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Imunização
Estudo indica que combinar vacinas da CoronaVac e AstraZeneca produz mais anticorpos neutralizantes
Pesquisa realizada na Tailândia avaliou a aplicação de uma dose da vacina fabricada pelo Butantan e outra do imunizante feito pela Fiocruz; conclusão é que a intercambialidade pode aumentar proteção
O Globo
31/08/2021 | 15:33

Um novo estudo que avalia o uso da CoronaVac com a AstraZeneca apresenta mais indicativos de que a combinação de imunizantes contra Covid-19 de diferentes plataformas (como são chamadas as tecnologias de fabricação das vacinas) pode ser positiva a quem recebe as agulhadas.

A publicação mostra que a inoculação com o esquema CoronaVac, da farmacêutica Sinovac, em combinação com o imunizante da farmacêutica AstraZeneca produz quase quatro vezes mais anticorpos neutralizantes que o esquema com duas doses de CoronaVac e pouco mais de três vezes mais do que duas doses de AstraZeneca. É importante dizer que esse estudo avalia o esquema com duas doses e não o chamado “reforço”.

Um homem segura um tanque de oxigênio em Manaus. O sistema de saúde da capital amazonense está em colapso. Unidades de tratamento intensivo do hospital da cidade estão com 100% da capacidade nas últimas duas semanas, enquanto os profissionais da área médica lutam contra a falta de oxigênio e outros equipamentos essenciais Foto: MICHAEL DANTAS / AFP
Um homem segura um tanque de oxigênio em Manaus. O sistema de saúde da capital amazonense está em colapso. Unidades de tratamento intensivo do hospital da cidade estão com 100% da capacidade nas últimas duas semanas, enquanto os profissionais da área médica lutam contra a falta de oxigênio e outros equipamentos essenciais Foto: MICHAEL DANTAS / AFP
Parentes de pacientes hospitalizados ou recebendo assistência médica em casa, a maioria com COVID-19, se reúnem para comprar oxigênio e encher botijões em uma empresa privada em Manaus Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Parentes de pacientes hospitalizados ou recebendo assistência médica em casa, a maioria com COVID-19, se reúnem para comprar oxigênio e encher botijões em uma empresa privada em Manaus Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Parentes de pacientes internados ou em atendimento domiciliar aguardam em fila para comprar oxigênio em meio à crise de escassez do insumo em Manaus Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Parentes de pacientes internados ou em atendimento domiciliar aguardam em fila para comprar oxigênio em meio à crise de escassez do insumo em Manaus Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Agravamento da pandemia na região fez crescer a demanda por oxigênio hospitalar. Demanda aumentou cinco vezes nos últimos 15 dias Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Agravamento da pandemia na região fez crescer a demanda por oxigênio hospitalar. Demanda aumentou cinco vezes nos últimos 15 dias Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Um homem carrega um cilindro de oxigênio enquanto parentes de pacientes hospitalizados ou em atendimento domiciliar tentam comprar o insumo, indispensável no tratamento de pacientes com quadro grave da Covid-19 Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Um homem carrega um cilindro de oxigênio enquanto parentes de pacientes hospitalizados ou em atendimento domiciliar tentam comprar o insumo, indispensável no tratamento de pacientes com quadro grave da Covid-19 Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Parentes de pacientes internados nos hospitais fazem fila para recarregar cilindros de oxigênio em frente de no Distrito Industrial II de Manaus Foto: Fotoarena / Agência O Globo
Parentes de pacientes internados nos hospitais fazem fila para recarregar cilindros de oxigênio em frente de no Distrito Industrial II de Manaus Foto: Fotoarena / Agência O Globo
Homem aguarda em fila para recarregar botijão com oxigênio. Principal empresa produtora de oxigênio hospitalar do Amazonas divulgou nota nesta quinta-feira (14) para informar que o consumo nos hospitais do estado seguem crescendo fora de controle Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Homem aguarda em fila para recarregar botijão com oxigênio. Principal empresa produtora de oxigênio hospitalar do Amazonas divulgou nota nesta quinta-feira (14) para informar que o consumo nos hospitais do estado seguem crescendo fora de controle Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Fornecedoras de oxigênio, que têm que enviar o produto em cilindros de avião até a Amazônia, argumentam que há um gargalo no fornecimento em função da alta demanda Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Fornecedoras de oxigênio, que têm que enviar o produto em cilindros de avião até a Amazônia, argumentam que há um gargalo no fornecimento em função da alta demanda Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Crise causada pelo novo surto de Covid-19 vem sendo agravada pela falta de oxigênio, o insumo mais importante para o tratamento dos casos graves da doença Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Crise causada pelo novo surto de Covid-19 vem sendo agravada pela falta de oxigênio, o insumo mais importante para o tratamento dos casos graves da doença Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Parentes aguardam em fila para comprar botijão de oxigênio de em uma empresa privada em Manaus Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Parentes aguardam em fila para comprar botijão de oxigênio de em uma empresa privada em Manaus Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Logística para fazer chegar oxigênio a Manaus é complexo, envolvendo transporte aéreo e fluvial, vindo de outros estados Foto: BRUNO KELLY / REUTERS
Logística para fazer chegar oxigênio a Manaus é complexo, envolvendo transporte aéreo e fluvial, vindo de outros estados Foto: BRUNO KELLY / REUTERS

