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Coronavírus
Estudo sugere que ivermectina pode reduzir mortalidade por Covid-19
Editora que vai publicar pesquisa, porém, é envolvida em polêmicas. Em 2015, publicou estudo que questionava existência do HIV, vírus que causa a Aids
Redação
01/03/2021 | 08:02

Um novo estudo científico, já revisado por pares, aponta que o uso do vermífugo ivermectina pode reduzir em até 75% o risco de hospitalizações e mortes por Covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus. O remédio tem sido defendido pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), no combate à pandemia.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, o estudo será publicado em breve no Frontiers in Pharmacology, um jornal científico americano considerado de baixa reputação entre a comunidade científica.

Em 2015, o mesmo jornal publicou um estudo que questionava a existência do HIV, vírus que causa a Aids. Vários outros estudos publicados no Frontiers foram rejeitados por tradicionais revistas científicas, como a Nature.

Apesar disso, a pesquisa indica que as evidências de que a droga funciona são tão fortes que a ivermectina – usada tradicionalmente para tratar piolhos e sarna – deveria se tornar uma terapia padrão em todos os lugares, acelerando assim a recuperação global da pandemia.

O co-autor do estudo, professor Paul Marik, diretor de emergência e atendimento pulmonar da Eastern Virginia Medical School, nos Estados Unidos, disse ao Daily Mail que “os dados são impressionantes”. “Se usarmos ivermectina amplamente, nossas sociedades podem se abrir”, afirmou ele, sem explicar ao jornal como chegou às conclusões.

Além deste, outros estudos sugerem que a ivermectina é eficaz contra a Covid-19. Entretanto, na maioria dos casos, para chegar à conclusão, os levantamentos consideraram apenas os resultados em laboratório ou uma dose muito alta do medicamento nos pacientes, acima dos limites previstos em bula.

O uso demasiado da ivermectina pode causar lesões no fígado. Médicos recomendam a realização de exames para analisar a função hepática após altas doses do remédio.

Uma pesquisa do professor Andrew Hill, da Universidade de Liverpool, por exemplo, chegou à conclusão que o vermífugo reduz as taxas de mortalidade em cerca de três quartos nos pacientes com coronavírus.

O levantamento, porém, não foi publicado em nenhuma revista científica. O conteúdo foi disponibilizado no site Reserach Square, sem ser revisado por pares.

Os próprios pesquisadores dizem que as conclusões são preliminares e que as conclusões devem basear estudos mais complexos no futuro. Um novo teste de ivermectina como tratamento Covid deve começar em breve na Universidade de Oxford.

Apesar disso, o virologista Hill chamou o novo estudo de “transformacional” na busca por uma terapia para o coronavírus. Suas descobertas, baseadas em dados de mais de 1.400 pacientes, foram publicadas em um vídeo postado no YouTube no qual Hill discute seus resultados em uma transmissão ao vivo.

“Se virmos essas mesmas tendências observadas de forma consistente em mais estudos, então este realmente será um tratamento transformacional”, disse Hill.

No estudo, apenas 8 de 573 pacientes que receberam ivermectina faleceram, em comparação com 44 indivíduos de 510 que morreram após receberem um placebo.

Diretora da Consultoria de Medicina Baseada em Evidências em Bath, Tess Lawrie convocou uma cúpula online de especialistas internacionais na semana passada para discutir os novos dados. Ele incluiu evidências de que o uso generalizado de ivermectina em partes da Índia e da América do Sul teria levado a uma grande redução de infecções e mortes.

Ao Daily Mail, a Agência Reguladora de Medicamentos e Saúde do Reino Unido disse estar ciente do estudo global sobre o uso de ivermectina para tratar Covid-19 e que suas evidências seriam revisadas.

Infectologista reitera que maioria dos internados em UTI tomou ivermectina, mas esclarece que dado não é científico

Na semana passada, a infectologista Marise Reis, que é membro do comitê científico que assessora o Governo do Estado, causou polêmica ao duvidar da eficácia da ivermectina contra a Covid-19. Ela citou que 90% dos pacientes internados em UTI no Rio Grande do Norte para tratamento do coronavírus tomaram ivermectina – o que confirma, segundo ela, que o remédio não funciona para a doença.

Na quinta-feira, ela reiterou a informação de que a maior parte dos pacientes de UTI realmente tomou o vermífugo, mas esclareceu que o dado de 90% não foi levantado cientificamente e que trata-se de uma estimativa segundo a observação dos relatos dos próprios pacientes.

“Não temos estudos demonstrando essa relação de causalidade, e nem trouxe essa relação. A informação que esses colegas me passaram que entre 80 e 100% dos pacientes internados em UTIs aqui no RN fizeram uso de medicação para a profilaxia, uma série de medicamentos que compõem esse pacote de prevenção de tratamento precoce… Eu queria dizer era de que as pessoas precisam compreender que o recurso que nós temos, que vai capaz de barrar o adoecimento das pessoas é a vacina. Fazer uso de medicamento que não tem comprovação de eficácia para a prevenção é um engano”, explicou.

Fabricante brasileira diz que ivermectina deve ser usada para Covid-19

No início de fevereiro, a própria farmacêutica norte-americana Merck, que produz a ivermectina (mas não vende o produto no Brasil) e que tinha a patente do medicamento até 1996, afirmou que ainda não há evidências de que o medicamento traga benefícios ou seja eficaz no tratamento da Covid-19.

Em um comunicado, a empresa disse que não há base científica que indique efeitos terapêuticos contra a covid-19 nos estudo pré-clínicos já publicados.

Dias depois, a fabricante brasileira do remédio, a Vitamedic, rebateu a Merck. Em nota, o laboratório disse que a ivermectina atua como “redutora da replicação viral”, segundo estudos já publicados nos Estados Unidos e outros países. Os levantamentos não foram apresentados.

“O crescimento do mercado da ivermectina, um produto de baixo custo e terapeuticamente de baixo risco, naturalmente, incomoda e pode ser o motivador de campanhas contra na mídia, especialmente provocadas por empresas que têm interesse em lançar produtos patenteados de alto custo para a mesma doença”, disse a Vitamedic.

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