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Eleição
EUA: Apuração indica disputa equilibrada e Meio-Oeste decisivo como em 2016
Rumo da apuração indica que os Estados do Cinturão da Ferrugem serão novamente o fiel da balança; Em 2016, a virada republicana no Michigan, Pensilvânia e Wisconsin surpreendeu em benefício de Trump
Estadão
04/11/2020 | 07:49

O início da apuração da eleição americana mostrou que a disputa entre o presidente Donald Trump e o democrata Joe Biden está mais acirrada do que se previa, com o Meio-Oeste novamente decisivo.

Dentre os Estados-pêndulo, onde o voto está em disputa neste ano, a Flórida foi o primeiro a ter os números conhecidos. Com 51,2% dos votos no Estado, Trump ganhou fôlego na corrida pela reeleição. Até as 5h, Biden acumulava 49,7% dos votos e 225 delegados. Já Trump tinha 48,6% dos votos e 213 delegados. São necessários 270 delegados para ganhar a Casa Branca.

Entre as corridas competitivas, o republicano garantiu a maioria dos votos em Ohio, um termômetro do Meio-Oeste, no Iowa e no Texas. Os democratas tinham esperanças nos quatro Estados, mas a vitória do republicano estava dentro do previsto. Biden, por sua vez, deve conseguir virar o Arizona, que só havia votado em um presidente democrata uma vez desde 1948. O ex-vice-presidente também ganhou Minnesota, a única tentativa de Trump de expandir o mapa eleitoral que lhe rendeu a Casa Branca em 2016.

O rumo da apuração indica que os Estados do Cinturão da Ferrugem serão novamente o fiel da balança. Em 2016, a virada republicana no Michigan, Pensilvânia e Wisconsin surpreendeu em benefício de Trump.

Desta vez, depender dos Estados do Meio-Oeste significa incerteza sobre quando os resultados serão conhecidos, já que autoridades da Pensilvânia estimam que a apuração local pode levar alguns dias. A demora com o sistema de contagem após a eleição também aumenta a brecha para que Trump questione o resultado na justiça, algo que ele anunciou durante a madrugada que irá fazer.

Ganhar a Flórida, que tem 29 delegados no colégio eleitoral, era condição determinante para o republicano se manter com chances frente a Biden. Desde 1996, o candidato que tem a maioria dos votos no Estado é também o vencedor da eleição presidencial e a vitória ali costuma ganhar por margens apertadas.

Trump mostrou força entre latinos na Flórida, em patamar maior do que em 2016. A conquista do Estado jogou por terra a expectativa inicial dos democratas de ter uma vitória retumbante no início da noite e mostrou que a eleição está apertada. Biden ainda tem mais rotas para conquistar a marca de 270 delegados no colégio eleitoral do que Trump teria se perdesse a Flórida, mas ambos dependem do sucesso no Meio-Oeste.

Na campanha deste ano, Biden e Trump disputaram o voto dos latinos e dos idosos do Estado. Trump teve apoio entre os cubanos e venezuelanos que vivem na região de Miami e Doral, no sul do Estado, onde a retórica antissocialismo do republicano tem força.

Na Flórida, os votos antecipados pelo correio vão sendo contabilizados conforme são recebidos nas seções eleitorais. O Estado também não aceita cédulas pelo correio depois da eleição. Isso fez com que o resultado no Estado fosse conhecido ainda nesta noite. Neste ano, os americanos bateram recordes no voto antecipado, com 101 milhões de cédulas enviadas antes do dia 3 de novembro, sendo 65 milhões pelo correio.

Sem surpresas, Biden venceu nos Estados de Illinois, Virginia, New Jersey, Connecticut, Massachusetts, Vermont, Maryland, Delaware, Rhode Island, New Hampshire, Novo México e Nova York, Minnesota e um distrito do Nebraska. Já Trump levou os Estados de Oklahoma, Mississippi, Alabama, Tennessee, Kentucky, Virginia Ocidental, Carolina do Sul, Wyoming, Dakota do Norte, Nebraska, Arkansas, Louisiana, Texas, Ohio, Flórida e Iowa.

