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Declaração
“Eu e o Love”: mulher faz post dias antes de marido matar sogros e ela
Advogada Jaqueline Soares estava com os pais em casa quando os três foram assassinados a facadas supostamente por Jean Michel de Souza
Metrópoles
11/08/2021 | 17:24

Principal suspeito de matar a mulher e os sogros a facadas na cidade de Umuarama, no Paraná, na manhã de segunda-feira 9, Jean Michel de Souza Barros foi detido no mesmo dia, tendo sua prisão decretada e escolhendo se calar durante o depoimento.

Osnildo Carneiro Lemes, delegado da Polícia Civil do Paraná, afirmou que o suspeito “agia de uma forma extremamente calma e calculista”.

O casal Antonio Soares dos Santos, de 65 anos, e Helena Maria Marra dos Santos, de 59, foram encontrados mortos junto ao corpo da filha Jaqueline Soares, a advogada de 39 anos, na casa da família. “Assim que nossos policiais chegaram ao local do crime, a cena ali presente já indicava a possibilidade de não se tratar de crime patrimonial”, conta Osnildo Lemes.

De acordo com o jornal O Globo, o delegado confirmou que peritos e policial foram à casa da família e constataram que o local não havia sinal de arrombado e de nenhum tipo de violência.

“Os pertences das vítimas estavam em ordem, as jóias estavam organizadas, sem que fossem mexidas. Os armários, todos intactos. O que já descartava uma linha de investigação relativa a crime patrimonial. Aí as investigações ficaram centradas em cima de um autor exatamente porque o quadro ali apresentado demonstrava que o crime havia sido cometido por uma pessoa próxima da família”, descreveu.

Segundo Osnildo, os investigadores conversaram com o marido de Jaqueline durante o dia todo e perceberam contradições entre o depoimento dele e o que sua mãe falava.

“O suspeito, embora casado com a Jaqueline, estava separado há algum tempo, tentava uma reconciliação. Mas, em razão do temperamento agressivo do suspeito, não tinha sido possível”, revelou o delegado.

O perfil de Jean Barros foi analisado pela polícia. O delegado afirmou que ele “agia de uma forma extremamente calma e calculista. Foi possível detectar inclusive que ele já tinha sido submetido a algumas avaliações psicológicas, já fazia um tratamento”.

A advogada fez uma última postagem pública em seu perfil no Facebook no dia 3 de agosto deste ano, seis dias antes de ser assassinada. A postagem era composta por uma foto dela com Jean, abraçados, e pela legenda “Eu e o love [amor]”, acompanha de um emoji de coração.

Inúmeros comentários na foto lamentaram a terrível morte da família: “E imaginar que em menos de dez dias ele iria te matar”, afirmou uma pessoa. “Seis dias atrás. Imagina se ela ia imaginar uma coisa dessa”, comentou outra.

Publicação de Jaqueline dias antes de ser assassinada
Publicação de Jaqueline dias antes de ser assassinada

Uma funcionária da família encontrou os corpos de Jaqueline, Antonio e Helena quando chegou à casa para trabalhar. O casal estava na copa, enquanto a advogada estava dentro de uma banheira vazia. A polícia acredita que a filha do casal tentou se esconder no local. A funcionária passou mal e precisou receber atendimento médico.

Os policiais constataram que não havia sinais de arrombamento na casa e foram até a loja onde o suspeito trabalhava. A reação indiferente de Jean à notícia das mortes fez com que os agentes desconfiassem que ele seria o autor do crime.

Manchas de sangue foram encontradas no carro do suspeito, que foi apreendido, na lavanderia da casa onde ele estava morando e em um chinelo.

Além disso, os investigadores informaram que, segundo exame de necropsia, o corpo de Jaqueline era o que tinha mais marcas de perfurações, indicando que ela era o principal alvo do crime.

A polícia revelou que Jean Barros era agressivo, tinha muitos ciúmes da esposa e que ele havia se desentendido com os sogros.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Umuarama divulgou uma nota de pesar, lamentando a morte de Jaqueline e de seus pais. A instituição afirmou que está acompanhando, com quatro profissionais destacados, a investigação do crime.

A seguir, a nota na íntegra:

“É com grande pesar que a OAB Paraná recebe a notícia do assassinato da advogada paranaense Jaqueline Soares dos Santos, inscrita na seccional sob o nº. 84.031. Jaqueline e os pais foram vítimas de um triplo homicídio registrado na manhã desta segunda-feira 9, em Umuarama. Segundo informações preliminares, eles foram encontrados sem vida no imóvel onde viviam. Há suspeitas de homicídio e feminicídio

A seccional paranaense, por meio da OAB Umuarama, acompanha a investigação do caso. O presidente da subseção, Ricardo Janeiro, nomeou os advogados Alessandro Dorigon, Franciellen Carvalho, Danilo Valero e Bruna Scremin para acompanhar a apuração dos fatos.

“Estamos acompanhando de perto essa situação, pois se trata de uma colega, barbaramente morta, juntamente com seus pais. Lamentamos muito essa tragédia e nos solidarizamos aos familiares, em nome da advocacia paranaense. A princípio está descartada a morte por motivos profissionais, mas há suspeitas de feminicídio, o que, a se confirmar seria mais trágico e revoltante, especialmente em data tão próxima dos 15 anos da Lei Maria da Penha, ocorrido no último sábado”, frisa o presidente da Seccional, Cássio Telles”.

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