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Denúncia
Família diz que polícia não socorreu jovem homossexual que desapareceu em rio
Luís Carlos Almeida, de 19 anos, sofria de problemas psicológicos e morreu após entrar em rio do município. Ao G1, a família do jovem afirma que ele foi vítima de omissão de socorro por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A PRF nega
G1
07/06/2021 | 14:49

A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-MA) do Maranhão vai investigar a morte de Luís Carlos Sousa de Almeida, de 19 anos, que aconteceu na última sexta-feira 4, em Porto Franco, a 720 km de São Luís. A família do jovem afirma que ele foi vítima de omissão de socorro por parte de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A PRF nega.

Luís Carlos era homossexual e sofria de problemas psicológicos. Ao G1, Cirlei Almeida Martins, tia da vítima, explica que após um surto psicótico, ele se despiu e saiu de casa. Luís Carlos chegou a andar nu por cerca de 2 km, passando pelas principais ruas da cidade.

A situação chegou a ser filmada por alguns moradores da cidade. Em determinado momento, Luís Carlos aparece ao lado de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Segundo Cirlei Almeida, mesmo não aparentando estar em boas condições psicológicas, o jovem não foi impedido. Minutos depois, Luís Carlos entrou em um rio da cidade e não foi mais visto. O corpo da vítima foi encontrado na tarde de sábado 5.

Para a família, Luís Carlos foi vítima de omissão de socorro e em seus últimos momentos de vida, ainda foi alvo de piadas e comentários homofóbicos por parte de moradores do município.

“Estou aqui para falar da minha revolta em relação a omissão de socorro. Um jovem que sai pela cidade pelado é aparente que ele não está bem. E aquelas pessoas que deveriam nos dar apoio e segurança foram omissas. Ele teve uma morte escoltada e assistida. Várias pessoas ficaram atrás dele chamando de louco, sorrindo e ninguém o ajudou. Vimos as imagens de segurança de uma empresa e pudemos ver muitas motos atrás, gritando, sorrindo e acelerando para ver até onde ele entrava na água e ninguém, ninguém o socorreu”, disse Cirlei.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) nega que tenha omitido socorro a Luís Carlos e afirma que uma equipe que estava de plantão na BR-010 tentou prestar auxílio ao jovem, que chegou a rejeitar ajuda dos agentes.

Segundo a PRF, os policiais continuaram fazendo “batedor” para resguardar a integridade física do jovem. Entretanto, Luís Carlos teria entrado em uma área particular e não foi mais visto, devido a escuridão do local. A PRF afirma que chegou a fazer algumas buscas a pé, mas não conseguiu localizar o jovem.

A PRF explica, ainda, que ainda tentou contato com a Polícia Militar do Maranhão (PM-MA), responsável pela escolta da área, mas os policiais militares não puderam se deslocar, já que a viatura estaria em outra missão.

Cirlei Almeida diz que a família se sente ‘humilhada’ devido a falta de amparo do poder público e clama por justiça.

“A família não quer que isso passe impune. Isso não vai trazer o Luís de volta, mas a gente não quer que isso aconteça com outras famílias, então isso não pode ficar impune. Tem culpado, tem culpado sim. Eles poderiam ter feito alguma coisa sim. Nos ajude, nós clamamos por socorro. Nos sentimos massacrados, humilhados e queremos justiça. Nós queremos justiça. Nós estamos tristes pela perda e chateados pela omissão de socorro”, concluiu.

Investigações

Após a repercussão do caso, o caso chegou até a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) do Maranhão. Por meio de nota, a secretaria informou que acompanha o caso por meio da coordenação Estadual da Política LGBT, da Ouvidoria de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Juventude e da Superintendência de Combate à Violência Institucional (SCVI).

A secretaria afirmou, também, que o CRAS do município de Porto Franco será acionado, para tomar as devidas providências em relação ao caso.

A Prefeitura de Porto Franco, em nota, lamentou a morte de Luís Carlos. Segundo a prefeitura, o município entrou em contato com o comando-geral do Corpo de Bombeiros, solicitando apoio das unidades de Estreito e Imperatriz, na realização de buscas na Beira-Rio. O caso também será acompanhado pela entidade.

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