Recorde

A eleição entre Donald Trump e Joe Biden deve ter a maior taxa de comparecimento em mais de um século. Previsões do US Elections Project apontam para a presença de 160 milhões de eleitores, o que significará que 67% da população em idade para votar compareceu às urnas, um interesse histórico.

O clima de incerteza que dominou a manhã, quando o noticiário repercutia a ameaça de Trump de contestar a eleição e as preocupação com um eventual confronto civil, foi se dissipando no decorrer da tarde conforme a votação transcorria sem incidentes significativos.

As campanhas temiam um baixo comparecimento em razão da pandemia, mas os eleitores se mostraram determinados a votar em uma disputa polarizada, onde a fatia de indecisos nas semanas anteriores ficou abaixo de 5%.

A última vez que os EUA tiveram comparecimento superior a 65% foi em 1908, segundo o US Elections Projects, que é coordenado por Michael McDonald, da Universidade da Flórida. Mais de 101 milhões de eleitores votaram de maneira antecipada, antes mesmo de as urnas abrirem ontem.

Em 2016, a taxa de comparecimento foi de 55%. O baixo entusiasmo de negros, jovens e latinos na eleição passada – se comparado às eleições de 2008 e de 2012, quando Barack Obama foi eleito – foi um problema para os democratas. Neste ano, a campanha de Biden trabalhou para tentar convencer essa fatia do eleitorado a votar.

Diante das ameaças de Trump de que pretendia questionar judicialmente o processo de alguns Estados, os democratas passaram a pedir ao eleitorado que garantissem índices de comparecimento históricos para evitar a contestação da eleição. Seis Estados ultrapassaram o número de votos totais recebidos na última eleição antes da terça-feira: Texas, Colorado, Washington, Oregon, Havaí e Montana.

Os dados compilados pela organização Collective PAC sugerem o aumento do comparecimento de negros, segundo o New York Times. Ao jornal, o presidente da associação disse que os dados preliminares de Nevada, Geórgia, Carolina do Norte, Arizona e Texas mostram que mais negros votaram nesta eleição do que na de 2016, quando Hillary Clinton era a candidata. Ele não apostou, no entanto, se isso significará mais eleitores negros do que o registrado nas eleições de Obama.

Segundo pesquisa de boca de urna da emissora CNN, os dois motivos que mais incentivaram eleitores a votar neste ano foram a economia e a questão racial – mais do que a pandemia de coronavírus, que aparece em terceiro lugar na lista de preocupações.

Tranquilidade no dia da votação

Após um final de semana marcado por episódios de conflito entre eleitores dos dois lados, governadores de alguns Estados como o Texas chegaram a pedir, na segunda-feira, que homens da guarda nacional ficassem de sobreaviso para ajudar no caso de protestos violentos.

Eleitores de reuniram em frente à Casa Branca, na junção das ruas que ficou conhecida como praça Black Lives Matter Plaza desde os protestos de junho, onde esperaram pelos resultados com cartazes anti-Trump. “Queremos mostrar que vamos lutar para que todo voto seja apurado, que não haja judicialização”, disse Kyle Bibby, de 35 anos, de uma organização de veteranos progressistas chamada Common Defense.

No início da tarde, o juiz federal Emmet Sullivan, da capital americana, ordenou aos correios que fizessem uma varredura em busca de cerca de 300 mil votos que haviam sido enviados, mas não foram entregues. A medida afetava os centros de distribuição postal da Pensilvânia, Michigan, Detroit, Colorado, Geórgia, Texas, Alabama, Carolina do Sul, Flórida e Arizona.

Sullivan ordenou que a busca fosse realizada entre 12h30 e 15 horas (15h30 e 18 horas de Brasília) para “garantir que nenhuma cédula seja retida e todas sejam enviadas imediatamente para entrega”. A pressa é em razão de muitos Estados não aceitarem votos que cheguem após o dia da eleição.

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