social criada por Jason Miller, ex-auxiliar e porta-voz de Donald Trump.
Trata-se de uma versão beta da plataforma que estreou em 1 de julho de 2021, com visual e serviços semelhantes aos do Twitter. O processado blogueiro Allan dos Santos vem incentivando seus seguidores a aderirem ao novo site.
O problema dos bolsonaristas com as redes sociais como Twitter e Facebook é a quantidade de mentiras que eles contam sujeita a sanções dos administradores desses canais.

Mais um protegido
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, atendeu parcialmente esta semana um pedido do empresário Silvio Assis e garantiu ao lobista amigo do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), o direito de permanecer em silêncio durante depoimento à CPI da Covid ‘quanto aos fatos que possam incriminá-lo’.
A presença de Assis na CPI foi um pedido dos senadores por causa de sua suposta oferta de propina, feita ao deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), para agilizar a contratação do imunizante indiano Covaxin no Ministério da Saúde.

Leitão Vesgo
O deputado Federal Ricardo Barros (Progressistas), além de um antigo conhecido do presidente Bolsonaro dos bons e longevos tempos de Câmara Federal, é detentor de um apelido curioso.
Natural de Maringá, no Norte do Paraná, Barros é mais conhecido na sua terrinha pela alcunha de “Leitão Vesgo”. A despeito de alguma semelhança, que nesse caso é mera coincidência, o apelido refere-se a um leitãozinho gordo e faminto, que enquanto se atraca a uma teta da leitoa não tira os olhos da outra.
A propósito, Ricardo Barros teve destacada participação nos governos do PT e do ex-presidente Michel Temer, de quem foi Ministro da Saúde. Haja teta pra esse leitão!

Ideologia bruta
Diz a Folha de S. Paulo que a rejeição à chegada de forças à direita nas manifestações do último sábado contra o presidente Bolsonaro impôs um debate inoportuno para quem imaginava uma ampla frente ampla contra o presidente.
Depois que militantes do PCO (Partido da Causa Operária) partiram para cima de militantes do PSDB e, de quebra, vandalizaram algumas propriedades privadas, uma velha questão: quando mais extremada a ideologia mais ela se impõe como um cachorrinho gordo na ninhada.

Burrice bruta
Em comum, os partidários do PCO e o bolsonarismo têm em comum uma coisa, ou melhor, duas: a necessidade de ser poder hegemônico e a truculência. E é isso que aproxima perigosamente os dois campos ideológicos cuja paixão comum é por uma boa ditadura.

Ah, Simone!
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) segue brilhando na CPI da Covid. Depois de extorquir com delicadeza de um depoente o nome do deputado Ricardo Barros, ontem ela provou por A mais B que os documentos de importação da vacina Covaxin apresentados pelo governo em uma entrevista coletiva em 23 de junho deste ano foram forjados.
Isso mesmo: ela apontou uma série de erros variados para dizer apontar a fraudes grosseiras de documentos exibidos no mês passado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, e pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco.

Datena, de novo
O apresentador José Luiz Datena assinou, nesta segunda-feira, sua ficha de filiação ao PSL. O próximo passo da sigla é lançá-lo como pré-candidato à Presidência da República em 2022. Está na coluna de Bela Megale, de O Globo. Será?

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