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Comportamento
Estudo diz que o público prefere consumir boatos a verdades sobre vacina
Por causa da linguagem informal e aproximação com o espectador, vídeos com esse perfil de conteúdo, apesar de conterem boatos, viralizam mais
Redação
06/10/2020 | 14:42

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde classificou o movimento antivacina como uma das 10 principais parâmetros à saúde global . O problema é atual. Segundo um estudo recente da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), como desinformações sobre o tema têm despertado mais confiança nos consumidores de notícias nas redes sociais, que preferem vídeos testemunhais com boatos a conteúdos jornalísticos.

O desconhecimento sobre a produção, medo dos conteúdos e da injeção são alguns dos motivos por que as pessoas evitam as vacinas. Entre os que dispensam a imunização, a maior parte busca informações sobre o tema em sites não oficiais e nas redes sociais, como Facebook e WhatsApp. “Muitos afirmaram que após verem reportagens na internet sobre os efeitos adversos de algumas vacinas, como a do HPV e a febre amarela, caracterizada pelo conteúdo do conteúdo na mídia jornalística”, afirma a professora de conteúdo digital da ESPM e autora do estudo, Isabela Pimentel. Segundo o Digital News Report 2020 , o Facebook e o WhatsApp, seguindo os principais canais de consumo de notícias no Brasil.

Quanto mais pessoal, melhor

Para entender como as pessoas têm consumido os conteúdos não checados, uma pesquisadora analisou os dez vídeos com maior engajamento no Youtube a partir de pesquisas por “Vacina Febre Amarela” e “Veneno Mortal”, entre 2017 e 2018, quando ocorreram surtos da doença no Brasil. Um deles era protagonizado por uma fonte não oficial que narra uma experiência de “quase morte” por conta da vacina, outro trazia o médico Drauzio Varella e um terceiro, o Ministério da Saúde. Os vídeos foram classificados como verdadeiros; verdadeiro, mas; contraditório e falso, seguindo o sistema de etiquetas criado pela Agência Lupa .

Na segunda parte da pesquisa, foram alguns dos usuários que escolherem não se vacinar contra a febre amarela e aderiram ao movimento antivacina. Cerca de 12 pessoas foram entrevistadas, para tratar a etapa qualitativa, que busca identificar tendências e compreender o comportamento da parcela público analisado. Em geral, a maioria foi de mulheres, com curso superior e mães que consumiam notícias apenas pelas redes sociais, sem um filtro de checagem. “Em geral, eles precisam de acompanhar os jornais e praticamente só participavam de grupos de mães, onde se informavam. Outros dois estudantes que entrevistei se informaram sobre o assunto por meio de um grupo antivacina no Facebook ”, conta Isabela.

Para professora da ESPM Rio, a maioria dos usuários das redes se identifica com linguagem pessoal dos conteúdos teorais e não buscam informações sobre vacinas nos meios jornalísticos e oficiais pela abordagem mais distante. “Percebemos uma diferença essencial entre os vídeos do Youtube: o nível de aproximação com o espectador. Enquanto os anônimos contavam suas histórias de vida, os comunicados oficiais utilizavam uma linguagem fria e termos técnicos, que não geram empatia com quem está assistindo. ”

A tendência pela viralização de vídeos antivacina também foi observada em um estudo conduzido no mesmo período, na Itália. Segundo a pesquisa, os vídeos comparados eram argumentos contra a imunização tinha 45% a mais de chance de viralizar do que uma campanha oficial.

O dilema das redes

Em artigo prévio ao fim do estudo, a pesquisadora apontou algumas características da plataforma do Youtube que favorecem a viralização dos vídeos, como a taxa de comentários, a menção em outros portais e a coluna de recomendação.

No início da pandemia, em fevereiro deste ano, o Youtube anunciou medidas para priorizar informação científica sobre o novo coronavírus. De acordo com a empresa, os mecanismos de pesquisa da plataforma passaram a dar mais importância a vídeos produzidos por fontes nas buscas pelos termos relacionados ao vírus. Uma reportagem buscou pelo termo “febre amarela” e também apareceram sugestões feitas por canais oficiais de saúde como a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm), o centro de telessaúde da UFMG e canais de ciência verificados como Biologia com Samuel Cunha.

No entanto, o sistema de recomendação ainda é criticado por cientistas. Em um documentário recente lançado pela plataforma de streaming do Netflix, O Dilema das Redes , pesquisadores indicam que o filtro de recomendação do Youtube seja desativado, assim, os usuários não seriam impactados por potenciais desinformações virais. O algoritmo funciona por meio de inteligência artificial, que se baseia nos conteúdos assistidos pelo usuário ao sugerir vídeos correlatos. O problema é quando o consumo não parte de fontes médicas reconhecidas. Se o vídeo é desinformativo, mais conteúdo do gênero pode ser visto.

O que fazer?

Para diminuir a aversão aos conteúdos oficiais, a recomendação principal é que os órgãos de saúde sejam mais transparentes em relação aos riscos potenciais das vacinas. Segundo a pesquisadora da ESPM, que se formou por cerca de sete anos na Fundação Oswaldo Cruz, uma informação clara sobre um aspecto do desenvolvimento de um imunizante permanente a possibilidade de história.

“Quando não há transparência, há margem para pânico. Alguns poucos entrevistados me disseram que até ‘acreditaravam’ no Ministério da Saúde, mas não na forma como este comunicava sobre a vacina. O que aconteceria com o corpo deles, no final das contas? Entre confiar em um parente ou amigo que relatava uma experiência negativa com a vacina e o Ministério da Saúde, conforme as pessoas escolhidas a realidade mais próxima a elas. ”

Além disso, a pesquisadora julga necessário que os meios oficiais busquem estar nas mídias onde a desinformação circula, façam campanhas com linguagens próprias ao público que buscam alcançar e invistam em projetos que estimulem o letramento digital.

Para os usuários, recomenda-se uma pesquisadora, é importante ter consciência do papel de produtor de informação e alertar os próprios contatos. “As relações pessoais de confiança são muito importantes na hora de decidirmos no que vamos acreditar”, finaliza.

Como checar informações

Confere.ai é a primeira plataforma de verificação automática de conteúdo do Nordeste. O site utiliza técnicas de inteligência artificial para determinar se uma notícia tem características de uma desinformação. Para utilizá-lo, basta acessar o endereço confere.ai e colar o link a ser checado. A ferramenta responde com o nível de desinformação da notícia, que pode ir de mínimo – selo para links com poucos indícios de serem enganosos – um crítico, para notícias com muitas características de desinformações.

*As informações são do Jornal do Commercio

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