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Editorial
Feito para trair
Redação
18/05/2020 | 05:00

Parlamentares do Centrão que se aproximaram recentemente do presidente Jair Bolsonaro têm defendido a permanência do general Eduardo Pazuello depois da saída de Nelson Teich, o Breve, no Ministério da Saúde -pelo menos até que acabe a pandemia.

Quem conhece o Centrão, como é o caso do presidente, que passou décadas em nove diferentes partidos políticos no Congresso, que o compre.

Os militares, não.

Há entre eles quem já vislumbre o perigo da permanência de Pazuello jogar no colo da instituição o fracasso do combate à pandemia, num governo claramente negacionista do isolamento social.

Já para o líder do governo no Congresso, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), o general é a pessoa ideal para organizar a parte de logística e apoio aos estados, essencial durante a crise do coronavírus.

Além disso, alega, o militar não criaria problemas para endossar qualquer coisa que Bolsonaro veja como prioridade na pasta.

É só mandar e ser obedecido.

Não é à toa que o Centrão é menos conhecido por suas bandeiras do que pela característica de se aliar a governos diferentes, independentemente da ideologia.

A origem do termo apareceu na Constituinte de 1988 e se refere a um grupo de congressistas que formou uma maioria capaz de mudar o jogo no Congresso sempre que o dono da caneta precisa da alcateia.

Unidos como hienas, eles podem até agregar figuras desprezíveis oriundas do mais puro fisiologismo, como também quadros respeitados que, por qualquer razão, deixaram as luzes da ribalta, mas não o conhecimento e a influência nos labirintos do Poder.

Mesmo negando essa corrente poderosa no Congresso para se eleger, Bolsonaro, que queimou a sua nau ao implodir o PSL, sabe que precisa dessa força da natureza política para sobreviver.

Mas sabe também que ela foi feita para trair, tão certo como um dia vem depois do outro, com uma noite no meio.

Feitos para a guerra, os militares, por sua vez, sabem que no terreno movediço da política eles ainda têm muito a aprender, mesmo com um capitão quase expulso por agitação e insubordinação no comando.

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