BUSCAR
BUSCAR
Educação
Falta de estrutura e recursos insuficientes afetam retomada das aulas na Escola Winston Churchill
Instituição tem 472 alunos matriculados, em tempo integral
William Medeiros
16/11/2021 | 09:12

A Escola Estadual Winston Churchill é mais uma que retomou as aulas 100% presenciais com dificuldades. Segundo a direção apontou na sexta-feira 5, os principais desafios são a falta de estrutura, recursos insuficientes e problemas na saúde mental de alunos e professores. A instituição tem um total de 472 alunos matriculados, atendendo estudantes do ensino médio em tempo integral.

A escola recebe regularmente recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), Programa de Autonomia da Gestão das Unidades Escolares (Pague) e o Pague extra, destinado para conter a covid-19 durante a retomada. Este último benefício serviu para compra de máscaras, instalação de totens, pias, bebedouros e demais medidas de sanitização. “Inicialmente o recurso foi para comprar os dispositivos que seriam utilizados no dia a dia, mas não eram suficientes. Tanto é que a gente foi complementando com os recursos que vieram posteriormente, foi comprando insumo para manutenção”, disse o diretor Fernando Francelino.

A direção aponta que a escola é grande, atende muitos alunos e atua em tempo integral. Por isso, consideram importante uma disponibilidade maior de recursos para poder atender os alunos e professores de uma maneira mais ativa.

Ainda foi necessário realizar pequenos reparos para que os dispositivos instalados pudessem funcionar da maneira correta. “Fizemos tudo que a secretaria solicitou. Se vier uma fiscalização, a gente fez tudo, prestação de contas, tudo ok. Só que o recurso que vem exclusivo para enfrentamento da covid, o Pague extra, não foi o suficiente”, disse a ex-diretora Maria Eliane. Com isso, a instituição utilizou os recursos do Pague normal, destinado para comprar material para a escola, para complementar a compra dos materiais contra a covid-19.

Sobre o assunto, a Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer (SEEC) emitiu o seguinte comunicado: “Para a adoção dos protocolos de biossegurança, a SEEC investiu R$ 12 milhões. Esse recurso foi encaminhado para a compra de itens e adequações, sendo distribuído conforme o número de estudantes. Foi um recurso extra e que foi pago a todas as unidades. As unidades de ensino que encontrem dificuldade na utilização do recurso, podem consultar a equipe técnica da respectiva Diretoria Regional de Ensino”.

De acordo com a direção, todos os protocolos sugeridos pelo Estado estão sendo tomados.

Dispensers e totens de álcool espalhados por toda escola, os bebedouros foram trocados pelo modelo com torneira, conscientização para o uso da máscara e manutenção das medidas de higiene.

Falta de estrutura

Os relatos de problema na estrutura da escola tem sido diários segundo a direção. “Nosso maior desafio é a parte estrutural da escola porque a nossa escola tem 52 anos, não é uma escola nova”, disse a ex-diretora e coordenadora administrativa-financeira, Maria Eliane.

“Nós temos uma cozinha, que não tem reforma, nós mantemos ela através de manutenção. Se quebrar uma torneira, a gente troca. Mas a cozinha é pequena para o número de demanda que nós temos, é muito pequena. Então, a parte estrutural da escola é o que nos trava. Eu não abro mão de dizer isso, porque quebra trinco, quebra porta, quebra coisa de banheiro e a gente compra material. Isso é diário. Nós não podemos desviar o recurso que vem para fazer uma reforma, porque ele é carimbado”, complementou a ex-diretora.

“Para se ter ideia, com todo esse alunado e dois andares, a gente só dispõe de banheiro em um andar. O banheiro não é tão grande e, mesmo assim, nem todas as cabines funcionam adequadamente, seja pela idade da estrutura, seja até pelo mau uso também”, complementou o diretor Francisco Francelino.

Sobre o assunto, a SEEC foi contatada, mas não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.

Tempo integral

O diretor também relatou que o modelo de tempo integral não é regulamentado e funciona através de portaria, causando insegurança por parte da comunidade educacional. “Se amanhã o estado entender que o integral está sendo oneroso, mesmo que não seja, e a gente sabe que o que não é política de estado não tem força, acaba sem aviso prévio. Tanto vai mexer com a vida desses jovens, mas também mexe com a vida do profissional”.

O Agora RN entrou em contato com a SEEC para falar sobre o assunto e a resposta foi a seguinte: “A Lei do Integral está em tramitação e deve ser concluída ainda neste ano. A SEEC vem garantindo, desde o início da adoção da educação em tempo integral no ensino médio, que os recursos sejam encaminhados às unidades de ensino”.

Problemas com saúde

Por se tratar de uma escola de tempo integral, a unidade convive diariamente com os problemas pessoais dos alunos. “Quando o integral nos obriga a passar o dia todo com o aluno, ele também nos obriga a passar a absorver os problemas desses alunos e nós não somos psicólogos. Já tivemos colegas aqui que já desistiram porque não aguentaram determinados relatos, porque imagina só: você está dando aula para um estudante que vem para a escola, pois sabe que aqui vai ter comida. No final do dia, ele vai se encontrar com a mãe para dormir em um abrigo, porque não tem casa”, disse o diretor Francisco Francelino.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.