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Avaliação
FHC diz que ‘terceira via não pode ser neutra, tem que polarizar também’
Ex-presidente da República defende que candidatura de centro não precisa ser encabeçada pelo PSDB
CNN
22/06/2021 | 17:25

Em entrevista exclusiva à CNN nesta segunda-feira 21, o ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB Fernando Henrique Cardoso disse torcer por uma aliança que dê viabilidade a uma “terceira via” eleitoralmente forte para o pleito de 2022 . Segundo FHC, essa opção não deve parecer “neutra” diante das possíveis candidaturas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas tem que saber “polarizar também”.

“E não é só não ser neutro. A terceira via não pode ser uma coisa opaca, neutra, porque aí ganham os polos. Tem que ser uma coisa que polariza também, que chame atenção para as questões fundamentais do país, inclusiva da democracia” , afirmou o tucano. “E não é uma pessoa que vai resolver isso, é um conjunto grande, somos nós todos, juntos, que podemos resolver isso”.

O ex-presidente também disse que essa opção eleitoral não precisa, necessariamente, ser encabeçada pelo PSDB, repetindo as palavras ditas pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) em uma videoconferência realizada no domingo 20.

Fernando Henrique, que no domingo completou 90 anos, disse preferir que o PSDB firme sua liderança nessa busca por um nome forte para 2022, mas afirmou que o partido não pode “menosprezar” outras opções de políticas. “É preciso que haja um certo esforço para que haja uma terceira via, senão não existe. Se for do PSDB, muito bem, se não for, temos que nos juntar”, caracterizados.

Questionado sobre a foto publicada pelo ex-presidente Lula após almoço com FHC semanas atrás, Fernando Henrique disse que respe “a força do presidente Lula”. “Ele se situa, ele sabe se colocar”, disse o tucano, esperando que também no PSDB surja um nome “que seja capaz de fazer a mesma coisa” que Lula.

“Mas, se não fizer [no PSDB] e o Lula fazer … Em política você não escolhe o adversário, o adversário existe”, disse FHC, para em seguida fazer um aceno ao petista: “Claro que sou do PSDB, sou presidente de honra e prefiro [o PSDB], mas se o Lula para capaz de se expressar de uma maneira, e não havendo outro, o que eu posso fazer? “, disse. Recentemente, Fernando Henrique criou que, em caso de segundo turno que oponha Lula e Bolsonaro em 2022, caracterizado pelo primeiro nome.

Bolsonaro e democracia

O ex-presidente da República voltou a afirmar que a democracia brasileira não corre, sob Bolsonaro, um risco concreto, e disse não acreditar que o atual presidente prevaleça “se anterior contra a democracia”. Apesar disso, FHC disse que a situação atual “pode ​​deslizar”.

“Eu, sinceramente, não acredito que o presidente Bolsonaro, que é quem exerce o poder hoje, tenha uma visão de corrupção da democracia, que deseje acabar com uma democracia. Mas ele, sem querer, pode … a dinâmica política pode levar a isso “, analisou. Fernando Henrique disse não achar que “Bolsonaro está preparando um golpe”, mas ressaltou que golpes “às vezes acontecem, o processo pode levar [a isso]”.

Sobre os militares que trabalham no governo federal, Fernando Henrique afirmou que um eventual “exagero de presença de militares” constitui um risco para a imagem das Forças Armadas “porque pode haver a leitura de que são elas como responsáveis ​​pelo governo”.

Impeachment

Questionado sobre a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro sofrer um processo de impeachment, Fernando Henrique Cardoso disse que o chefe do Executivo “está se arriscando”, sem entrar a que se referia. O ex-presidente afirmou que não deseja “que se vá por esse caminho” porque impedimentos presidenciais deixam “marcas”.

Além disso, avaliou FHC, não há, no momento, um movimento político forte o suficiente para impor a pauta de impeachment, e como manifestações populares que pedem o impedimento de bolsas ocorridas até o momento “não foram tão fortes assim”.

Lava Jato e Sergio Moro

Antes um entusiasta da operação Lava Jato, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ver erros de conduta por parte do ex-juiz Sergio Moro, que deixou o Judiciário para se tornar ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro. Para o ex-presidente, Moro “talvez tenha exagerado ao participar tão intensamente da vida política”.

“Acho que teria sido melhor para ele ficar um pouco mais atraente, não ter exercido cargos políticos”, opinou o tucano. “Eu o conheço pouco, mas eu acho que ele não tem como exigência para ser um agente público político”.

De acordo com FHC, Sergio Moro foi “um juiz competente”, e “é melhor guardar a memória de um bom juiz do que um político vacilante que não sabe se está aqui ou se está lá, e eu lamento dizer o que estou dizendo “, concluiu.

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