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Marcelo Hollanda
Festival de recuos do governo Bolsonaro bate prognósticos
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quarta-feira 19
Marcelo Hollanda
19/01/2022 | 09:48

Não se blefa com fichas dos outros
Não se exige certeza absoluta sobre nada, mas o festival de recuos do governo Bolsonaro bate todos os prognósticos quando o assunto é falta de credibilidade.

Até um medíocre jogador de pôquer sabe que repetir um blefe expõe a insegurança de jogadas futuras. Assim, quando a mão for boa de verdade, de nada adiantará porque todos fugirão da mesa.

Bolsonaro está mexendo com fogo quando deixa clara sua predileção por um setor da sociedade em detrimento dos outros.

Quando esta predileção foca num segmento do funcionalismo, os demais ficam irritados, forçando jogadas arriscadas por parte de quem propõe a aposta.

Considerando o articulado lobbie da elite dos servidores, possível (não, quase certo) que se contrarie também os grandes apostadores habituados ao ‘ganha-ganha’ de suas categorias.

Aí o problema é grande porque, além da galera descamisada da esmagadora maioria do funcionalismo público, você contraria poderosos estamentos estatais que sabem como atrapalhar a vida de governantes de plantão.

Bem a propósito disso, o jornalista Bruno Bogossian, mais conhecido no meio como BR, está entre os observadores que se dedicaram – e eles não são poucos – a analisar a enorme enrascada que Bolsonaro criou para si próprio ao privilegiar com aumentos apenas os setores militares, ignorando o resto.

Lembra BR o que é óbvio, ululante, mas necessário recordar: com pouco dinheiro em caixa, Bolsonaro fez um agrado a um pilar importante, porém limitado de sua base política, E colheu uma insatisfação monstruosa dos demais setores do serviço público federal.

Isso, sem ignorar outras instâncias em dezenas de estados e milhares de municípios que observam a vida na planície (para não dizer planalto).

Agora, esses grupos emparedam Bolsonaro com sua ruidosa insatisfação, sendo acompanhados por categorias privilegiadas que, embora vivendo o céu na terra, habituaram-se a querer sempre mais.

Então, é lícito perguntar, o que deseja Bolsonaro com isso, exceto promover quarteladas num futuro próximo se as urnas não lhe sorrirem mais como em 2018?

Sabe-se o grau de responsabilidade do mandatário e de suas aspirações golpistas baseadas no aparelhamento militar do governo federal e, tendo mais tempo, do judiciário.

Sabe-se perfeitamente que em nome da manutenção no poder ele entrega tudo, haja vista o orçamento federal, razão da inesperada fidelidade do centrão no Congresso.

Sabe-se que o dito cujo é especialista em abandonar os aliados de primeira hora para comprar apoio político a peso de ouro alheio.
Sabe-se que ele colocou todas as fichas na mesa e se perder tudo não vai honrar a conta.

Sabe-se que se trata de um blefador compulsivo e o que ele diz não vale uma cédula de dois.

Agora, façam suas apostas.

Engano
Está enganado quem acha que Bolsonaro não seduziu boa parte das Forças Armadas e também seu braço auxiliar, a Polícia Militar, cujo contingente tem pelo menos 300 mil homens (e mulheres) a mais. Está igualmente enganado quem pensa que aquela carta do Almirante Barra Torres, presidente da Anvisa, pedindo que Bolsonaro prove o que disse ou se retrate, como cabe a um homem de bem fazer, calou fundo entre os fardados. Na verdade, com honrosas exceções, a carta foi odiada majoritariamente pelos militares e seu autor acusado de traidor. É por essas e outras que Bolsonaro quer dar mais esse privilégio para as fardas.

Qual a questão
Quando não se vê esposas de militares gritando nas ruas contra os soldos insuficientes dos maridos, é porque a coisa anda boa em casa. Justo: trata-se de uma categoria merecedora de todas as honras. O problema, como sempre, é que eles não estão sozinhos no mundo. O quadro de carência e miséria no entorno os tornou uma exceção à regra. A questão é saber quão arriscado é conceder tanto a um agente pago pelo Estado para portar arma.

Presente e passado
Quando a campanha eleitoral for ganhar as ruas, prepare-se para o chumbo grosso. Para os apoiadores do presidente Bolsonaro, um mestre em produzir provas contra si mesmo e deixar gravado, a alternativa será escavar escândalos do passado dos governos do PT (e não são poucos). Um deles é o obscuro assassinato do prefeito de Santo André, em São Paulo, Celso Daniel, cujo corpo foi encontrado numa estrada rural no município de Juquitiba, na Região Metropolitana, com sinais de tortura. Quem se lembra bem do episódio, que remonta ao começo de 2002, sabe que ele levantou muitas suspeitas sobre uma banda podre do PT ligada à extorsão de empresas de ônibus, prática a qual infelizmente Celso Daniel teria sido um arquivo descartado.

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