Os especialistas avaliam os indicativos como importantes e positivos, mas alertam que ainda não se trata do estudo que definirá a necessidade da intercambialidade — como é chamado esse processo de combinação — das vacinas.

— O trabalho mostra a produção dos anticorpos neutralizantes contra a proteína spike, mas isso não é sinônimo de que a pessoa estará protegida. Porque ainda não conhecemos o chamado correlato de proteção (volume necessário de anticorpos para estar imunizado contra a doença) — explica Salmo Raskin, médico geneticista e diretor do Laboratório Genetika, de Curitiba.

A análise — ainda não revisada por outros especialistas — foi realizada por pesquisadores do Centro de Excelência em Virologia da Universidade de Chulalongkorn, na Tailândia. O país é um dos que adotam o uso do imunizante produzido pela Sinovac, assim como Brasil, Chile e Turquia.

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O grupo que recebeu a combinação de doses diferentes era formado por 77 pessoas; outras 79 receberam duas doses da CoronaVac; e 80 participantes, duas doses da AstraZeneca. Os grupos contavam com homens e mulheres, alguns com doenças relacionadas — mais comuns no grupo que recebeu AstraZeneca.

— É uma boa notícia. O estudo fortalece as medidas que têm sido tomadas no mundo todo. O que se espera agora são novas análises que ampliem o número de participantes e tragam novas informações em relação ao esquema heterólogo (quando há a combinação de plataformas distintas num único esquema de imunização) — diz Raquel Stucchi, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Essa análise, em especial, toca em um ponto importante para o país. Juntas, CoronaVac e AstraZeneca correspondem a 79,5% dos imunizantes aplicados no Brasil. E ambas têm processo de transferência de tecnologia (que consiste em repassar o segredo de fabricação a outro país) previstos. A primeira para o Butantan e a segunda para a Fiocruz — que já iniciou a fabricação da matéria-prima. O infectologista e diretor médico do grupo Fleury, Celso Granato, classifica o estudo tailandês como “muito útil” por apresentar uma situação que remete à imunização brasileira e suas principais vacinas. Embora a análise não leve em conta, ele explica, as variantes Delta e Gama, em circulação por aqui.

Realidade no Brasil

Se há poucas semanas o uso de plataformas combinadas de vacina figurava como uma incerteza entre os gestores de saúde, aos poucos ela ganha espaço nas decisões acerca do programa de vacinação brasileiro. A mais importante delas foi tomada pelo próprio Ministério da Saúde, que determinou que o regime de terceira dose nos pacientes com idade superior a 70 anos e imunossuprimidos no país não incluirá a CoronaVac — responsável por dar o pontapé inicial do programa de imunização brasileiro.

A decisão já começa a reverberar nas gestões locais. O estado de São Paulo, por um lado, diz que manterá a CoronaVac na lista de vacinas elegíveis para a dose de reforço — a ser oferecida para os maiores de 60 anos a partir do dia 6. Salvador (BA), porém, iniciou a aplicação das vacinas nas pessoas com mais de 80 anos na última segunda, sem o uso da CoronaVac.

— Conhecer o esquema heterólogo por meio de estudos é importante porque vamos precisar fazer doses de reforço, precisamos dessa referência. Além disso, se faltar uma vacina, podemos complementar o esquema com outro imunizante. Como ocorre com vacinas de outras doenças — diz Alberto Chebabo, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

A resposta mais definitiva sobre o tema — em relação à CoronaVac — será conhecida quando o ministério apresentar os resultados iniciais do estudo que encomendou à pesquisadora Sue Ann Costa Clemens, da Universidade de Oxford. A análise avaliará o uso combinado de todas as vacinas do Programa Nacional de Imunização, fazendo as vezes de reforço para 1,2 mil pessoas previamente vacinadas com CoronaVac. A própria vacina da Sinovac será usada para a avaliação, como dose extra.

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